Mulher-Maravilha foi o desperdício do DC Relaunch

[o artigo abaixo contém spoilers]

Parece uma heresia falar desta forma, principalmente quando se leva em conta que Wonder Woman #1 (de Brian Azzarello e Cliff Chiang), foi um dos lançamentos mais elogiados de todas as 52 revistas do DC Relaunch. Este artigo não ousará atacar o trabalho de uma dupla criativa tão bem qualificada, especialmente porque a história foi sim muito boa – diferente de outras bombas lançadas. O que queremos questionar aqui é o quanto a Mulher-Maravilha poderia ter mudado para melhor num reinício, numa chance tão perfeita como esta, e não mudou.

Tecnicalidades à parte – seria um absurdo discutir as tecnicalidades de uma equipe criativa tão boa – o que aconteceu foi um desperdício, muito provavelmente nem por culpa de Azzarello, mas dos editores. Dentro do que foi possível fazer provavelmente ele fez o melhor, daí a quase unanimidade das críticas e dos fãs. No entanto estamos lidando com uma das personagens com a maior quantidade de revitalizações no decorrer dos anos, sendo a mais recente a de J. Michael Straczynski, acontecida em Wonder Woman #600 no início na história “Odisseia”. É exatamente este o ponto que este redator defende: algo realmente diferente.

Comparando esta nova visão pós DC Relaunch com Odisseia, parece que voltamos quase que à estaca zero da personagem. Aparentemente ela é sim bastante resolvida e decidida, uma guerreira de atitude – o que George Pérez e Phil Jimenez sempre sofreram pra fazer. No entanto, é inevitável que esta nova MM seja comparada à sua mais recente versão: se com JMS tivemos uma pós adolescente determinadíssima a descobrir suas verdadeiras origens e que aconteceu com toda sua cultura, agora temos quase uma coadjuvante inserida num contexto que mistura o clássica e o moderno de um jeito não tão interessante quanto o que vimos em Odisseia.

Se lembrarmos bem, em Odisseia tínhamos uma situação muito conveniente para a desejada mudança: Diana Prince estava presa numa realidade em que todo seu passado havia sido destruído por uma misteriosa entidade caçadora dos mitos gregos, fazendo então com que todo o sonho de seu passado (e até sua mãe) fossem meras lembranças quebradiças e dolorosas. A dor transformada em determinação para partir para os elementos da jornada e da descoberta (atributos imprescindíveis para a jornada do herói) são elementos comuns a qualquer cultura e ganha a empatia do leitor logo de cara. É claro que Azzarello é um especialista em quebrar estas “regras”, e geralmente o faz muito bem, no entanto seu início na MM não foi tão impactante quanto o de JMS, e “impacto” é a palavra-chave para o Relaunch funcionar. Se a revista não causar impacto, ela morre. Pra este redator, ela não causou.

Toda a questão do simulacro, da derrocada da cultura grega e seus deuses e da determinação e força de uma personagem absolutamente definida e bem resolvida, tornaram a imagem da Mulher-Maravilha criada por JMS a mais bem encaixada nos gibis contemporâneos. Teria Straczynski repetido sua fórmula usada em Thor, na Marvel? Com certeza, mas fez bem feito. E assim que saiu deixou na mão de um talentoso Phil Hester para finalizar a odisseia.

Enfim, foi apenas o debut, mas não agradou tanto quanto poderia. Azzarello ainda terá que fazer muta coisa para tirar a MM do ponto de coadjuvante para não apenas uma personagem principal de fato, como também uma heroína convincente num universo totalmente novo. Qualidade e potencial pra isso Azzarello tem. Tomara que o faça, ou o desperdício será definitivo.

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