Resenha: Detective Comics #871 e o Espelho Negro

[o artigo abaixo contém spoilers]

O escritor Scott Snyder foi um escritor que chegou muito vagarosamente no esquema da indústria de quadrinhos americanos. Tendo um elogiadíssimo trabalho na Vertigo com American Vampire ao lado do artista brasileiro Rafael Albuquerque, o autor enfim tem chances de fazer algo realmente mainstream e cuidar do título mais antigo da DC: Detective Comics, a casa do Batman quase desde sempre. Ao seu lado um desenhista premiado e adorado: Jock.

Seu projeto era de fazer histórias com o Batman Dick Grayson e trazer um pouco da aura de detetive que o personagem sempre possuiu mas não tinha utilização há algum tempo de forma tão sistemática e calculista – Grant Morrison, apesar de usar as técnicas geniais de Bruce Wayne e de Dick prefere o absurdismo ao cálculo frio e à exatidão. Portanto teríamos uma volta as raízes mais profundas do herói e que foram bastante utilizadas na volta dele a um caráter sério nos 1970 com Dennis O’Neil e mais ainda nos anos 1980 com Alan Grant, Peter Milligan, Doug Moench e outros.

É com esse âmbito que entramos no clima de Black Mirror, o primeiro arco desta dupla criativa que ainda conta com histórias de fundo estreladas pelo Comissário Gordon e desenhadas pelo também muito elogiado Francesco Francavilla. Já sabemos que o arco terá apenas três partes, até para mostrar aos leitores o novo esquema da revista, e vale dizer já de cara que os novos autores começam muito bem. Dick é caracterizado com muita perfeição e com diferenças claras ao seu mentor mas sem nunca deixar de lado que é um Batman de verdade.

Na história temos o assassinato de um garoto de família nobre cuja mãe está ausente e o pai morto. O garoto é então criado pelo mordomo, o primeiro suspeito do crime. Gordon e o Batman não acreditam nisso – vale dizer que a partir daí vemos as diferenças propagadas por Batman Inc. já que agora a família Wayne dispos recursos incalculáveis para a Polícia de Gotham e Dick, como já foi policial, consegue ajudar a polícia sem precisar de máscara – e o mordomo acaba interrogado pelo próprio Homem-Morcego. A mãe então aparece, completamente perturbada, mata o mordomo e atira no Batman para então pular do prédio e morrer. Algo muito estranho está acontecendo e a nível de DNA e controle mental. Ótima história, ótimo mistério, ótima narrativa e que apresenta um novo vilão chamado Dealer, o responsável por estes estranhos acontecimentos.

No co-feature de Gordon também temos a mesma qualidade em um pequeno conto mostrando o duro dia a dia deste policial veterano das ruas de Gotham City enfrentando casos tão descabidos quanto a origem dos heróis e vilões que marcaram esta cidade pra sempre dentro do Universo DC.

Em geral Detective Comics #871 foi uma excelente estreia e não à toa esgotou-se completamente lá fora. Snyder não tem mais o que provar a não ser manter esta fantástica qualidade de seu trabalho na editora. Que venha mais!

Bob Kane criou o Batman em 1939, herói que é o mais popular da DC Comics há décadas. Bruce Wayne virou órfão ainda criança com assassinato de seus pais pelo ladrão Joe Chill, o que mudou sua vida pra sempre. Tendo tornado-se o elemento mais sinistro e calculista do Universo DC, seu capuz hoje está em posse de seu primeiro e principal pupilo, Dick Grayson. O herói marcou pra sempre o universo de quadrinhos e literário com obras clássicas como Ano Um, Cavaleiro das Trevas, Asilo Arkham e A Piada Mortal. Ainda hoje seus títulos estão entre os mais lucrativos da DC Comics, bem como sua franquia animada e cinematográfica.

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