Morrison solta os cachorros em Millar, Crise de Identidade e Alan Moore

Toda entrevista de Grant Morrison é uma maluquice. Além de expor ideias que fazem o leitor pensar “como ninguém colocou isso no papel antes?” e sempre responder tudo com uma boa dose de humor, o autor também, vez ou outra, acaba mostrando um certo rancor de algumas coisas que não conseguiu engolir por fazer parte da indústria de quadrinhos.

No bate-papo que saiu recentemente na revista Rolling Stone o autor discutiu seu livro Supergods, o relançamento da revista Action Comics, Alan Moore, Crise de Identidade de Brad Meltzer e sua já cortada relação com Mark Millar. Vejam alguns trechos curiosos da entrevista abaixo.

Sobre encontrar-se com Mark Millar em Glasgow, na Escócia (lar dos dois autores): “Há uma grande disso e eu espero estar a uns 100km/h quando acontecer“. Morrison ainda contou que Millar entrou em negação quanto à ajuda do amigo – o autor alega que ajudou Millar em linhas de história e diálogos até nos Supremos.

Sobre Crise de Identidade:Brad é um cara muito legal. Tive conversas muito interessantes com ele e tentei me focar no que achei que era bom, e percebi muita coisa ali depois que li novamente. Da primeira vez que li me senti ultrajado. Fiquei pensando ‘Por quê? Que merda é essa? É sério isso?’. Não era algo normal, era ultrajante. Tinha alguma coisa errada naquela imagem do Homem Elástico segurando sua esposa… foi difícil pra mim acreditar que um cara tímido e graduado como Brad Meltzer, que é um novelista e pai, realmente tenha feito algo tão misógino. Mas infelizmente, quanto se olha para um personagem amado, que obviamente foi estuprada analmente no Satélite da Liga da Justiça, não dá pra saber o que dizer“.

Sobre sexismo na DC Comics: “O problema do sexismo na DC Comics é porque é um lugar em que quase todo muno que trabalha é homem. Ninguém devia tentar dizer que estamos tomando uma atitude anti-feminina. Acho que seria ignorância ou estupidez. Estava lendo Marvelman, de Alan Moore, hoje por alguma razão. Descobri uma coisa que não conseguia acreditar. Pego a revista e tem dois estupros ali. Foi então que me dei conta que toda história de Alan Moore tem algum estupro no meio, com exceção de Tom Strong, justamente por ser um pastiche da coisa. Sabemos que Alan Moore não é um misógino, mas poxa vida, ele é obcecado com isso. Passei trinta anos nos quadrinhos sem precisar disso“.

Sobre quadrinhos e groupies: “Tem gente na indústria que come todas as mulheres que aparecem. Eu não conseguia fazer isso. Eu adoro saber que existem mulherem que pegam Batman e Robin, ou Morte (dos Perpétuos), pra ler e gostam simplesmente porque aquilo diz alguma coisa. Caras que se aproveitam disso pra pegá-las são uns escrotos e acabam com suas vidas“.

Parece que Morrison realmente não concorda com nada que Alan Moore faça. Curioso.

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