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Resenha: Mogo não comparece mais às reuniões

Por Sérgio Francisco Vieira

Pleonasmo: Segundo a gramática, pleonasmo é uma figura de linguagem caracterizada pela repetição da mesma idéia através de palavras diferentes. Exemplos: Subir pra cima, Alan Moore gênio, entrar para dentro e tantos outros exemplos, assim por diante.

Tenho, em minha coleção de gibis, um encadernado especial somente com história de Moore. E realmente foi uma de minhas melhores aquisições. Todos deveriam ter, afinal, só de possuir “A Piada Mortal” nessa coletânea, já valeria o preço pago. Esse encadernado recebe o nome de “Grande Clássicos DC Alan Moore” e foi lançado pela Panini em Outubro de 2006, pela bagatela de R$36,00. Sinceramente? Vale cada centavo gasto. E vale mesmo!

Com muitas coisas legais, escolhi dentre as histórias selecionadas para a tal coletânea, uma da Tropa Dos Lanternas Verdes, que se chama “Mogo Não Comparece Às Reuniões”, com arte de Dave Gibbons, cores de Anthony Tollin e edição de Len Wein. Essa história foi publicada originalmente em Maio de 1985, e tratou-se de algo surpreendente pra mim quando li. O roteiro muito bem elaborado, usando personagens não muito comuns, fugindo dos principais lanternas com Hal Jordan, Sinestro ou Kilowog e o final impressionantemente simples. Trata-se de Mogo, um Lanterna Verde diferente, assim como Leezle Pon que é um vírus extremamente inteligente e Dkrtzy Rrr que é uma progressão matemática que somente os Guardiões conseguem sentir sua presença.

Dentro do planeta Oa existe um lugar onde é guardado um livro com os nomes dos principais Lanternas da tropa. Arísia, uma jovem lanterna, fica um tanto quanto curiosa em saber sobre os nomes citados acima, uma vez que nunca os viu em nenhuma reunião da tropa. Tomar-Re, tentando esclarecer as coisas, resolve contar a história de Mogo para Arísia.

Bolphunga, um tirano extremamente forte e cruel, depois de matar e destroçar diversos oponentes, resolve ir atrás do misterioso Lanterna Verde conhecido como Mogo. Ao chegar no planeta de Mogo, Bolphunga grita aos quatro ventos quais as suas intenções quando encontrar o tal Lanterna. Muito impaciente, ele sai procurando por todo o planeta, explorando e adentrando na mata, buscando-o desesperadamente. Depois de muito vasculhar, Bolphunga começa a perceber que não há nenhuma forma de vida inteligente ali, mas se atenta para o fato de todas as árvores estarem muito bem cortadas e também de existirem grandes clareiras. Depois de anos no planeta, vasculhando, fazendo anotações e traçando mapas precisos a cerca dos formatos das clareiras e a forma como elas estão desenhadas, Bolphunga começa a ter muitas dúvidas sobre a existência Mogo.

Certa noite, olhando sistematicamente os mapas desenhados, Bolphunga se desespera e amedrontadamente pega seu foguete e abandona o planeta olhando-o de cima, e a verdade vem à tona: Mogo é o próprio planeta! E toda sua mata bem aparada junto com o espaço feito pelas clareiras formam o grande símbolo dos Lanternas Verdes. E o motivo pelo qual Mogo não comparece às reuniões da tropa é simples: seu campo gravitacional destruiria Oa. E dessa forma Tomar-Re termina a história contada para a atônita e surpresa Arísia, deixando-a na dúvida da história ser verídica ou não.

Uma história casual, simples, curta, mas confesso ter me surpreendido. Eu realmente não imaginava que Mogo fosse o planeta quando li pela primeira vez. É por essa e tantas outras razões que considero Moore um gênio. A capacidade de pegar uma coisa simples e fazê-la parecer mágica. Um roteiro básico, mas que com muito bom gosto, bom senso e a dose certa de mistério faz tudo parecer gigante e extremamente interessante. E mais, e isso sim pra mim é coisa de gênio: As histórias não precisam ser sempre complexas tais quais “A Piada Mortal” ou “Watchmen”. Uma história simples mas bem escrita como essa foi, de uma forma interessante, inteligente e direta causa um impacto interessantíssimo no leitor.

O fato de se saber trabalhar com simplicidade, sem parecer idiota (como muitos roteiristas já escorregaram feio anteriormente) é um dos requisitos que diferencia os ótimos roteiristas dos gênios. Simplesmente genial… Leitura recomendadíssima!

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