Retrospectiva Final: A Noite Mais Densa – Prelúdio Completo

Nesta segunda-feira começamos uma retrospectiva absoluta de A Noite Mais Densa para todos os nossos leitores, em especial para aqueles que acompanharam tudo com os lançamentos nacionais da editora Panini. O italianos fizeram um trabalho editorial excelente trazendo quase todo o material pra cá sem fazer o pessoal comprar um milhão de revistas diferentes.

Vamos relembrar antes de mais nada as bases deste evento feito por Geoff Johns, Ivan Reis, Joe Prado, Oclair Albert e Alex Sinclair. Portanto logo abaixo vocês vão conferir um apanhado de nossos textos que comentam os arcos e antigas histórias especiais:

  • Mogo não comparece às reuniões
  • Tygers
  • Quem é o Mão Negra
  • Agente Laranja
  • Eclipse Esmeralda
  • Conheça todos os Espectros Emocionais e Tropas

MOGO NÃO COMPARECE MAIS ÀS REUNIÕES

Por Sérgio Francisco Vieira

Pleonasmo: Segundo a gramática, pleonasmo é uma figura de linguagem caracterizada pela repetição da mesma idéia através de palavras diferentes. Exemplos: Subir pra cima, Alan Moore gênio, entrar para dentro e tantos outros exemplos, assim por diante.

Tenho, em minha coleção de gibis, um encadernado especial somente com história de Moore. E realmente foi uma de minhas melhores aquisições. Todos deveriam ter, afinal, só de possuir “A Piada Mortal” nessa coletânea, já valeria o preço pago. Esse encadernado recebe o nome de “Grande Clássicos DC Alan Moore” e foi lançado pela Panini em Outubro de 2006, pela bagatela de R$36,00. Sinceramente? Vale cada centavo gasto. E vale mesmo!

Com muitas coisas legais, escolhi dentre as histórias selecionadas para a tal coletânea, uma da Tropa Dos Lanternas Verdes, que se chama “Mogo Não Comparece Às Reuniões”, com arte de Dave Gibbons, cores de Anthony Tollin e edição de Len Wein. Essa história foi publicada originalmente em Maio de 1985, e tratou-se de algo surpreendente pra mim quando li. O roteiro muito bem elaborado, usando personagens não muito comuns, fugindo dos principais lanternas com Hal Jordan, Sinestro ou Kilowog e o final impressionantemente simples. Trata-se de Mogo, um Lanterna Verde diferente, assim como Leezle Pon que é um vírus extremamente inteligente e Dkrtzy Rrr que é uma progressão matemática que somente os Guardiões conseguem sentir sua presença.

Dentro do planeta Oa existe um lugar onde é guardado um livro com os nomes dos principais Lanternas da tropa. Arísia, uma jovem lanterna, fica um tanto quanto curiosa em saber sobre os nomes citados acima, uma vez que nunca os viu em nenhuma reunião da tropa. Tomar-Re, tentando esclarecer as coisas, resolve contar a história de Mogo para Arísia.

Bolphunga, um tirano extremamente forte e cruel, depois de matar e destroçar diversos oponentes, resolve ir atrás do misterioso Lanterna Verde conhecido como Mogo. Ao chegar no planeta de Mogo, Bolphunga grita aos quatro ventos quais as suas intenções quando encontrar o tal Lanterna. Muito impaciente, ele sai procurando por todo o planeta, explorando e adentrando na mata, buscando-o desesperadamente. Depois de muito vasculhar, Bolphunga começa a perceber que não há nenhuma forma de vida inteligente ali, mas se atenta para o fato de todas as árvores estarem muito bem cortadas e também de existirem grandes clareiras. Depois de anos no planeta, vasculhando, fazendo anotações e traçando mapas precisos a cerca dos formatos das clareiras e a forma como elas estão desenhadas, Bolphunga começa a ter muitas dúvidas sobre a existência Mogo.

Certa noite, olhando sistematicamente os mapas desenhados, Bolphunga se desespera e amedrontadamente pega seu foguete e abandona o planeta olhando-o de cima, e a verdade vem à tona: Mogo é o próprio planeta! E toda sua mata bem aparada junto com o espaço feito pelas clareiras formam o grande símbolo dos Lanternas Verdes. E o motivo pelo qual Mogo não comparece às reuniões da tropa é simples: seu campo gravitacional destruiria Oa. E dessa forma Tomar-Re termina a história contada para a atônita e surpresa Arísia, deixando-a na dúvida da história ser verídica ou não.

Uma história casual, simples, curta, mas confesso ter me surpreendido. Eu realmente não imaginava que Mogo fosse o planeta quando li pela primeira vez. É por essa e tantas outras razões que considero Moore um gênio. A capacidade de pegar uma coisa simples e fazê-la parecer mágica. Um roteiro básico, mas que com muito bom gosto, bom senso e a dose certa de mistério faz tudo parecer gigante e extremamente interessante. E mais, e isso sim pra mim é coisa de gênio: As histórias não precisam ser sempre complexas tais quais “A Piada Mortal” ou “Watchmen”. Uma história simples mas bem escrita como essa foi, de uma forma interessante, inteligente e direta causa um impacto interessantíssimo no leitor.

O fato de se saber trabalhar com simplicidade, sem parecer idiota (como muitos roteiristas já escorregaram feio anteriormente) é um dos requisitos que diferencia os ótimos roteiristas dos gênios. Simplesmente genial… Leitura recomendadíssima!

TYGERS – ANÁLISE

Por Diego DDA

Todos que leem quadrinhos conhecem Alan Moore. Todos sabem da contribuição do autor, e sua atual relevância por meio de suas histórias na indústria nas últimas décadas. Todos têm o conhecimento de como Moore gosta de atacar a DC atualmente, desde sua linha editorial até os recentes eventos que ocorrem nas HQs e mesmo Hollywood por tentarem adaptar suas obras para o cinema. Em uma das suas ultimas declarações, Moore criticou duramente o principal evento da DC no ano de 2009, Blackest Night, que vem sendo escrito por Geoff Johns. Veja o artigo na integra aqui!

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“Eu percebi que a DC parece ter baseado seu mais recente evento numa pequena história de oito páginas que eu escrevi para o Lanterna Verde há uns 25 ou 30 anos atrás. Eu pensaria que isso é um sinal de desespero e humilhação por parte deles. Quando disse em entrevistas que o mercado de quadrinhos não tem uma boa idéia nova há anos, estava realmente sendo sacana. Não esperava que as empresas se preocupasse com uma afirmação dessas e pensassem ‘É, ele tem razão. Vamos ver se podemos encontrar algum conceito velho e transformar numa saga espetacular’. (…) Estamos vendo a morte dos quadrinhos americanos. (…) Pegue uma idéia e faça algo novo com ela! Façam com que os quadrinhos brilhem novamente. Mas acho que faz anos que alguém da indústria não tem talento para isso. (…) Sinceramente duvido que o mercado de quadrinhos dure mais que cinco anos a partir de agora.”

Chamo essa atual fase pelo que Moore está passando, de de “palhaço que põe fogo no circo”. Enquanto Moore tiver oportunidade de atacar a DC publicamente, ele o fará, mas temos de concordar que a maior parte do que o Mago Inglês falou acima é, nem mais nem menos, a pura verdade. Mas o que o Multiverso DC vem fazer é ver se realmente há referências deste conto que, publicado nos EUA em Tales of Green Lantern Corps Annual #2 e aqui no Brasil em Grandes Classicos DC – Alan Moore, na saga idealizada por Johns.

grandes-classicos-dc-9No conto escrito pelo simpático barbudo, Abin Sur se depara com o planeta Ysmault, enquanto procura por uma nave que caiu no mesmo planeta. Quando indaga ao anel sobre o planeta, já é advertido que o local é um território proibido pelos guardiões de Oa. Entretanto, mesmo assim, Abin fica sabendo sobre a origem de Ysmault, que antes era lar do terrível Império das Lágrimas. Já em terra firme ele encara um lugar que parece ter saído da cabeça de algum “morador” do Asilo Arkham. Tentado por alguns demônios, ele então vê Qull das Cinco Inversões, e oferece ao Lanterna Verde a chance de fazer 3 perguntas que seriam respondidas por ele. De primeira o Lanterna pergunta onde está a nave que caiu em Ysmault, e o demônio dá a localização exata da nave e Sur parte ao resgate de um único sobrevivente.

Depois do resgate, Abin Sur, parecendo confiar no demônio, pergunta sobre o seu futuro. Qull responde que a morte o aguarda, e que seu anel energético irá falhar em um momento, e Sur morrerá. Ele também entrega que o sucessor do Lanterna Verde será considerado o maior Lanterna de todos os tempos. Para fechar, Sur pergunta qual será o maior perigo que a Tropa dos Lanternas Verdes irá enfrentar… a Catástrofe Final. (alguém disse Blackest Night?) – todos os inimigos de Oa se unirão para a total erradicação da Tropa dos Lanternas e Sodam Yat, considerado o Lanterna Supremo, será liquidado ao enfrentar os inimigos. O Lanterna, um pouco abalado com as declarações de Qull, parte de Ysmault, e deixa os demônios a mercê do seu próprio esquecimento. Mais tarde vemos o Abin indagando ao seu anel se alguma falha da mesma natureza que Qull mencionou pode mesmo acontecer, decidindo então que começará a viajar em naves estelares a destinos mais longínquos.

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A historia corta: vemos Abin Sur penetrando a atmosfera terrestre com sua nave em chamas. Ele se lembra do que o demônio Qull das Cinco Inversões lhe falara, e as risadas do demônio parecem ecoar até o setor 2814… Vamos aos fatos: falar que Johns não se inspirou nesse conto que Moore escreveu há exatos 23 anos atrás seria exagero. Entretanto o nosso amigo Ethan Van Sciver, fez um comentário infeliz em um forum:

“Ridículo. Em nenhum momento, durante minhas conversas com Geoff, falamos de Blackest Night e a profecia de Alan Moore – seria difícil, já que eu nunca a li. Eu acredito que a idéia veio primeiro, com Geoff unindo alguns elementos da cronologia clássica dos Lanternas Verdes usando partes de velhas histórias. É como ele trabalha. Mas a idéia veio de nossa união para criar algo, e não tem NADA relacionado em repetir o que Alan Moore fez há 25 anos atrás…“

Não há palavras para se expressar sobre os comentários de Ethan, apenas risos. Não sei se Moore já tem conhecimento desse comentário, mas se tem, ele virá a publico para criticar o desenhista ou simplesmente ficar quieto se divertindo. Falar que não é baseado no conto de Alan, é um exagero. No Conto temos, Sodam Yat, A Profecia, Ysmault e mais uma serie de outros elementos. Não admitir que Johns se inspirou nesse conto, é como Ethan diria, ridiculo.

O fato é Johns e Sciver são fanboys, produzindo uma saga exclusivamente para fanboys. Obvimante, não vejo mal algum nesta inspiração que Johns pegou – o mal real é: quanto tempo isso vai durar? Acredito que dois anos ou um pouco mais e teremos apenas pequenas menções sobre o evento que foi Blackest Night. Admito que não espero isso da saga, espero algo que possa realmente ser memorável. Admito também que admiro o trabalho de ambos, afinal, Johns tirou Hal do esquecimento e colocou o herói de novo no mapa. Os fãs devem agradecer a dupla pela realização do filme que deverá ser lançando em 2011, pois desde Lanterna Verde: Renascimento, os personagens veem sendo tratados de forma única.

De qualquer forma, encarem os fatos fanboys: se Johns não se inspirou realmente no conto de Moore, eu diria que o escritor americano tem fumado muito narguile com um certo Deus Lagarto

QUEM É O MÃO NEGRA – O VILÃO POR TRÁS DA NOITE MAIS DENSA

Um dos artigos mais pedidos pelo pessoal que acompanha Lanterna Verde com afinco desde que Geoff Johns assumiu o universo dos soldados esmeralda é algo explicativo sobre quem é o vilão Mão Negra. Mesmo que seja uma antítese ao lanterna Hal Jordan, ele foi usado poucas vezes desde sua criação tornando-se importante apenas nos últimos 5 anos, quando Jordan voltou.

Para se ter uma ideia, William Hand foi criado por John Broome e Gil Kane em 1964, como uma piada interna ao escritor e artista Bill Finger (“Bill” é apelido de William e Hand – mão – é uma brincadeira com Finger – dedo). Sua primeira aparição deu-se em Green Lantern #29, numa história obviamente tosca mas inevitavelmente divertida, na qual o vilão revela um pouco sobre sua vida e arma um plano infalível contra o Lanterna Verde – ou quase isso.

Da Era de Prata para as seguintes

William Hand nasceu um gênio muito inventivo, mas por ser a ovelha negra da família resolveu usar isso para o mal. Criando uma predileção por falar diatos velhos em qualquer diálogo (ou até pensamento) que tenha, Bill faz parte da família Hand, renomada e situada em Coastville, que é um subúrbio de Coast City na Califórnia. O rapaz cresce um gênio do mal, assume a identidade de Mão Negra (por considerar-se o “ovelha negra” da família) e começa a driblar a polícia em todos os seus crimes.

O inevitável confronto com Hal Jordan acontece e, tendo inventado um dispositivo super avançado que sugaria a energia verde do anel do herói, Hand consegue fazer com que Hal seja dividido ao meio. Não cortado no tronco, mas ao meio mesmo, apenas um braço e uma perna e virando meio que uma folha de papel flutuante pelo quadrinho! Para vencer o vilão? Hal usa um truque de espelhos que mostra a Hand a metade sumida e deixa o vilão dúbio quanto sua capacidade. Obviamente o chiste funciona e Hand acaba preso. Sabe como é, Era de Prata.

Tendo aparecido algumas outras (poucas) vezes nos anos seguintes, o vilão nunca foi levado a sério pelos heróis e acabou derrotado por vários membros da Tropa e até pelo Flash. Vendo que esse papo de ser malvado não dava em nada Hand resolve fazer o que qualquer pessoa normal faria: ser dona de um cinema pornô! Guy Gardner era um cliente assíduo do local até o dia que resolve levar sua namorada Gelo pra lá e acaba num embate com Hand, um aposentado que estava de uniforme só de sacanagem – o cara estava sendo tratado por um psiquiatra, mas teve uma recaída e levou uma chuva de porrada de Guy (Nota: isso aconteceu na Liga da Justiça Internacional, de Keith Giffen e J.M. DeMatteis). Mesmo que Guy simplesmente não tenha dado a menor atenção para o que aconteceu, aquilo foi suficiente para tornar Hand um vilão novamente mais tarde.

A década de 1990 para o personagem foi tão negra quanto seu nome e ele permaneceu em obscuridade total (tendo apenas um encontro com Guy que teve um final parecido com o supracitado) até a década seguinte, quando foi lembrado pelo escritor Geoff Johns e passou a ser um dos elementos da minissérie Lanterna Verde: Renascimento.

A Mão Negra de Geoff Johns

Um pouco antes dos eventos de Lanterna Verde: Renascimento, o dispositivo do Mão Negro consegue localizar um anel verde, que está com o Arqueiro Verde, deixado a ele em caso de emergência. Hand tenta pegar este anel pra si, mas Hal Jordan em forma de Espectro e o próprio Arqueiro o impedem de obter este item arrancando a própria mão direita do vilão. O homem fica insano com o trauma do que perdeu e logo mais sabe da ressurreição de Jordan, decidindo viver na reconstruída cidade de Coast City para estar perto do seu arqui-inimigo. Tempos depois (já na nova série mensal do Lanterna Verde de Johns) ele é abduzido por Kroloteanos num avião, uma raça de alienígenas alemães que fazem experimentos com ele para melhorarem seus poderes, e depois o abandonam num local público.

Johns aproveitou esta situação toda com o personagem e seus primeiros planos para o que viria a ser A Noite Mais Densa para atualizar a origem do vilão e torná-la mais crível para os leitores modernos. Nesta nova história os pais de William Hand eram famosos por seus serviços funerários de qualidade e respeitosos, utilizando um logotipo que viria a figurar no peito do uniforme do Mão Negra.

Toda a descrição dela está em Green Lantern #43 (a primeira edição com Doug Mahnke na arte), que sai neste mês aqui no Brasil na revista Dimensão DC: Lanterna Verde nº 23 da Panini. Portanto, quando for lançada, comentaremos melhor esta nova origem do vilão aqui no Multiverso DC.

A HISTÓRIA DO AGENTE LARANJA

Antes de qualquer análise na história escrita por Geoff Johns e desenhada por Philip Tan, publicada neste último mês de maio em Lanterna Verde nº 21 aqui no Brasil, vamos a um pouquinho de história do mundo, direto da Wikipédia:

O Agente laranja é uma mistura de dois herbicidas: o 2,4-D e o 2,4,5-T. Foi usado como desfolhante pelo exército norte-americano na Guerra do Vietnã. Ambos os constituintes do Agente Laranja tiveram uso na agricultura, principalmente o 2,4-D vendido até hoje em produtos como o Tordon. Por questões de negligência e pressa para utilização, durante a Guerra do Vietnã, foi produzido com inadequada purificação, apresentando teores elevados de um subproduto cancerígeno da síntese do 2,4,5-T: a dioxina tetraclorodibenzodioxina. Este resíduo não é normalmente encontrado nos produtos comerciais que incluem estes dois ingredientes, mas marcou para sempre o nome do Agente Laranja, cujo uso deixou sequelas terríveis na população daquele país e nos próprios soldados norte-americanos.

Vocês estenderam o conceito, certo? Dá pra imaginar que um cara chamado Agente Laranja tinha que ser, no mínimo, ultra-destrutivo e com motivações terríveis, genocidas e tudo mais que você pode colocar num monstro que permaneceu séculos acordado para ser incomodado pelos Controladores, certo? Errado. Toda a divulgação do que seria o Agente Laranja, agora chamado de Larfleeze, gerou uma expectativa alta por parte dos leitores que acompanharem firmemente os planos de Geoff Johns para a mitologia dos Lanternas Verdes e ela foi atingida para alguns e decepcionante para outros: Larfleeze não mostrou-se um monstro terrível, mas sim um pateta mesquinho.

Agent Orange (que também é nome do melhor disco da banda de trash metal Sodom) tornou-se, nos dois capítulos mostrados um ser que flerta além da conta com um humor negro safado e que, em geral, acaba não tendo graça. Toda a história se desenvolve em cima da chegada dos Guardiões no planeta Okaara, lar deste monstro, que ficou séculos desacordado. É conhecido que havia uma lei dos guardiões impedindo que o sistema Vega, no qual Okaara se encontra, impedindo a passagem de qualquer outro ser vivo por ali. Tal lei foi derrubada devido a infração cometida por Larfleeze ao matar um Lanterna Amarelo que lutava contra um Verde ali na região. A guardiã Scar, um dos avatares da força negra que acarretará na Noite Mais Densa, aproveita pra jogar muita sujeira no ventilador e leva a Tropa Verde para enfrentar o Agente Laranja em Okaara, mas eles são surpreendidos pelo poder do Lanterna Laranja.

Há um conceito sim que realmente é muito bom neste personagem: como a emoção correspondente à sua cor do espectro é a avareza, nada mais natural que sua tropa seja formada por seres que ele matou e transformou em construtos quase vivos para trabalharem ao seu lado. Foi uma ótima sacada! Mas parou por aí, infelizmente. De um monstro destrutivo e mesquinho ele passa a ser um bichinho que parodia o clássico Gollum do Senhor dos Aneis de forma triste e deplorável. Se a proposta de Larfleeze fosse fazer um personagem humorado para aliviar um pouco a tensão da guerra vindoura entre todas as cores e o espectro negro então a propaganda foi distorcida e o nome de Agente Laranja chega a ser uma afronta contra a própria história deste país. Que grande hipocrisia.

Johns parece ser muito fã de sua própria criação a ponto de confiar que Hal Jordan brigando com um anel azul por páginas e páginas da revista vai levar uma narrativa a algum lugar. O que se vê é uma batalha interior do protagonista com cheiro de Era de Prata, ou cheiro de mofo se você preferir. Desde a construção de diálogos ao ritmo narrativo, a história dos dois capítulos não empolga (a não ser pelo susto que Larfleeze dá na galera ao chegarem de Okaara, mas isso não salva a história) – ela cansa e não mostra nada de muito importante ao que está por vir. É compreensível que ele queira brincar com o fato de que Hal é arrogante demais para ter humildade de ser esperançoso por algo, mas na prática a ideia vai toda pelo ralo.

O que é legal?
O fato do personagem e seu universo ter sido co-criado pelo desenhista Ivan Reis, o que só dá mais espaço ao potencial dos profissionais nacionais lá fora – além, claro, da ideia já citada dos construtos formarem a própria Tropa Laranja.

O que é ruim?
Praticamente tudo, inclusive a arte de Philip Tan, que parece ter sido feito bem às pressas por culpa do prazo.

Parte Final

Se os dois capítulos anteriores de Agente Laranja não foram muito legais o final foi ladeira abaixo. Novamente com a mesma equipe criativa (Geoff Johns e Philip Tan) o final da história continua mostrando a batalha de Hal Jordan para livrar-se do anel azul que está em sua mão esquerda, o qual é muito almejado por Larfleeze. Vale lembrar que estes dois últimos capítulos saíram originalmente em Green Lantern #41 e #42 nos EUA e na recente Lanterna Verde nº 22 pela Panini aqui no Brasil.

Johns aproveita para contar a origem de Larfleeze (o agente laranja) logo e qual foi o antigo acordo com os Guardiões do Universo que ofereceu total sossego e nenhuma interferência no setor de Vega, onde o monstro laranja vive. Basicamente, há bilhões de anos, a raça dele formada por um bando de mercenários foi contatada para fazer um serviço sujo aos Guardiões que era achar uma caixa misteriosa. Eles acabam encontrando a bateria laranja e logo seu egoísmo e avareza entraram em ação. Tal energia era desconhecida até dos próprios Guardiões e numa forma de ceder à vontade dos monstros que queriam aquela bateria de toda forma, os seres azuis fizeram o seguinte pacto:

A caixa encontrada (que depois descobrimos que continha o Parallax, o avatar de energia amarela do medo) então ela ficaria em poder dos Guardiões como no acordo anterior. A bateria laranja ficaria com um dos dois monstros restantes (um deles Larfleeza) que a disputavam e aquele setor ficaria em paz – obviamente o “Lanterna Laranja” resultante dali jamais poderia sair da área também, e assim permaneceu por bilhões de anos.

Com estas revelações a história começa a tomar mais forma, mas ela cai nas ações clichês (nada de errado com isso, o problema está na execução), colocando Hal Jordan pra gerar uma tropa sua de construtos verdes (coisa que Kyle já fez milhares de vezes antes) e, pra terminar a coisa com torta na cara e escorregão na farinha o anel azul funciona quando ele diz o seguinte: “eu espero que você pare de me pedir [esse anel] assim que isso aqui acabar.” E o anel funciona! Claro que também rola aquele momento em que Hal entra em contato com a força laranja e fica falando “MEU!” repetidas vezes como a capa da revista sugere, mas não dura muito e Larfleeze arranca tudo de Jordan com força total.

Ao final os Guardiões pretendem fazer um novo acordo em Vega com Larfleeze, e quem bate um papinho no ouvido no monstro é a Cicatriz. Os Lanternas Verdes são obrigados a deixar o local e depois descobrimos que a força laranja parte direto para o lar dos pacíficos Lanterna Azuis. No epílogo: A Noite Mais Densa!

O que é legal?

Há duas coisas realmente legais nestas duas últimas partes do arco:

  • ver o quanto a Guardiã Scar (Cicatriz) é merdeira e gosta de arrumar uma boa presepada: fazendo algum pacto sacana com Larfleeze ela consegue livrar os Guardiões dali, mas conhecendo a índole dela, dá pra imaginar que este acordo não deve ser bom para nossos heróis;
  • o fato da energia laranja ter sido tão cultivada por Larfleeze que ele jamais precisa recarregar seu anel novamente – além, claro, de estar sempre com a bateria ao seu lado. Pode-se perceber que o nível energético do anel extrapola tudo e ultrapassa os 7000%.

O que é ruim?

Quase tudo, com destaque para o motivo da “esperança” de Hal Jordan, que realmente foi uma saída a francesa para a solução deste problema.

O ECLIPSE ESMERALDA

Eclipse Esmeralda, arco de cinco partes feito pelo escritor Peter Tomasi ao lado do desenhista Patrick Gleason, foi o grande prelúdio para o que é A Noite Mais Densa. Mesmo que tenha diálogos um pouco verborrágicos, os autores medem perfeitamente as pitadas de ação, emoção e contextos, formando uma história completa e coesa que aplica-se a qualquer tipo de leitor de quadrinhos. A Panini publicou o primeiro capítulo em Lanterna Verde nº 19, enquanto os outros quatro saíram todos juntos quase num formato encadernado em Lanterna Verde nº 20.


De primeira instância podemos situar os leitores explicando que a história mostra uma invasão de lanternas amarelos ao planeta Daxam, do qual originou-se o Sodam Yat, hoje o Íon e um dos maiores lanternas de toda a Tropa. Com a chegada de Mongul a este planeta tudo começa a ruir e os daxamitas vão sendo extintos a cada minuto. Sodam e Arísia, numa missão, acabam recebendo a visita da mãe dele que conta da atual situação do seu planeta. Ele aceita ir até lá resolver tudo, mas como um Lanterna Verde e não como daxamita, afinal a cultura xenofóbica que o planeta possui nada mais é que a semente de tudo que esta sociedade preconceituosa está colhendo hoje (na ideia de Sodam).

Na Terra Kyle Rayner assume seu romance com Soranik Natu indo contra o pedido dos Guardiões do Universo e da norma sobre casais da Tropa, e enquanto vive bons momentos com ela num apartamento, um chamado é feito a cada um deles para um destino diferente. Em Daxam Mongul enfrenta Arkillo numa batalha que resultará no líder da Tropa Amarela enquanto Sinestro, seu verdadeiro líder, continua ausente. Arkillo perde, e como castigo tem sua língua arrancada, a qual torna-se um símbolo de sua derrota ao ser usada por ele no pescoço por obrigação. Mongul começa a dominar as cidades de Daxam, enquanto os cidadãos iniciam um processo de suicídio em massa aconselhados pelo pai de Sodam, o Senador Yat.

Numa história cheia de revelações quem passa pelas maiores mudanças são Soranik e Sodam. A primeira é revelada e confirmada como filha do temível Sinestro, num capítulo narrado por ele próprio em forma de flashback que serve de origem oficial para esta médica ultra inteligente e grande guerreira do planeta Korugar. O laço familiar criado só aumenta a tensão e as raízes históricas do vilão amarelo com a tropa verde e causa uma reviravolta satisfatória na narrativa. Partindo para os eventos que transformam a vida de Sodam, nada podia ser mais épico que vê-lo perder seus poderes sob o sol vermelho de seu planeta natal e decidindo tirar o anel para usar o poder máximo do Íon e enfrentar Mongul e todos os lanternas amarelos do medo, tornando-se um só com o sol de Daxam e transformando a grande estrela rubra em um amarelo tão dourado quanto os anéis dos inimigos. Ele se sacrifica e seu povo se torna um só com poderes liderados pela alienígena Arísia.

Em Oa a Tropa dos Lanternas Verdes testemunham a queda da proteção do planeta e a quebra da grande Lanterna Central em pedaços devido a um ataque muito poderoso. Descrentes, os lanternas tentam segurar a barra enquanto algo desconhecido avança sobre eles: uma nuvem de Anéis Negros. A causa disso é a guardiã Cicatriz, que segue à risca os ensinamentos do livro negro da morte. É o início da Noite Mais Densa.

CONHEÇA TODOS OS ESPECTROS EMOCIONAIS E TROPAS

Ano passado publiquei este artigo na época em que Blackest Night estava começando a sair lá fora com a edição especial publicada em maio no Free Comics Book Day que rola anualmente nos EUA. Aqui no Brasil ela está pra começar agora em junho ou julho. Portanto, trago mais uma vez este texto apresentando de forma simples e básica todos os membros do espectro emocional dos Lanternas. Vamos conhecê-los?

Conheça neste artigo quais são as 8 tropas que fazem parte da Noite Mais Densa, contendo origem, principais poderes e fraquezas!

OS LANTERNAS NEGROS

Emoção: Morte

Planeta Natal: Ryut

O misterioso Lanterna Negro circula em volta do cadáver do Anti-Monitor ono planeta Ryut, um mundo dizimado pelos Caçadores Cósmicos. Seu verdadeiro propósito e criador ainda são desconhecidos.

Poderes: Desconhecidos

Armas: Desconhecidas

SAFIRAS ESTRELAS

Emoção: Amor

Planeta Natal: Zamaron

Quando os Guardiões de Oa discutiram o abandono das emoções eons atrás, um pequena tribo de Oanas partiram para fazer exatamente o oposto – abraçá-las. Elas foram de mundo a mundo até que descobriram o coração da luz violeta no planeta Zamaron. Forjando este mundo a seu bel prazer, elas criaram um exército de soldados chamado de Safiras Estrelas;

Poderes: Os aneis das Safiras Estrelas alcançam o profundo de seus corações para revelar seu mais puro amor. O anel também consegue captar amores perdidos e levarem uma Safira Estrela à sua ajuda.

Fraquezas: Devido ao fato do espectro emocional violeta estar no fim do espectros, uma Safira Estrela tem seus pensamentos seriamente alterados.

TRIBO ÍNDIGO

Emoção: Compaixão

Planeta Natal: Desconhecido

O universo ainda há de descobrir a existência da Tribo Índigo.

Poderes: Desconhecidos

Fraquezas: Desconhecidas

LANTERNAS AZUIS

Emoção: Esperança

Planeta Natal: Odym

Depois de serem banidos pelos Guardiões do Universo por terem abraçado emoções, Ganthet e Sayd se aventuraram no jardim sagrado de Odym onde estabilizaram sua Tropa de luz azul. Mesmo que não existam muitos Lanternas Azuis, esta tropa é consistida de alguns dos mais puros e direitos seres do universo.

Poderes: Os anéis azuis criam construtos que atingem o alvo baseado nas esperanças do inimigo. Lanternas Azuis são capaz de rejuvenescerem sóis, vibrantes sóis azuis que brilham a noite como um símbolo para que todos vejam. Como outros anéis, os deles também provêm voo, campos de força e comunicação. O anel azul recarrega um anel verde e descarrega um anel amarelo.

Fraquezas: Sem trabalhar em conjunto com um Lanterna Verde por perto, o anel do Lanterna Azul só permitirá voo limitado.

TROPA SINESTRO (LANTERNAS AMARELOS)

Emoção: Medo

Planeta Natal: Qward

Outrora, Sinestro foi considerado o maior de todos os Lanternas Verdes. Depois de ser deposto e sentenciado ao Universo de Anti-Matéria por abusar de seu poder, Sinestro descobriu o poder da luz amarela do terror, que minava de Qward. Desde então, Sinestro escalou os mais loucos, sádicos, terríveis e psicóticos seres do universo para compartilharem deste poder com ele.

Poderes: Como os anéis verdes, o amarelo é capaz de criar construtos na forma que quiserem, não importa quão demente isso seja. O poder dos anéis também dá voo, campos de força e comunicação.

Fraquezas: A transmissão e poder do anel de Sinestro pode parar de funcionar na presença de um Anel Azul. Além disso, eles têm as mesmas limitações de recarga que os outros.

AGENTE LARANJA

Emoção: Avareza

Planeta Natal: Okaara, o Sistema Vega

Milênios atrás, os Guardiões do Universo fizeram um pacto com os portadores da Luz Laranja: enquanto eles ficassem enterrados em seus sistemas, eles estariam fora da jurisdição da Tropa dos Lanternas Verdes. O pacto foi recentemente quebrado e Larfleeze, o Agente Laranja, liberou seus Lanternas Laranjas, procurando roubas e consumir todos os outros anéis.

Poderes: Os anéis laranjas são capazes de criarem avatares dos seres que tomarem e matarem, literalmente roubados suas identidades após suas mortes. O anel laranja também é capaz de drenar energias verde, violeta, amarela e vermelha. Além disso, esses anéis também permitem voo, campos de força e comunicação.

Fraquezas: O anel laranja é incapaz de drenar poderes de um anel azul. Suas interações com o espectro índigo ainda é desconhecida. O anel laranja também possui uma série de outros efeitos ainda não descobertos.

LANTERNAS VERMELHOS

Emoção: Raiva

Planeta Natal: Ysmault

Antes da Tropa dos Lanternas Verdes, os guardiões trouxeram ordem ao universo com uma polícia andróide conhecida como os Caçadores Cósmicos. Devido a problemas de programação, os Caçadores matam cada ser vivo no Setor 666 antes de serem impedidos. Os únicos cinco sobreviventes do massacre formaram um grupo terrorista para matar os Guardiões chamado de Os Cinco Inversores. Aprisionado em Ysmault, Atrocitus usou rituais proféticos primitivos e sangue dos outros quatro companheiros para carregar a energia vermelha de todo o universo. Ele agora usa seus Lanternas Vermelhos como cães de caça contra os alvos de sua fúria: Hal Jordan e Sinestro.

Poderes: Enquanto houver ódio presente, a chama vermelha queima, mesmo no vácuo do espaço. Devido à Tropa dos Lanternas Vermelhos, o sangue do Lanterna é expelido e substituído por um tip de plasma de napalm, que pode ser projetado pelo Lanterna em sua boca. O anel provê voo, campos de força e comunicação.

Franquezas: Como o vermelho fica no periférico do espectro emocional, os Lanternas Vermelhos são incapazes de pensarem com clareza ou mesmo de serem racionais. Eles raramente falam, a não ser por seu líder Atrocitus. O anel azul da esperança pode extinguir a chama vermelha.

TROPA DOS LANTERNAS VERDES

Emoçao: Força de vontade

Planeta Natal: Oa

Bilhões de anos atrás, os Guardiões do Universo recrutaram milhares de seres pelo cosmos para unirem-se em sua polícia intrgalática conhecida como a Tropa dos Lanternas Verdes. Possuindo a habilidade de sobrepujar grande medo, os Lanternas Verdes patrulham seus respectivos setores espaciais com coragem, honra e dedicação.

Poderes: carregando a luz verde do espectro emocional, os Lanternas Verdes são capaz de criarem construtos na forma que quiserem e imaginarem. Os poderes dos anéis também deixam seu portados voar, constroem campos de força, têm comunicação e acessam um conhecimento quase infinito carregado dentro do Livro de Oa.

Fraqueza: novos recrutas têm dificuldades de usarem seus anéis contra o espectro amarelo ou medo – algo que até alguns veteranos estão sujeitos a passarem. Como todos os lanternas, os Verdes devem carregar seus anéis em suas baterias de poder.

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