[Arqueiro Verde] Flower Power, Dennis O’Neil e Redefinições

ÍNDICE DO ESPECIAL ATÉ O MOMENTO

[Arqueiro Verde] Introdução ao Superespecial
[Arqueiro Verde] Antimonitor: Arqueiro Verde-Fichado!
[Arqueiro Verde] A Criação e anos 1940
[Arqueiro Verde] Nacionalismo, 2ª Guerra e Jack Kirby
[Arqueiro Verde] Pearl Harbor, Sete Soldados e Período Negro
[Arqueiro Verde] Aliens, monstros e o auge da ficção científica
[Arqueiro Verde] Drogas, golpe militar, rock e o ostracismo

Para os que leram estas histórias naquela época parece que foi ontem que Dennis O’Neil e Neal Adams mudaram o trajeto do Arqueiro Verde para sempre dando-lhe o aspecto socialista e igualitário em meio à crise cultural no início dos anos 1970 para os Estados Unidos. Existia o sonho, a liberdade hippie, a liberdade sexual, os Beatles, o rock ‘n’ roll. De repente existia o avanço tecnológico, o auge da Guerra do Vietnã, a sujeira do presidente Richard Nixon e o racismo – unidades complexas e que quando somadas formavam um clima cultural de depressão coletiva como poucas vezes se viu na terra do Tio Sam. Mas vamos com calma porque esta é uma década de muitas informações.

Tudo começa um pouco antes da publicação de Green Lantern #76 em 1970. Mais exatamente nosso contexto todo situa-se primeiramente em 1965 com a ascensão do “flower power”, a grande filosofia hippie anti-guerra do Vietnã que permanece na cultura social e popular da sociedade moderna até os dias de hoje. Dennis O’Neil não foi necessariamente um hippie, mas vinha de uma classe média instruída e não acreditava na falta de igualdade que existia na sociedade americana. Como o chamado “país das oportunidades” podia alimentar tanta segregação?

Na época com 20 e poucos anos o escritor de ideal liberal participava de passeatas, encontrava-se com artistas de vanguarda e protestava contra a guerra e a favor de Martin Luther King. A igualdade era o tema e com seus encontros constantes com grandes intelectuais jornalistas da época O’Neil, já um profissional de quadrinhos, começava a construir suas ideias para uma revista que mostrasse os acontecimentos reais do país sem parecer uma crítica infantil e fanfarrona. O gibi era uma forma de contra-cultura já naquela época e muitos hippies e pessoas comuns que não concordavam com o poder e os conflitos desnecessários. Sendo assim o veículo era perfeito para uma reflexão artística calcada no momento sem precisar de fatos jornalísticos e nomes publicamente conhecidos.

O’Neil tinha em suas mãos a faca e o queijo. As batidas ferozes do Led Zeppelin e do Black Sabbath começavam a ecoar pela América, mesma nação que ressoava o fim triste dos mágicos Beatles e também a observação social realística de Bob Dylan. As informações eram muitas e elas minaram a mente criativa de O’Neil quase de forma divina. A estrutura estava feita. Faltavam os personagens.

Fascismo Cósmico

Na mente de O’Neil e de muitos outros fãs da contra-cultura que consumiam milhões de quadrinhos na época acreditavam, e certamente estavam corretos neste ponto de vista, que os Lanternas Verdes eram policiais. Eram policiais incorruptíveis, sim, impassíveis de suborno ou enganação, mas ainda assim simbolizavam para estas pessoas um controle social (neste caso de ordem cósmica) e um respeito a leis que favoreciam líderes corruptos e intolerantes. Definia-se aí o embrião desta série que mudaria os rumos dos quadrinhos na década de 1970.

Liberalismo Esmeralda

Ninguém melhor que o Arqueiro Verde para contracenar com o Lanterna nestas histórias. Liberalista por definição – afinal tínhamos aí um Robin Hood urbano sob muitos aspectos – o heroí precisava de uma redefinição para cair melhor na nova década e não havia momento melhor. A oportunidade não poderia ser mais perfeita. Oliver Queen faria a voz do povo, a voz do leitor, nestas histórias e protestaria contra as atitudes errôneas e cegas do lanterna e de outras pessoas consideradas de poder no contexto das histórias. Eles conversariam como pessoas de “mundos sociais” diferentes também o fazem ao contestarem e discordarem sobre as diversas situações naturais da sociedade capitalista.

Equipe

Junto com Dennis O’Neil estava o desenhista que já fazia muito sucesso na época Neal Adams. A dupla mantinha não apenas um bom método de trabalho como alimentavam uma boa amizade fora do trabalho e suas ideias casariam na revista. O’Neil e Adams eram a dupla responsável pela retomada séria e sombria do Batman que o estabeleceu pra sempre como a figura que temos hoje. Junto deles viria Dick Giordano para a arte-final, um nome grandíssimo na indústria e profissional muito bem estabelecido. Só faltava levar a ideia para o editor Julius Schwartz. Ele aprovou, é claro.

Histórias

Com o esqueleto narrativo já todo montado e planejado a equipe criativa faria com que os heróis embarcassem numa grande jornada pelos diversos territórios dos Estados Unidos analisando cada problema social local e mostrando soluções como metáfora à situação que o país enfrentava naquele momento. Oliver Queen e Hal Jordan viraram os “hard traveling heroes” e em suas costas estaria uma América falida, injusta e deixada às moscas por aqueles que diziam cuidar da “maior potência do mundo”.

A recepção dos leitores foi muito calorosa e estas histórias são reimpressas até hoje. Sendo assim o Multiverso DC, a partir de quarta-feira que vem, analisa história a história da fase mais importante do Arqueiro Verde até o final da era O’Neil/Adams. Esperamos vocês também nesta jornada!

O Arqueiro Verde foi criado em 1941 por Mort Weisinger e George Papp, cuja primeira aparição aconteceu em More Fun Comics #73. Originalmente um milionário e ex-prefeito de Star City, a identidade de Oliver Queen foi sendo moldada aos poucos com os anos, tendo começado como uma versão “Robin Hood” do Batman e passando a ter uma voz própria e politicamente progressiva com o passar do tempo. Foi protagonista dos primeiros quadrinhos com temática séria nos anos 1970 sob as mãos de Dennis O’Neil e Neal Adams, evoluindo ainda mais na década seguinte com o autoral Mike Grell.

Oliver chegou a morrer, tendo seu filho Connor Hawke no seu lugar, mas voltou numa saga surreal e divertida de Kevin Smith chamada O Espírito da Flecha. Teve uma revista quase toda escrita por Judd Winick durante 6 anos e hoje está em uma nova fase que relembra um pouco a de Grell.

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