A gente viu Lanterna Verde (de novo)!

Por Joacélio Batista

O que mais me intriga nesse filme é saber como as pessoas não ligadas aos quadrinhos vão reagir ao verem Hal Jordan como o detentor do anel. O enorme sucesso das animações da Liga da Justiça na década passada deu a John Stewart, o Lanterna Verde “Negro”, uma cateira de fãs, que nem 60 anos de exposição, todo o hype gerado em com seu retorno e as atuais “Guerras dos Aneis”, jamais deram a Hal Jordan. O sucesso da animação dos X-Men seguido do filme nos anos 90, que encheram os bolsos da FOX, deveria ser um bom referencial pra Warner/DC. A escolha do “icônico” Jordan trouxe a pergunta, “mas o Lanterna Verde não era negro?” O que teria causado um “boicote” nos EUA e possível motivo pelo baixo desempenho nas bilheterias. Entretanto é visível na película que qualquer um dos quatro Lanternas terráqueos poderia ser o protagonista.

Escolha feita e filme pronto. O roteiro foca o que há de mais característico na personalidade de Hal Jordan. Um personagem imaturo, irresponsável e arrogante, reconhecido até pelos amigos mais próximos como um “babaca”, que percorre toda história tentando superar suas deficiências. Nesse ponto o filme me lembra, e muito, o primeiro Homem de Ferro, mas a diferença fica na capacidade do ator principal em conduzir a história. Ryan Reynolds não tem o mesmo carisma, muito menos o talento de Robert Downey Jr para criar identificação com esse tipo de personagem com o publico.

Com o roteiro investindo na “jornada do herói” de Jordan, o planeta OA, os Guardiões e a Tropa dos Lanternas verdes não são devidamente desenvolvidos, deixando muitas lacunas e atropelando a história. O não desenvolvimento da batalha entre a Tropa e a entidade do medo, Parallax, assim como, o treinamento de Hal Jordan em OA no formato “Como usar a arma mais poderosa do universo em 5 lições” é uma prova disso. Uma pena, porque personagens queridos como Kilowog e Tomar-re, assim como toda rabugice a dos Guardiões são muito pouco aproveitadas. Sem falar que a atuação precisa de Mark Strong como Sinestro poderia deixar o filme muito mais interessante dramaticamente.

O ponto forte do filme, a meu ver, são a arte conceitual e os efeitos especiais, Fantásticos. Recriações como Parallax, que nas imagens de divulgação do filme se mostrava totalmente diferente do que conhecemos dos quadrinhos, causando medo em muitos fãs, no filme se mostra condizente com o conceito de sua nova origem. Os uniformes de energia, os construtos dos anéis e a forma como reagem a cada membro da tropa, o design dos alienígenas, com destaque para o visual “águas-vivas” dos Guardiões revigoram os conceitos e merecem ser vistos numa grande sala de cinema, e por que não, incorporados nas HQs.

Apesar de tudo, a impressão que fica é que o filme bateu na trave. Faltou muito pouco pra dar realmente certo. Mas não o deixa a dever à enxurrada de filmes de super-heróis que Hollywood anda colocando no mercado atualmente. Filmes que não decepcionam, mas também não empolgam.

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