Resenha Definitiva: Batman e Robin de Morrison – Caminhando para o Fim

Os dois penúltimos capítulos da grande odisseia de Grant Morrison por Batman and Robin, série mensal do Homem-Morcego criada por ele mesmo, serão resenhados e analisados abaixo, afinal elas são muito unidas para comentarmos uma a uma. Vale dizer que ambas saíram em Batman nº 105 da editora Panini, lançada em agosto deste ano nas bancas de todo o Brasil.

Sem mais delongas, vamos às histórias!

Batman and Robin #14

Grant Morrison e Frazer Irving conseguiram trabalhar com os aspectos “surpresa” e “desconhecido” como ninguém mais fez com o Batman em todos esses anos nestas últimas edições da revista Batman and Robin.Utilizando-se de clímax consecutivos, se é que isso é possível, e do fator “amazing awesomeness” a dupla chega ao meio da quinta história desta revista jogando cabeças ao teto com o que acontece aqui.

Como vocês devem se lembrar de Batman and Robin #13 tudo começou com Dr. Hurt atirando na cabeça de Dick Grayson para matá-lo e então voltamos três dias no tempo. Nesta edição #14 fazemos a transição do dia um para o dia dois acompanhando todas as frentes de narrativa deixadas. Obviamente trata-se de uma história muito substancial como Morrison costuma fazer com o Morcego, a começar pelo próprio título: “The Triumph of Death” é um quadro de Pieter Bruegel, “o Velho”, originário dos países baixos e responsável por belas artes retratando paisagens e ambientes no Século XVI.

Tudo que acontece na edição é de forma frenética e nos remete a muitos momentos clássicos da dupla Batman e Robin e suas relações com Comissário Gordon e Coringa, mas revigorados com a nova dinãmica proposta pela dupla Dick Grayson e Damian Wayne – a começar pelo próprio Damian que interroga e espanca o Coringa com um pé de cabra justamente para tentar irritar o palhaço, mas este é mais esperto e acaba aplicando veneno do riso no jovem herói. É então que os dominós começam a cair e o plano dele contra o Dr. Hurt entra em ação.

Batman e Gordon são tomados pelos anões do Professor Porko, que fez aliança com Hurt e então capturados. Num plano esperto Hurt faz com que o comissário acabe traindo o Morcego, que fica totalmente a mercê dos vilões enquanto o caos vai se espalhando pela cidade como um verdadeiro “triunfo da morte”. Em meio a isso tudo o Coringa tem o Robin mais mortal da história ao seu controle, Batman está caído e o plano de cada um dos vilões está em andamento. Mas o Coringa está sentindo falta de algo, algo mais SÉRIO que esta gente toda…

Anotações e Referências

1-10:47 é a hora exata em que os pais de Bruce Wayne morreram. Percebam que o cavalo remete à cabeça de cavalo vista na constelação de Órion.

6-Bodes simbolizam o demônio (sua fuça, com os chifres, forma um pentagrama ao contrário – a galera que curte Dimmu Borgir sabe bem disso), que simboliza Simon Hurt. A frase “O Bode está em sua Gotham, Deus está em seu Paraíso” nada mais quer dizer que “O Diabo está em seu inferno”.

9-O quarto painel desta página evoca a primeira página de Batman 655, onde vemos Gotham City através das lentes dos óculos do Comissário Gordon.

15-Em Batman – Descanse em Paz vimos o Doutor Hurt (ou o “demônio”) contra Bruce Wayne, sendo que o Coringa era o elemento de libertação deste conflito. Agora é o Coringa contra Hust, com Batman e Robin sendo estes elementos de liberdade. Se anteriormente tivemos uma luta no Asilo Arkham, o ponto final para o Batman, desta vez tudo acontece no Beco do Crime, ou seja, no começo da vida do Batman.

17-“Os ratos comeram os filhos da cabra”. Se tomarmos isso como uma profecia, então Batman e Robin vão “matar os filhos do demônio”, afinal morcegos são ratos voadores.

20-Em Batman #676 tivemos um lapso de um sonho do Coringa, agora sabemos qual ele é: trata-se de uma combinação de um vírus criado por ele com as drogas de Hurt e Pyg.

24 – Damian Wayne, a arma secreta do Coringa!

Batman and Robin #15

Continuando as matérias sobre este último arco de Grant Morrison na revista Batman and Robin, que vem contando com a arte fantástica de Frazer Irving, chegamos ao último capítulo. Morrison mais uma vez trata o vilão Coringa de seu peculiar brincando com os elementos de morte e comédia logo no início fazendo-o dançar com uma caveira vestida de noiva enquanto tem Damian dentro de um caixão com maquilagem e nariz de palhaço. A alegria do vilão vem do fato de estar com seu plano de caos contra o Dr. Hurt correndo. Enquanto isso este outro vilão aparece na Mansão Wayne acompanhado de toda a mídia e de um falso advogado como Thomas Wayne. Alfred o recebe, mas como vimos nas edições passadas há um plano em andamento do lado dos heróis também.

É muito impressionante como Morrison consegue usar o espaço de uma única revista para brincar com todos os sub-plots que veio gerando meses atrás e amarrando tudo sem nenhuma ponta sobrando. A edição conclui tudo como uma explosão arrebenta uma porta e ainda enriquece mais seus personagens como Damian e Hurt, mostrando uma evolução muito orgânica de cada um. Mais que isso: ele brinca com a expectativa do leitor e nos prova, mais uma vez, que a solução para os problemas mais complexos é sempre a mais simples de todas. No contexto todo de B&R do começo pra cá, as coisas fazem ainda mais sentido quando se tem contato com esta linearidade. O objetivo não era apenas trazer Bruce Wayne de volta no final mas também enriquecer cada elemento à disposição dele e aumentar ainda mais a mitologia do Batman em si.

A partir daí as coisas ficam completamente loucas, mesmo todas fazendo sentido. É uma sequência absoluta de reviravoltas que nos convencem e surpreendem sem deixar ninguém decepcionado. O Coringa havia infiltrado o Professor Porko com Hurt para fazer sua vontade, que era trazer o Comissário a ele e fazer o plano do vilão máximo cair vagarosamente como cada peça de dominó. Ele não queria matar o Robin, matar Dick, matar o Comissário. Queria apenas derrubar Hurt e sair de cena ileso. E o fez, com a maestria tradicional. Gotham entra em quarentena com todos os vírus enlouquecendo a população e vemos a cidade entrando num caos quase profético. Hurt então consegue capturar Damian que havia ido salvar Dick com dicas do Comissário, agora são de novo (e vestido de garotinha!). Hurt atira em Dick e voltamos ao começo do arco. A bala não perfura seu crânio, apenas o deixa sangrando até que se torne um vegetal. As peças estão se encaixando.

Homenagem à obra de Pieter Bueghel

Damian está desesperado, Dick não consegue se mexer e a Bíblia do Deus Morcego está prestes a ser aberta após tantos séculos. Nós a vimos em arcos anteriores e também na minissérie O Retorno de Bruce Wayne, feita em nome do demônio Barbatos, inserido na mitologia do Batman também por Morrison como um culto arcaico a deuses pagãos em Gotham City. Hurt está com ela em mãos e vai abri-la. Chegou o momento, o que ela tem? O que pode acontecer com nossos heróis e com Gotham City? É a hora! E…

Aplausos gerais! Só uma pessoa poderia ter feito isso, e ela está de volta! Batman and Robin #16 vai fechar toda esta história em forma de epílogo e deve sair em novembro no Brasil, com arte do também excelente Cameron Stewart. É muito importante lembrar que Hurt ainda não foi derrubado de verdade e que Dick continua ferido. Além disso, a cidade está um caos. Como Bruce lidará com isso? Descobriremos em um mês. Por enquanto basta dizer que esta foi uma das mais memoráveis jornadas do Homem-Morcego e já se tornou um clássico instantâneo.

Morrison conseguiu utilizar toda sua criatividade para, ao invés de recriar elementos antigos em algo novo, criou um palco absolutamente inédito e acessível para qualquer leitor. É um trabalho realmente singular cada um de todos os artistas que trabalharam com ele nisso (Frank Quitely, Philip Tan, Cameron Stewart, Andy Clarke e Frazer Irving) acrescentaram seus nomes na grande pedra esculpida pelos melhores nomes das HQs do Batman. Que o fim desta era seja o início de uma ainda melhor!

Anotações e Referências

2-O Coveiro está cavando covas!

3-Em Descanse em Paz o Batman foi enterrado por Hurt; aqui Robin é enterrado pelo Coringa;

6-Notem que comunicação entre Hurt e Alfred é conhecida – um sabe muito bem quem o outro é, havendo referências a um possível encontro bem antigo entre eles. Chegaremos lá mais tarde;

8-O Coringa conta uma história sobre o “Grande Mike”. Trata-se de ninguém menos que o Arcanjo Miguel (Michael = Miguel), referindo-se à queda de Lúcifer como a primeira piada do universo, o que foi se repetir tanto tempo depois com a queda de Darksed. Miguel é a mão direita de Deus, portanto a mão direita do deus-morcego é o Robin, ou seja, Damian Wayne. E o Coringa quer que ele caia também;

16-É claro que o tiro não é letal, Bat-fãs!

18-Finalmente o passado de Hurt revelado. Ele conhecia o casal Thomas e Martha Wayne, sendo que eles inclusive tentaram ajudar o novo amigo em dificuldades. Porém, com as referências que temos do passado da família Wayne aqui e em O Retorno de Bruce Wayne, e com a ligação de Hurt com todas elas, podemos chutar sem medo: Simon Hurt é sim Thomas Wayne, mas o de 1765, ainda vivo. Como sabemos, o Thomas Jr. (esse de 1765) era um sociopata maluco, exatamente como Hurt também é. Daí vem sua “inimizade” com Alfred;

19-Gotcha, a palavra que os “demônios da DC” mais odeiam!

21-O relógio continua marcando 10:47. Será que a história toda durou 24 horas ou ele fica neste horário fixamente?

22-Bruce Wayne. Batman. De volta.

Bob Kane criou o Batman em 1939, herói que é o mais popular da DC Comics há décadas. Bruce Wayne virou órfão ainda criança com assassinato de seus pais pelo ladrão Joe Chill, o que mudou sua vida pra sempre. Tendo tornado-se o elemento mais sinistro e calculista do Universo DC, seu capuz hoje está em posse de seu primeiro e principal pupilo, Dick Grayson. O herói marcou pra sempre o universo de quadrinhos e literário com obras clássicas como Ano Um, Cavaleiro das Trevas, Asilo Arkham e A Piada Mortal. Ainda hoje seus títulos estão entre os mais lucrativos da DC Comics, bem como sua franquia animada e cinematográfica.

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