FIQ – Um papo com o curador e organizador Ivan Costa

Ivan Costa, ou simplesmente Ivan, “aquele cara da coleção mais invejada do Brasil” e curador das duas últimas e principais exposições do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte (Batman: 70 Anos em 2009 e Criando Quadrinhos em 2011) reservou um pouco de seu concorrido tempo no último dia do evento para explicar como nasceu sua paixão pelos quadrinhos, como acabou tornando-se um dos pilares principais da organização do festival e ainda aproveita para dar dicas de como um fã pode tornar-se ativo dentro da indústria – mesmo não trabalhando nela.

Ivan e alguns de seus action figures - Foto por Arthur Fujii / Veja SP

Ivan, conte aos nossos leitores quem é você e por que você adora tanto os quadrinhos.

Heróis em Ação 7

Ivan Costa: Meu nome é Ivan Freitas da Costa, tenho 39 anos e comecei a gostar de quadrinhos quando li uma história dos Novos Titãs, na revista Heróis em Ação nº 7 (janeiro de 1985), na qual os heróis enfrentavam o vilão Trigon – a saga contra ele estava bem no meio. Foi então que senti curiosidade de saber não só o que tinha acontecido antes, mas também o que viria depois. O formatinho, no entanto, não era muito legal, despertando em mim a vontade de aprender inglês e ler as revistas em seu formato original – em especial porque o intervalo de publicação era muito grande. Então a evolução começou.

Acabei indo estudar fora do país, fiz meus primeiros contatos com os artistas, e foi com um sketch da Morte feito pelo Chris Bachalo que comecei a colecionar a arte propriamente dita, não só as revistas. Aliás, a coleção de revistas foi transformando-se, pois de uma coleção de formatinhos ela passou a ser uma coleção de revistas americanas.

Em 2005 acabei participando de um evento em São Paulo, justamente expondo alguns itens da minha coleção [Nota: na Bienal de Quadrinhos, que não existe mais], e em 2007 o próprio FIQ me procurou, pois precisavam de alguém que soubesse mais sobre quadrinhos americanos, para buscar convidados, fazer exposições etc. Foi a partir daí que começou minha relação com este Festival, a qual não cessou, mas apenas me dedico em minhas horas vagas – não trabalho na indústria, não sou escritor, desenhista ou editor. Pra falar a verdade minha profissão é bem entediante comparada à emoção dos quadrinhos (risos).

E qual é a sua profissão?

Ivan: Sou Diretor de Marketing e de Desenvolvimento Educacional de um grupo educacional em São Paulo, o qual inclui a faculdade FIAP. É como mantenho minha identidade secreta (risos). Portanto, o trabalho no FIQ acaba consumindo meus finais de semana, meus feriados, minhas noites… toda vez falo que é a última vez (risos), mas quando vejo a exposição pronta e a quantidade de pessoas que falam sobre ela, a satisfação é muito grande.

Você comentou que foi estudar fora do país e conheceu vários artistas neste meio tempo. Como aconteceu o primeiro contato? Que portas este contato abriu?

Estatuetas Cover Girls, de Adam Hughes

Ivan: Isso aconteceu em 1997, o que para os mais novos deve ser o equivalente ao cretáceo (risos) – a internet ainda estava engatinhando, e-mails ainda não eram comumente usados como hoje. Tudo começou com o Chris Bachalo, pois eu mandei uma carta para a DC com uma edição nacional da minissérie da Morte, explicando que eu era um fã brasileiro e que aquilo era um presente pra ele. Quando voltei do intercâmbio, uma carta chegou à minha casa – era dele! Havia uma edição americana da minissérie, autografada por ele e com um sketch feito especialmente pra mim. Claro que, depois dessa, comecei a gostar da brincadeira (risos) [Nota: o item estava à mostra na exposição Criando Quadrinhos, nesta edição do FIQ].

A partir deste momento comecei a mandar cartas e coisas para a DC, endereçada a vários artistas. Muito deles não responderam, mas outros – e isso hoje em dia parece uma grande maluquice – como Alex Ross, Gene Ha, Kelley Jones e Dan Jurgens, por exemplo, começaram a manter um contato constante comigo.

No ano 2000, fui à minha primeira convenção americana, em Chicago, e lá conheci estas pessoas, bem como muitas outras. Em 2005 fui para San Diego, mais uma vez estabelecendo uma rede de contatos, e desde 2008 vou anualmente para a New York Comic Con, mas na pele de um “embaixador autônomo” do FIQ. É lá que apresento o festival, explico como está crescendo, como é bacana e como é diferente das convenções que eles normalmente frequentam lá fora. E, claro, faço os convites.

Com estes contatos e estas viagens constantes, consegui trazer, em 2009, Ben Templesmith, Eddie Berganza (que já havia trazido em 2007 também), fiz contatos com a Jill [Thompson] e o Bill [Sienkwicz], que estão aqui este ano. Mas deve-se notar que há muita negociação para alguns deles – o Bill mesmo é bastante assediado pelas convenções. Ele tem uma agenda difícil e para trazê-lo foram longas conversas e negociações.

Felizmente as coisas foram dando certo, e hoje alguns artistas acabam até me procurando quando estou lá fora, perguntando sobre o Festival, falando que estarão aqui na próxima edição e tudo mais – tanto que o evento de 2013 já está bem encaminhado, pois não tenho tanto tempo disponível assim, logo as ideias precisam estar sempre borbulhando.

Original de Rafael Albuquerque, feito para o FIQ

Como deu-se esta evolução de fã para, praticamente, um profissional colecionador e curador?

Ivan: Eu diria que houve alguns marcos para definir este caminho. O primeiro deles, sem dúvida, foi estar com Heróis em Ação 7 nas mãos, ainda criança. Em seguida, eu diria que foi adquirir minha primeira revista dos Novos Titãs em inglês, a qual demorei uma semana pra ler com dicionário do lado e tudo mais. Ficou claro que aquilo não estava dando certo (risos). Quando aprendi a ler em inglês de verdade, foi uma grande realização.

O primeiro contato com um artista internacional certamente foi muito marcante, bem como a primeira convenção, em 2000, conforme citei. A partir daí eu iria para 2005, quando houve o convite da Bienal de São Paulo, não só para participar da feira, mas também para procurar um patrocínio da empresa em que eu trabalhava na época. Expliquei que não havia como aquele patrocínio acontecer, infelizmente não fazia sentido para a empresa em si, mas pessoalmente os procurei para saber o que planejavam. A resposta deles, explicando o evento, foi “teremos algumas coisas de quadrinhos, uns mangás…” (gargalhadas). Felizmente, nesta época, eu já tinha muitos originais em minha coleção e então comecei a preparar minha primeira exposição.

Acabei não ganhando um centavo por fazer aquilo, e exposição estava até um pouco sem sentido, cheia de quadrinhos, digamos, “multimarcas” (risos). Mas foi bom, pelo aprendizado e pelos contatos. Conheci os gêmeos [Nota: Fábio Moon e Gabriel Bá] lá, e eles ainda eram um sucesso regional, apenas. O Sidney Gusman estava lá também, e somos amigos até hoje.

As coisas começaram a tomar forma, realmente, em 2007. Falava-se muito que a produção do FIQ fazia um evento muito cabeça, trazendo apenas o pessoal de quadrinhos alternativos – o que é ótimo, pois como toda forma de arte, eles têm seu valor – mas isso nunca iria atrair um público grande. As pessoas querem ver o Superman, querem ver o Homem-Aranha, é uma referência cultural muito forte. Por isso, um evento de quadrinhos precisa ser pop. No entanto, a produção insistia em quadrinhos europeus e coisas assim, mas uma pessoa acabou me apontando e eu fui chamado.

Mais uma vez fiz uma exposição um pouco mais “genérica”, com várias coisas da minha própria coleção, mas nela havia a semente de duas exposições que eu viria a fazer depois: Batman 70 Anos, de 2009 e Criando Quadrinhos, deste ano. Havia ali uma sequência de várias artes do Morcego, bem como um resumo bem básico do processo de criação de uma HQ. Portanto, nos maiores marcos da 6ª Edição do FIQ (2009), a exposição estava lá. Havia muito mais super-heróis, muito mais identificação e muito mais pessoas visitando. Fora isso, as vindas do Ben e do Berganza também foram muito marcantes.

Cortando para 2011, consegui trazer o Bill que nem precisa de apresentações. Ou não (risos).

Muita gente veio aqui pra saber quem ele era.

Ivan: Exatamente (risos). E veio também a Jill Thompson, que foi fantástico.

Crianças visitando a exposição Criando Quadrinhos - Foto por Nathália Turcheti

Um pouquinho antes deste evento, ganhei o prêmio HQMix de Melhor Exposição com Batman 70 Anos, o que me deixou muito feliz. A partir deste ponto, sabia que a próxima exposição devia ser maior – e logo as pessoas começaram a me perguntar se ela seria melhor que a do Batman (risos). Para esta preparação, sempre me coloco na posição de fã, pois aquilo que estou fazendo deve me atrair. Também sou fã, como todos aqui, quero ver coisas que compensem, quero que valha a pena pegar um avião e ver uma exposição dessas, ver a Jill Thompson, o Ivan Reis, o Joe Prado, o Mike Deodato, Rafael Coutinho, os gêmeos e tantas outras pessoas. Sempre me coloco na posição de fã.

Falando sobre sua coleção, você mesmo comentou conosco que o que está disponível neste FIQ mal chega a 20% de tudo que tem (risos). Como você foi adquirindo todos estes itens? Você ainda gosta de viajar e olhar nos olhos do artista, conhecendo-o e comprando um original, por exemplo, ou o eBay ajuda nestes casos?

Ivan: O eBay é a mãe de todas as coleções. Na indústria de quadrinhos existe uma coisa chamada dealers, ou seja, são os negociantes das artes de determinados (ou vários) desenhistas. Geralmente eles trabalham em áreas específicas do país, participando das convenções daquela região – um art dealer da costa leste não costuma viajar até a costa oeste para fazer suas negociações, por exemplo. É aí que entra a internet, facilitando este alcance, que acabando indo até para outros países.

Exposição - Foto por Nathália Turcheti

Há itens que são emprestados, às vezes ate pelos próprios artistas, que confiam em mim para cuidar daquele item e colocá-lo à exposição aqui – e alguns deles me dão uma inveja imensa (risos). Dentre os itens emprestados estão uma página original de George Pérez para JLA/Avengers que nunca foi publicada [Nota: Ivan está se referindo à clássica história da década de 80, cujos originais foram se perdendo ou acabaram vendidos pelo mundo]; todos os “Rafaéis” do mundo me emprestaram alguns de seus originais (risos); o Frank Quitely também cedeu um original seu, assim como o Felipe Massafera e alguns outros.

Alguns eu pego na mão e fico pensando “por que tenho que devolver isso, por que ele não deixa pra mim de presente?” (gargalhadas), e às vezes eles até acabam me dando mesmo. Outros destes itens acabam sendo presentes, pois felizmente consegui fazer muitos amigos que trabalham na indústria, como o Joe [Prado] e o Ivan [Reis]. Com esta amizade que temos, acabamos criando uma cultura de trocar coisas, originais e itens de coleção entre nós.

Aliás, vou até contar uma história engraçada. A página dupla original de Green Lantern #25 [Nota: a batalha final entre Lanternas Verdes e a Tropa Sinestro, na qual foram mostrados, pela primeira vez, os outros espectros emocionais], foi um presente de aniversário que ganhei do Ivan. O art dealer dele queria vendê-la por US$ 4500,00, e obviamente eu fiz outras ofertas, certo (risos)? Falei que um dia ela seria minha de qualquer jeito, nem que eu tivesse que ganhar na megassena (risos). O Ivan começou a achar que era uma praga, que eu estava jogando olho gordo na arte e tudo mais (risos). O tempo passou e ela não foi vendida (risos), então ele acabou me dando de presente.

A famigerada paǵina da Guerra Sinestro

O olho gordo funcionou!

Ivan: Deu certinho, e nem precisei ganhar na megassena (risos). Outros dos itens que acabei ganhando deles foi aquele splash de Brightest Day, do Batman, que também está à mostra aqui. Entre os próprios artistas esta prática da troca também é bem comum. Como não produzo nada, compro algumas coisas e dou pra eles em troca das artes deles e assim por diante – para o Ivan, que sempre adorou Conan, já comprei vários colecionáveis e itens raros do personagem, até um original do John Buscema.

Para esta exposição, especificamente, tive que comprar muita coisa também, pois comecei a pesquisar por itens que facilitassem a compreensão da criação de uma HQ por completo. Acaba sendo recompensador, depois, fazer tudo isso, pois as pessoas ficam muito entretidas e elogiam bastante o trabalho exercido. O próprio C.B. Cebulski, da Marvel [Nota: caçador de talentos da editora, que esteve todos os dias no evento] me disse que nunca tinha visto uma exposição assim, este tipo de coisa não existe lá fora. “Acabei precisando vir até o Brasil para ver algo assim”, disse ele. Aconteceu algo semelhante com o Larry [Nota: Ganem, da DC Entertainment, que esteve no evento representando o ausente Eddie Berganza], que fotografou toda a exposição, passo a passo, para mostrar ao pessoal dele como funciona isso – quadrinhos são uma produção solitária, às vezes, nem mesmo os envolvidos têm noção completa de todo o processo até o final. Esses acontecimentos são muito recompensadores.

Splash do Batman de O Dia Mais Claro

Agora, uma coisa natural de acontecer, é a existência daquele fã “cruel” – na verdade, todos nós, fã de quadrinhos, somos cruéis, sempre sentimos e reclamamos a falta de alguma coisa. Na exposição do Batman, por exemplo, não podia falta um item do Dick Sprang. Então, eis que um amigo aproxima-se de mim e fala que faltou alguma coisa (riso). Suspirando, perguntei o que era, e ele vem com “Batman: Feira da Fruta” (gargalhadas). “Tinha que estar ali, nem que fosse pra tocar a música de fundo no salão”, ele brincou.

Falando sério, é preciso pensar nas expectativas que as pessoas terão. A camada pop, representada pelos super-heróis feitos por alguns artistas bem queridos, é necessária, assim também como a camada profunda, que vai a fundo na criação daquilo e traz itens mais diferenciados.

Você citou o Dick Sprang. Um dos itens mais importantes de sua coleção é uma carta dele, correto? [Nota: a carta refere-se a um protesto do artista contra os caminhos que os quadrinhos tomavam em fins dos anos 1980 e início dos anos 1990, com papel timbrado para a DC Comics]

Ivan: Sim. É engraçado que você só sente a real importância de um item quando está com ele em suas mãos. Antes de falar mais sobre ele, quero dizer que sou fanático pelo Batman. Tenho muitos itens dele, tenho toda a coleção de estátuas Black & White [Nota: lançadas pela DC Direct com unidades limitadas]. Teve muita coisa que acabei nem trazendo pra cá pra não haver uma superexposição do personagem numa mostra que não é volta a ele, daí o trabalho de curadoria.

Batman Black & White

Voltando à carta, acabei encontrando-a no eBay anos atrás. Nas fotos não dava pra entender exatamente o que aquilo significava, só estava claro que tratava-se de um item importante feito por uma pessoa de grande renome na indústria durante décadas. Foi quando pus as mãos nela que senti o quanto aquilo era histórico. Está entre meus itens favoritos, sem dúvida.

A carta de Dick Sprang, de 1995

Claro que a pirâmide de significância de cada item é gigante, pois todos têm sua história e seu próprio significado. O cartão postal do Superman: Paz na Terra, do Alex Ross, por exemplo, ganhei de presente de Natal. São itens históricos por eles mesmos e pra mim, que fui conseguindo cada um de uma forma.

Uma pessoa até me perguntou, aqui no FIQ mesmo, o que vai acontecer com tudo isso quando eu não estiver mais aqui. Já estou cuidando para que todos os itens acabam nas mãos de alguém (ou uma instituição) que tenha grande cuidado – e menos desapego também (risos) – que se comprometa a fazer mostras e exposições com tudo isso. Quero o trabalho continue.

Aproveitando o gancho do “desapego”, você costuma exercitar-se nesse sentido? É muito difícil ter desapego das coisas que tem?

Ivan: Sim, é difícil. Colecionadores são compulsivos, deve ser um tipo de TOC [Transtorno Obsessivo Compulsivo], pois é uma característica normal de pessoas assim o desejo de ter e de guardar. É até uma coisa típica do lanterna laranja (risos).

Fazer as exposições acaba se tornando um bom exercício de desapego, pois os itens saem daquela proteção sua e ficam, literalmente, expostos. Mas há também o lado do trabalho e das complicações que isso traz. Toda vez falo que é a última vez (risos), pois realmente dá muito trabalho. Deve-se separar tudo, organizar as ideias para definir uma sequência lógica de exibição dos itens, depois vem o trabalho de embalar, colocar numa transportadora, desembalar, fazer a exposição como havia sido planejada no papel… mas então chega o pessoal do evento, meus amigos e os artistas e eles dizem que jamais posso parar de fazer isso (risos).

Dá bastante preocupação também, até porque há itens que não são meus, e sempre há o risco de perda ou dano. Às vezes, um determinado artista me empresta algo e já fica aquela coisa de “olha lá hein, tome cuidado” (risos), e eu sempre respondo “a melhor garantia que posso lhe dar é que cuidarei como se fosse um item meu”.

Qual o tamanho da sua coleção hoje? Tanto de originais como de quadrinhos.

Original de O Dia Mais Claro

Ivan: De quadrinhos devo ter em torno de 6 mil revistas, ou um pouco mais. Mas as coleções são separadas. Por exemplo, não misturo revistar nacionais com americanas, por exemplo, assim também como revistas autografadas e originais são duas coisas distintas. Destes, devo ter uns 800 itens, mais ou menos. É bastante coisa.

Mas é engraçado que recebo muitos presentes, e às vezes não sei onde guardar todas estas coisas, elas não param de chegar (risos). O Bill [Siencwicz] fez um desenho pra mim, a Jill [Thompson] também. Estas coisas acabam na coleção de originais, e tenho muito carinho por ela. Também ganhei, do Sidão, os quatro posters do Graphic MSP [Nota: nova iniciativa da Maurício de Sousa Produções com os artistas nacionais, organizada por Sidney Gusman]. Recebo bastante coisa mesmo. Com isso faço uma organização mais detalhada numa planilha, especificando o item: aponto se é um desenho completo, nanquim no papel, se há um autógrafo, uma dedicatória e assim por diante.

Também tenho fotos em baixa de cada item na planilha, assim não preciso manusear nada até o momento do transporte e da montagem/desmontagem da exposição.

Já que estamos falando de todo o trabalho que tem mantendo esta coleção, você acredita que os fãs deveriam engajar-se mais nesse sentido? É importante para indústria contar com fãs como você que, além de adquirir itens, os leva para milhares de outras pessoas?

Ivan: Depois do evento de 2005 percebi que podia fazer um pouquinho a mais do que simplesmente comprar e comentar com alguns amigos. Cortando a cena para 2011, sabendo que estamos num evento que é, sim, o maior da América Latina e que deve fechar com cerca de 100 mil pessoas nesta última edição [Nota: no domingo, último dia do FIQ, quando esta entrevista foi feita, os dados ainda não estavam corretos. Hoje sabe-se que mais de 130 mil pessoas passaram pelo VII FIQ, batendo todos os recordes e expectativas], é como expor ainda mais o mercado para muito mais gente.

Exposição Criando Quadrinhos - Foto por Nathália Turcheti

A verdade é que todo mundo pode fazer um pouquinho, seja com uma mostra, com um blog, um site, uma compra de coisas legais para presentear um amigo que nunca leu uma HQ. Sempre fico feliz quando recebo a notícia de que um novo evento pipocou em algum lugar do Brasil. E tem que pipocar mesmo, as pessoas devem vestir a camisa do evento e participarem. Ninguém precisa ter ua coleção enorme pra fazer alguma coisa. Ninguém precisa ter Action Comics #1 autografada pelo Jerry Siegel – pegue aquela sua Batman nº 1 da Editora Abril e coloque numa vitrine da sua faculdade, num centro cultural da sua cidade. Todos podem ajudar a fazer a roda girar. Nós gostamos de quadrinhos, é nosso papel também fazer com que eles continuem vivos.

As pessoas que vêm aqui analisar e trazer portfólios, que querem ver a indústria crescer, participar dela e tal, tudo isso é louvável. São estas coisas que desempenham papeis na indústria e mantêm esta paixão tão viva.

Os próprios convidados nossos, o Bill e a Jill, eles viram no Brasil coisas que não viam há décadas lá fora, de empolgação, de energia e criatividade de criação. Bill me confidenciou que está vendo aqui, hoje, o que ele viu nos anos 1980 nos Estados Unidos, com Cavaleiro das Trevas, Crise nas Infinitas Terras e Watchmen. A Jill ficou emocionada com as crianças visitando o Festival com as escolas. É um momento fantástico.

Pra fechar, Ivan, o que está achando deste FIQ, até como uma das peças fundamentais dele?

Ivan: Hoje integro uma trinca que forma o FIQ, sendo o Afonso (coordenador geral), o Daniel Werneck e eu. É muito trabalhoso organizar algo assim, correr atrás dos convidados e tudo mais – alguns deles só estão disponíveis, literalmente, à 1 da madrugada, então você vara a noite resolvendo coisas e fazendo convites. Mas então, quando se olha os corredores e há milhares de pessoas apreciando cada centímetro do que foi feito, é muito bom. O FIQ não é como uma convenção com oa de Nova York, por exemplo, mas proporcionalmente falando, está tão lotado quanto.

O FIQ de 2009 teve 75 mil pessoas somando todos os dias, enquanto em 2011 tivemos 35 mil apenas em um dia. Quando falo isso para as pessoas lá fora, há muita curiosidade e empolgação. E o fato de muitas crianças virem, seja com escolas ou com suas famílias, mantém vivo o interesse pelas Hqs nas gerações futuras. É isso que o FIQ faz: cria um repertório totalmente renovado para quem passa por aqui.

[O MultiversoDC agradece, imensamente, a Ivan Costa, não só pelo bate-papo super bacana, mas também por ajudar o site a cobrir este grande evento – e deseja muito sucesso a ele e ao evento]

Cŕeditos das fotos: Pipoca e Nanquim, Area 171 e GHQ. Visitem!

  • Eddy Barrows

    Grande Ivan da Costa, uma pessoa maravilhosa, eu sou um dos artistas que troquei um original do Superman com ele, Esse olho gordo dele funciona mesmo hahahaaa…Mudando de assunto, o FIQ se tornou o maior evento da America Latina devido ao esforço enorme de caras com o Ivan, tenho a oportunidade de ver o Ivan convidando alguns destes grandes artistas em NY, o quanto ele se empenha para tornar o FIQ ainda melhor e maior.
    Parabens Ivan, um grande abraço
    Eddy Barrows

  • adorei a entrevista. Assim como o Ivan eu faço a minha parte tb. Compro as revistas, quando a panini lança uma coletanea do meu personagem favorito sempre compro dois exemplares, a minha e para presentear um amigo. Meus afilhados e filhos(as) de amigos só ganham presentes de super-heróis. é a minha parte pra manter o nosso vicio.

  • Fui eu que perguntei sobre quem iria herdar o incrível acervo do Ivan, que além de grande conhecedor e colecionador também é de uma educação ímpar, sempre paciente e atencioso, mesmo com aqueles não tão educados…como eu por exemplo ahuahuahu.

  • Heitor Pitombo

    Excelente a entrevista, Ivan. Os quadrinhos no Brasil sempre precisam de gente que possa desenvolver novos olhares em sua direção. Não dá pra mensurar o tamanho da contribuição que exposições como as suas dão para a cena daqui, ainda mais mostrando para os gringos um Brasil, no mínimo, surpreendente. Parabéns!

  • O FIQBH realmente foi um evento surpreendente, e me tornou um fã que espera atuar de forma mais intensa nos próximos. Muito boa a entrevista do Ivan e suas considerações a respeito de coleções. Eu inclusive, desde que conheci o evento já aderi a prática de guardar coisas dos artistas (fotos, autógrafos), e expor, da forma que for (blog, facebook, etc). Parabéns novamente !

  • O FIQBH realmente foi um evento surpreendente, e me tornou um fã que espera atuar de forma mais intensa nos próximos. Muito boa a entrevista do Ivan e suas considerações a respeito de coleções. Eu inclusive, desde que conheci o evento já aderi a prática de guardar coisas dos artistas (fotos, autógrafos), e expor, da forma que for (blog, facebook, etc). Parabéns a todos novamente !

  • Grande entrevista. Me identifiquei muito com o Ivan. Parabéns, Morcelli e, principalmente, parabéns ao Ivan por, assim como muitos de nós, tentar manter a chama acesa!