Smallville: O Fim e a Significância de um Legado

[este artigo contém spoilers para quem vê a série no Warner Channel Brasil]

O seriado Smallville acabou nesta última sexta-feira nos Estados Unidos através do canal CW. Naturalmente as proporções que o término deste programa alcançou não foram, e nem seriam, tão épicas quanto o final de Lost, capaz de movimentar milhões de pessoas numa noite de domingo, ao vivo, sintonizando o canal ABC em seus televisores e páginas da internet com transmissão do canal pelo mundo todo. Smallville alcançou seu público, matou a curiosidade do fã de quadrinhos e levou consigo os seus fãs exclusivos até o fim.

Foram nada menos que dez anos seguidos, dez temporadas que marcaram cada um que as assistiu de uma forma diferente, ora fazendo o telespectador assistir mais e mais e ora praticamente expulsando a pessoa da TV. Smallville teve seus altos e baixos e o preço pra cada alcance, indiferentemente de sua posição num gráfico linear, é sempre alto. Não foi diferente com este show de televisão, mas chega de balela. Vamos ao ponto: Smallville acabou. Depois de dez anos as pessoas não verão mais aventuras inéditas de Clark Kent em seus televisores. O final do programa certamente não agradará gregos e troianos, porém o legado é quem manda aqui.

Superman tem quase tantos anos de vida quanto a própria DC Comics. Símbolo máximo da editora que hoje participa de um grande conglomerado comunicativo, o Superman teve dezenas de revitalizações e transposições para mídias e Smallville foi o mais inédito de todos, conseguindo manter o mito vivo por uma década completa. Vimos a evolução e os debates de um adolescente que se tornou homem. Se tornou Super-Homem.

Ao lado desta transformação tivemos o que é, até hoje, o melhor Lex Luthor da história. Michael Rosembaum deu vida a um vilão cheio de complexidades e que se manteve íntegro à sua proposta inicial como quase nenhum outro personagem deste show. Não que Tom Welling tenha saído dos eixos, ou Allison Mack ou mesmo a fantástica Erica Durance, mas muitos viam o show por ele e neste final ele deu o ar de sua graça. Como tantos outros personagens também o fizeram.

O maior desafio de Clark e que o tornaria o Superman foi nos convencer de que ele merecia isso depois de todos esses anos. Depois de tanto tempo se debatendo com seu próprio destino e com seu pai verdadeiro, Jor-El, ele enxerga seu futuro e veste o uniforme voando para fora da Fortaleza da Solidão numa das cenas mais históricas da TV americana. O melhor que isso? A trilha sonora de John Williams tocando de fundo!

Infelizmente não tivemos uma imagem real do ator posando com o uniforme. Certamente a Warner não quis misturar a imagem da jornada pelo destino com a nova origem do Homem de Aço que surgirá nos cinemas ano que vem, sendo imortalizada pelo inglês Henry Cavill sob produção de Christopher Nolan, atual trunfo do estúdio. Mas não importa. Ele salvou um avião de cair, salvou o mundo, mostrou sua cara e voou. Voou como sempre quisemos vê-lo voando.

Se pensarmos bem não precisamos de mais do que isso – mesmo que algumas cenas pareçam uma reciclagem real de Superman – O Retorno com a cara de Welling sobreposta ali. Muito provavelmente isso se deu ao pouco orçamento que o programa vinha tendo nos últimos anos, quando estava perto do cancelamento. Aliás, este tópico merece um comentário. Mesmo com tantos altos e baixos Smallville conseguiu o milagre de não ser cancelado e cumprir seus dez anos até o fim, conforme a produção foi planejando. É uma vitória sem igual na TV americana.

Algumas loucuras aconteceram neste final, como o Rafael Algures do blog Uareva bem comentou: Jimmy Olsen irmão gêmeo do outro Olsen que morreu; Clark Kent empurra Apokolips pra fora da órbita terrestre em segundos; a Liga da Justiça e a Sociedade da Justiça, fora os outros heróis que permearam o programa nesses anos todos, simplesmente sumiram na hora de maior necessidade da Terra; a derrota de Darkseid, que havia tomado o corpo de Lionel Luthor, foi fraquíssima. Mas foi apenas isso.

A verdade é que um seriado como Smallville fará falta. Jamais no universo dos super-heróis algo foi tão longe para pessoas que não acompanham estes super-heróis como este foi e seu maior mérito mora nisso. Smallville é o Superman que mais deu certo para a Warner e certamente será lembrada desta forma por muitos anos. Valeu a pena? Valeu.

O programa foi como a vida, teve momentos fracos e momentos fortes. No fim de tudo a proposta era essa, mostrar a vida de um herói. Nós a vimos de perto, nos emocionamos com ele e demos porrada em bandidos com ele. Por isso tudo valeu a pena. Que o ruim fique pra trás e que ao olharmos para o céu, o mito esteja lá.

Smallville é uma série de televisão de que estreou em 2001 no canal CW. Criada por Alfred Gough e Miles Millar, a série conta as aventuras do jovem Clark Kent na pequena cidade de Smallville (chamada de Pequenópolis na versão dublada, legendada e nos quadrinhos da editora Abril), no estado do Kansas antes de se tornar o Superman. O programa baseia-se na  minissérie Superman: As Quatro Estações de Jeph Loeb e Tim Sale. A série preserva alguns nomes e acontecimentos da revista, mas caminha de forma independente.

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com