Retrospectiva Final: A Noite Mais Densa – Mês 7

[Retrospectiva Final A Noite Mais Densa – Prelúdio Completo]
[Retrospectiva Final A Noite Mais Densa – Mês 1] [Retrospectiva Final A Noite Mais Densa – Mês 2]
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  • Zumbi Fantasma e Vingador
  • Mulher-Maravilha Zamarona
  • Vilões
  • A Noite Mais Densa nº 7
  • Sociedade dos Zumbis da América
  • John Stewart
  • Lanterna Verde Parallax
  • I See Red

ZUMBI FANTASMA E VINGADOR – Phantom Stranger #42

Apesar de ter tido um final um pouco simples demais para uma história que explora um bocado da complexidade de um personagem muitas vezes esquecido dentro do Universo DC, Phantom Stranger #42 foi um dos tie-ins mais bacanas da Noite Mais Densa até agora. Com roteiros de Peter Tomasi e arte de Ardian Syaf a história parte exatamente de onde a luta do Vingador Fantasma com o Espectro estava para começar em Blackest Night #2.

O que é mais divertido nesta edição é quanto o lado de poder e magia que o Vingador possui é bem mostrado, algo que foi esquecido por muita gente ao retratá-lo. A grande luta interna do Espectro para se livrar da dominação no anel negro é bem interessante e um tanto quanto metafísica mas ela acaba deixando de ser o foco da revista quando este parte em busca de Hal Jordan e o Vingador, ao lado do Demônio Azul, percebem que o Desafiador deve ser salvo da luta de zumbis que está travando frente aos portões invisíveis de Nanda Parbat. Esse ponto é realmente muito bacana pois, para quem não sabe, Boston Brand tem uma ligação espiritual muito forte com o lugar, que se tornou seu grande refúgio e também sua moradia ao lado dos sábios monges de lá. Mais que isso, a tomada de zumbis por lá tem uma explicação lógica e filosófica muito curiosa: para que o mal ascenda em absoluto (no caso o vilão Nekron) é necessário que qualquer fagulha do bem seja exterminada, e não existem espíritos mais fortes e puros do Universo DC como os dos moradores daquele local, por onde até o próprio Batman já passou e se renovou espiritualmente.

Quem conhece o pessoal que colabora com o Multiverso DC sabe o quanto nosso amigo Brunão defende a auto-renovação pela qual Peter Tomasi vem passando nos últimos meses e ela se faz presente também nesta revista, que é muito bem narrada e se auto-explica sem precisar de nenhuma referência exterior. Ele também aproveita para instaurar os conceitos de magia contra a dominação dos aneis negros e, principalmente, da força espiritual do próprio tomado (no caso Boston) para que ele sobrepuje este mal. Isso também é muito bacana na história pois Boston Brand é uma exceção à todas as dominações zumbis vistas até então, pois ele é o único cujo espírito ainda vaga pela Terra e tem poder suficiente para derrubar qualquer tomada ao seu corpo falecido. Mesmo que isso seja um pouco bobo, a explicação é plausível e divertida.

Para protegê-lo de eventuais novas invasões zumbis Boston deixa seu corpo dentro dos portões de Nanda Parbat e coloca um de seus amigos guardiões do local e o Demônio Azul para vigiá-lo. E como o próprio Vingador Fantasma diz: ele é necessário quando a vingança aparece.

MULHER-MARAVILHA ZAMARONA – Blackest Night Wonder Woman #3:

Até então, Blackest Night Wonder Woman ofereceu uma estranha e ao mesmo tempo impressionante visão de alguns eventos periféricos e chave da saga. Logo no começo temos uma breve conversa entre a Mulher-Maravilha e Carol Ferris com elas falando sobre seus problemas – sabe como é, papo de mulher :D

Durante a luta contra os Lanternas Negros, Diana mais uma vez encontra Maxwell Lord, mas o evento mais importante disso tudo acaba sendo o novo encontra dela com Mera e acaba que as duas tinham segredos sinistros guardados consigo; o de Mera é um tanto quanto estranho, parece ter alguma referência aos filhos dela e de Orin. O de Diana já é um negócio mais maluco: ela ainda ama Bruce Wayne numa cena de beijo imaginário muito bizarra. O momento de entendimento delas é interrompido por Hal Jordan e seus Novos Guardiões, pois eles estão prontos para a batalha final!

VILÕES – Blackest Night: Flash #3:

A Galeria de Vilões não mata mulheres ou crianças, o que não vale muito para o Capitão Bumerangue Jr. Seja como for família Flash e Galeria de Vilões se unem contra os zumbis enquanto Boomer continua zoando a cidade, deixando a Galeria puta da vida. Com isso o Capitão Frio acaba matando-o.

A NOITE MAIS DENSA Nº 7

O maior problema de uma série blackbuster é quando ela trata seus leitores como bobos e apaga coisas estabelecidas descaradamente a seu favor; mas calma, vamos falar disso mais à frente neste artigo. Blackest Night #7 é um problema por várias razões, mas principalmente por ser… nada. Por mais que não tenha o hábito se utilizar palavras baixas nos textos, desta vez não como fugir: o que define a edição é punheta. Em cima de personagens específicos, em cima de idéias ultrapassadas, em cima de coisas desnecessárias. Geoff Johns nos leva a uma nova era dos quadrinhos: a do desperdício.

Imagine só: Johns é um escritor que conhece a DC Comics como pouquíssimas pessoas conhecem no mundo hoje, e não se resume apenas à cronologia dos personagens que ela possui, mas também à forma como a empresa trabalha, como ela quer chamar seus fãs e quem ali dentro precisa de renovação. O grande equívoco nesta história toda é que ele mesmo acabou esquecendo-se de reinventar a si mesmo e prorrogou por sete edições uma história que se resumiria a três feitos os devidos ajustes. A “punheta” é usada para garantir continuidade a acontecimentos desnecessários. Vamos deixar um pouco de lado o cenário central de Hal Jordan/Barry Allen e nos focarmos no contexto em si e da promessa do autor de que iria explicar o que é a morte no Universo DC e qual o motivo delas acontecerem.

Colocar Nekron é aceitável, aliás, até justo. Quando se lida com batalhas cósmicas é normal que estejamos diante de personagens novos e/ou esquecidos mas que têm poder suficiente para isso, e Nekron é assim. A coisa começa a ficar ruim quando se pega o Mão Negra e, quando parecia que teríamos a fotografia de um perturbado (como pareceu nos prólogos da saga) agora vemos um morto chorando as pitangas por ter sido deixado de lado durante a vida. Cadê a personalidade lunática do homem que deu um tiro na própria cabeça para encontrar a entidade que esteve ao seu lado a vida toda? Precisava acabar assim?

Uma coisa que gosto na nova mitologia dos Lanternas proposta pelo autor é o lado falso e mentiroso dos Guardiões do Universo – a gente sabe, pela própria história da humanidade, que poder demais corrompe e seguindo essa premissa ele nos mostra a verdadeira face destes seres que já se esqueceram porque aceitaram observar e influenciar em todo o universo. Porém se tornou uma constante na série o “momento legal tentando compensar um monte de abobrinha” e aqui não é diferente.

A caracterização de Lex Luthor é tão sofrível que parece que Johns se divide em dois, o que escreve a ótima minissérie Superman: Secret Origin e o que escreve a terrível A Noite Mais Densa. O milionário e gênio científico corrompido pelo seu próprio desejo de ser o humano mais importante da humanidade é trocado por uma imagem mais patética que a do próprio Larfleeze, saindo até da natureza conhecida do vilão. A frase feita “eu queria ser o Superman” completa a baboseira toda – Lex Luthor NUNCA quis ser o Super, mas sim ser alguém ACIMA do herói, alguém amado pelas pessoas pelas benfeitorias que faz como um rico empresário e não por “salvar pessoas de um ponte caindo” ou “dar a volta ao mundo em segundos”. A diferença é tênue, sim, mas não deve ser confundida.

Outro dos grande problemas – e este talvez seja o PIOR deles – é a história de que a vida surgiu na Terra. Vi algumas pessoas lá fora elogiarem este feito de Johns na história mas ela consegue destruir elementos importantíssimos da História do Universo DC que foram os alicerces deste grande plano de personagens desde o início. Coisas como a existência de seres primordiais como Krona e o Quarto Mundo (que antes disso era o lar dos velhos deuses e seus súditos, algo muito mais antigo que o próprio conhecimento do planeta Terra e da nossa galáxia) simplesmente perderam seu lugar na história. O que houve? Lembrem-se que o Quarto Mundo não foi extinto, mas sim evoluiu para o Quinto, o que o garante como existente ainda na cronologia atual – e para alguém tão ligado nestes detalhes do UDC, essa foi uma mancada das brabas.

No fim, fora os absurdos, o escritor foi tão previsível que chegou a ser bobo e fez a coisa pensando tanto na arte linda de Ivan Reis que se esqueceu de que sua história precisava passar uma mensagem: a de que a morte nos quadrinhos DC foram maquinadas por um ser de grande superioridade e do lado negro da balança do equilíbrio espiritual, sendo que o branco se revelou nesta última edição com a vida, numa entidade ainda não definida mas que saiu exatamente de onde achávamos que sairia: Columba. Sinestro pode ter surpreendido muita gente ao se tornar o primeiro dos Lanternas Brancos (ou o único, ainda não sabemos), mas como se sabe, nada pra ele vai mudar, e ele continuará sendo o mesmo cara e mesmo chefe da Tropa Amarela nas próximas edições. Enfim, tanta coisa, para o status quo destes personagens acabar igual ao que começaram.

A história propôs-se a mostrar tanta gente indo e voltando, tantos diálogos jogados sem necessidade e tantas lutas pra encher página e os olhos de apreciadores dos desenhos de Ivan que essa grande mensagem responsável por nos preparar para a nova era que a DC vai estabelecer com O Dia Mais Claro ficou perdida ali no meio desse “fan fiction” do autor. A Noite Mais Densa é, sem dúvida, todos os sonhos que Johns teve quando jovem de misturar seus heróis favoritos numa história sua e com todos eles mudando de cores e tudo mais. Que desperdício.

SOCIEDADE DOS ZUMBIS DA AMÉRICA – Blackest Night: JSA #1

Tudo começa com a tradicional “cena de download de memória” mas de um jeito meio zoado, pois mostra três personagens simultaneamente, que são Wesley Dodds, Charles McNider e Terry Sloane – a Sociedade da Justiça da América de Lanternas Negros. A verdadeira SJA está numa luta em meio à cidade de Nova York, enquanto Michael Volt, o atual Sr. Incrível, analisa os corpos do Superman da Terra-2 e do Pirata Psíquico. O herói então pensa num plano, mas não conta pra ninguém (provavelmente porque ninguém é tão incrível quanto ele) e envia Flash para buscar Alan Scott, o Sr. Destino, Lightning e Stargirl.

O velocista volta com todos eles e com Tempestade por engano, ou só pra sacanear mesmo. Jesse Quick começa a encarar seu velho e morto-vivo pai, e Poderosa defende-se da Lois Lane zumbi. A batalha aumenta e a história continua no mês que vem.

JOHN STEWART – Green Lantern #49

Não dá pra dizer que Green Lantern #49 é a melhor edição desta revista mensal durante todo o ano de 2009, mas ter o foco todo apenas em John Stewart deu uma grande revigorada nela, que vinha seguindo o mesmo foco narrativo desde 2008. A arte também mudou, pois quem comanda o traço agora é Ed Benes, brasileiro que já trabalhou com A Noite mais Densa na minissérie Blackest Night: Teen Titans.

Esta edição serviu para que Geoff Johns desse uma rápida atualizada na origem de John como personagem e Lanterna Verde, mostrando seu passado como um soldado das forças armadas, seus tempos na guerra, o quanto sofreu com assassinatos e pecados que as guerras guardam dentro das pessoas. Numa revista bacana tivemos a chance de ver um outro foco de todo o evento, com uma história que soou como “novos ares” para quem já vem acompanhado o título há tempos. Mais que isso, serviu para nos mostrar que este grande herói não foi esquecido e, que a partir de agora, sua participação será muito mais ativa, pois finalmente ele enfrentará todo o planeta Xanshi e sua falecida esposa Katma Tui,

É muito legal também ver que John usa suas memórias do passado para criar construtos em forma de exército para apoiá-lo contra a horda de lanternas negros, utilizando-se de toda sua força de vontade para que esses “soldados verdes” trabalhem como um exército real, em que cada um sabe seu lugar e sua estratégia. Mas é quando Xanshi chega que ele percebe que precisará de muito mais do que seus construtos para derrotá-los.

Ao final da revista há um pequeno conto que mostra Eléktron e Mera lidando com Jean Loring dentro de um anel negro (seguindo a ponta deixada em Blackest Night #5), mostrando-nos o conflito emocional e o aspecto tecnológico que existe dentro da construção dele. O bacana é que o Desafiador surge lá dentro e domina o zumbi de Jean para libertar seus amigos. Em geral este conto acrescenta apenas um pouco na mitologia criada por Johns, fazendo com que apenas a primeira parte da revista seja realmente interessante.

LANTERNA VERDE PARALLAX – Green Lantern #50

Nesta edição comemorativa do Lanterna Verde Coast City é toda tomada por Lanternas Negros e os Novos Guardiões e seus “ajudantes-que-duram-24-horas-apenas” estão todos em cena. Há pequenos momentos dos novatos aprendendo a utilizares seus poderes, tais como Barry Allen sendo auxiliado pelo Santo Nômade, Mera e Atrócitus, Carol Ferris e a Mulher-Maravilha, Eléktron e Índigo-1 etc – todos têm o seu momento em cena.

Hal está bem apreensivo sobre as presenças e poderes de Espantalho (Amarelo) e Lex Luthor (Laranja), mas antes que qualquer coisa possa ser feita contra estes vilões o lanterna negro Espectro aparece e torna Jordan num lanterna negro por alguns segundos mas o Guardiões unidos foram capazes de libertá-lo. Sendo assim Ganthet e Jordan se unem para fazer uma grande estaca de energia verde que quase consegue quebrar a conexão do Espectro com o anel negro mas não é o suficiente.

Estando neste ponto, Hal decide liberar a entidade da energia amarela, Parallax, de dentro da bateria, o que provoca uma discussão rápida entre ele e Sinestro, mas é tarde: Hal beija Carol, devora Parallax e se torna o hospedeiro da entidade mais uma vez.

I SEE RED – Green Lantern Corps #44

Mais uma vez Peter Tomasi e Patrick Gleason mostram aos leitores porque são a verdadeira “dupla lanterna verde” da DC Comics. Na recém lançada Green Lantern Corps #44 os dois artistas continuam a história da volta de Kyle Rayner e da transformação de Guy Gardner num Lanterna Vermelha e como a Tropa lida com isso. O que define melhor o contexto desta narrativa é: surpresa. Este elemento em particular é utilizado durante todo o momento até o final e tudo é feito com muito cuidado e qualidade.

O personagem principal da história, curiosamente, acaba sendo o planeta Mogo, que pela primeira vez na história se comunica com todos os Lanternas Verdes. Este conceito incrementado por Tomasi é muito interessante e pode recorrer a bases filosóficas mais profundas em que um planeta é um emaranhado de energia viva e esta energia é que foi utilizada para falar como uma voz divina aos ouvidos de cada membro da Tropa dos Lanternas Verdes. E isso ainda nem é o mais legal, que, na verdade, é quando Mogo executa os procolos mais desconhecidos de proteção ao Planeta Oa (já que a Bateria Central de Poder foi contaminada pelo poder dos Lanternas Negros) e suga todos os seres dali para sua superfície, enterrando todos os zumbis dentro de seus campos verdes e mandando-os até seu núcleo, onde imaginamos que há uma grande quantidade de magma verde, como uma espécie de energia viva e pura da força de vontade onde eles queimarão por toda a eternidade e nunca conseguirão se reconstruir de novo. Que ideia sensacional do escritor!

Mudando para os dois heróis citados no começo do artigo, a relação de cada um deles com a história e com os outros personagens à sua volta, tudo funciona muito bem. Kyle age como um líder e insiste na tentativa de tornar Guy uma pessoa normal novamente, mas este se recusa a acreditar que seu amigo voltou à vida e acredita que tudo é uma enganação dos zumbis. Aliás, Guy aqui está incrível: quem achava uma ideia besta tê-lo como Lanterna Vermelho certamente calou a boca a essa altura do campeonato, pois está vendo a verdadeira natureza dele como uma pessoa com muita raiva no coração e extremamente violento com seus inimigos.

A única coisa fraca na edição é o gancho que fica para a próxima: ao que parece Guy enfrentará todos os Lanternas Verde no melhor estilo “herói contra herói”. Isso é um pouco desnecessário, mas vendo as belas histórias que Tomasi e Gleason veem contando, vale uma olhada.

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