Batman tem maior nível de acessibilidade do DC Relaunch

O DC Relaunch tem nos presentado, semanalmente, com surpresas que vão além de qualquer previsão profetizada por especialistas e fãs da DC Comics dias antes do lançamento de Justice League #1, em 31 de agosto deste ano. Relembrando rapidamente, as franquias compostas pelos universos de Batman e Lanterna Verde não sofreriam reinício cronológico “hardcore”, apenas teriam alguns pequeninos detalhes rearranjados para o novo Universo DC, permanecendo portanto quase que totalmente intactas devido ao seu sucesso comercial. Mesmo assim o escritor Scott Snyder apresentou um novo debut do título Batman indo totalmente contra esta afirmação.

Snyder, conhecido e já premiado por seu trabalho com Vampiro Americano para a Vertigo (criação sua com o escrtor de terror Stephen King e com o brasileiro Rafael Albuquerque), trabalhou recentemente com o Batman numa fantástica passagem pela revista Detective Comics antes do reboot, portanto as expectativas para este novo trabalho eram altíssimas. Somando isso ao fato de que Greg Capullo, um dos mais populares desenhistas americanos e responsável pela idealização visual de Spawn e seus vilões, foi o escolhido para desenhar exclusivamente este título, parecia que tudo seria perfeito. Pode ter sido mesmo, ou não – tudo depende do ponto de vista.

Colocando o DC Relaunch e sua proposta principal – alcançar novos leitores para aumentar e diversificar vendas – acima de qualquer ponto, Batman torna-se a revista mais bem definida desta nova DC. Por quê? Simplesmente porque ela consegue, em menos de 30 páginas, apresentar tudo que um novo leitor precisa saber sobre Bruce Wayne, Batman, seus vilões, Dick Grayson, Damian Wayne e Tim Drake. E ele faz isso da maneira mais cool possível: utilizando um micro identificador conectado diretamente aos computadores da Batcaverna no seu olho! Snyder tem a grande habilidade de ser prático e instigador ao mesmo tempo, fazendo uma história simples e prática de se ler, deixando o leitor curioso pela próxima parte de seu arco.

Se tirarmos o DC Relaunch da jogada e vermos a edição apenas como uma história do Batman, o trabalho acaba ficando um pouco aquém do que ele fez em Detective anteriormente. O que não é necessariamente ruim, afinal, ele está migrando para uma proposta um pouco diferente, portanto as coisas tendem a ficar mais frenéticas daqui em diante.

Basicamente o que se tem aqui é uma continuação do que o autor apresentou na minissérie Gates of Gotham, que conta a história desta lendária cidade e amarra toda sua evolução com a mitologia do Homem-Morcego como ser. O bacana é que o autor faz isso de forma didática, deixando o leitor novo à vontade sem ter que procurar por este material obrigatoriamente. Fica claro que teremos mas evoluções quanto a cidade e seu herói, bem como novos vilões devem aparecer.

O maior mérito dele, com certeza, é trabalhar para todos os públicos de forma eficaz. Bruce Wayne é mostrado como um playboy tão fanfarrão quanto inteligente, bem como vimos nos filmes de Christopher Nolan, mas seu lado de detetive é bem mais cerebral e deixa claro para os novatos o quanto Bruce é mais do que um mero humano sem super poderes. Mais do que isso, as definições de Dick, Tim, Damian e até de seu velho mordomo, Alfred Pennyworth, são perfeitas e vão direto no “core” destes personagens. Há também a relação do herói com seus vilões e

Pra fechar vale dizer que Capullo é igualmente eficaz. Após utilizar-se de um pouco dos exageros dos anos 1990 nas primeiras páginas, ele dexa seus desenhos um pouco mais sutis, fazendo de seu dinamismo aprendido na escola Image um prato cheio para fãs de Batman.

Na questão “acessibilidade”, provavelmente o tópico relevante das novas revistas quando se fala de Reboot, Batman foi a mais funcional. Outras foram quase que igualmente eficientes, mas não caíram tão bem como esta.

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