Smallville especial: O que o seriado fez de ruim?

Há algumas semanas trouxemos aqui no Multiverso DC um artigo originalmente publicado pelo site IGN Comics explorando o que a série de TV Smallville tinha de bom e porque ela durou nada menos que 10 anos (clique aqui para poder lê-lo). Algumas pessoas discordaram de várias coisas e agora é hora de mostrar e explorar estes argumentos, traduzindo mais uma vez algo do IGN, explicando literalmente o que a série fez de errado. Vale lembrar, claro, que o site Multiverso DC não é responsável pelos argumentos apresentados abaixo e eles não correspondem, de forma alguma, às opiniões deste redator e dos colaboradores… ok, talvez algumas :D

VALORES POBRES DE PRODUÇÃO

Smallville tem uma problema muito sério com orçamento. Apesar de ser limitado, ele é extremamente mal aproveitado para sets, o que quer dizer que tudo que acontece em Metrópolis (ou às vezes até dentro de Smallville) parece ser no mesmo lugar, só com uma coisinha diferentes. Isso é mal aproveitamento do dinheiro que se tem.

Claro, histórias de super-heróis são caras de se transportar para a televisão ou para o cinema, por isso mesmo que as coisas começaram a melhorar para estas adaptações de uns 10 anos pra cá. Com personagens que podem voar, emitir raios de seus olhos e jogar tênis como se fossem bolas de tênis é necessário um dinheiro considerável para fazer com que isso seja convincente e crível para os telespectadores. Smallville fez um trabalho razoável de capturar o mundo de Clark Kent e seus poderes nas primeiras temporadas. Mas com Clark mudando para Metrópolis e com seus vilões ficando maiores e mais poderosos, a qualidade visual da série caiu consideravelmente.

Os valores de produção nas temporadas anteriores eram respeitáveis, em especial por ficarem sempre focados num único lugar. Agora as coisas sofreram um grande baque. Por mais que seja legal para os fãs de quadrinhos verem gente como o Gavião Negro e o Senhor Destino em carne e osso, poucos devem achar que o Gavião ficou tão forte e imponente como nas HQs. O mesmo vale para Apocalipse, Bizarro e vários outros vilões icônicos.

Smallville merece respeito por ter a ambição de mostrar um Universo DC grande em suas dez temporadas. Porém suas limitações funcionaram contra eles mesmos conforme o programa cresceu. Há uma razão para as batalhas épicas destes super-heróis serem mostradas mais nas páginas impressas do que em qualquer outro lugar. Eles são difíceis de serem transportados para a tela, enquanto no papel a limitação é apenas a imaginação.

NÃO SABER QUANDO PARAR

Quando Smallville saiu ele prometia documentar os anos de formação de Clark Kent. O programa seguiria Clark em seus anos de colégio, explorando os eventos que formaram o futuro herói. O entendimento era que o programa acabaria com Clark movendo-se para Metrópolis, com seu uniforme, tornando-se o maior super-herói do mundo.

Deve ter acontecido algum erro de comunicação no meio do caminho, pois a série já está em Metrópolis faz tempo – e continua. Isto é um problema por várias razões. Enquanto a DC já publicou várias origens do Superman, todas concordam com uma coisa: a jornada de Clark até a cidade grande coincide com ele se tornando o Superman. Em alguns casos a identidade é até estabelecida antes mesmo de ele mudar para a cidade.

A ideia é representar a evolução de Clark como personagem. Uma vez em Metrópolis ele já está crescido e conseguindo usar todos os seus poderes. Forçando Clark a continuamente lidar com os mesmos problemas e imaturidades, os caras por trás de Smallville estão sugerindo que ele nunca vai ser nada além de confuso, daquele jovem cheio de conflitos que aparecia no começo da série. Mesmo no quesito visual o ator Tom Welling já tem maturidade para interpretar Superman. Aliás a falta de desenvolvimento e evolução de personagens é um problema comum na série. Clark e outros parece que estão batendo a cabeça num muro constantemente. Personagens como Lana Lang e Chloe Sullivan foram forçadas a direções no mínimo bizarras nos últimos anos.

Do elenco principal apenas Lex Luthor saiu da série com graça. O arco de seu personagens foi o mais rico e teve conclusão no ano sete. Talvez esta mesma filosofia seja finalmente aplicada ao restante do elenco. Smallville durou além do ponto em que o crescimento dos personagens seja natural e orgânico. A história precisa de um fim para que estes personagens finalmente movam-se para outros níveis de suas vidas.

CADA VEZ MAIS ATRAPALHADO

Smallville parece que empacou oferecendo arcos longos demais e deixando sempre o mesmo status quo pra todo mundo. Novos telespectadores podem não conhecer o desenvolvimento de cada personagem, mas o programa permaneceu acessível, de forma geral, para as pessoas que quisessem pegar o bonde andando. Os melhores quadrinhos mainstream são os que conseguem estabelecer esta nível de narrativa também – o que já não acontece faz tempo.

Curiosamente, com o passar dos anos, Smallville foi ficando cada vez mais difícil de se entender, em especial depois que o foco passou a ser Metrópolis. Antes a série focava na vida de Clark e de quem estava em volta dele. Hoje o programa inclui uma tonelada de personagens, lutando com kryptonianos, General Zod, os esquemas de Brainiac, a vingativa Tess Mercer e até o Xeque-Mate.

Smallville perdeu sua simples elegância com a adição de uma quantidade imensa de vilões e conflitos. Mesmo personagens familiares passaram por situações terríveis e confusas. Por exemplo: no decorrer da série Lana Lang casou-se com Lex, aparentemente morreu, retornou de sua morte fictícia, tornou-se uma espiã corporativa, recebeu altos níveis de radiação e partiu em definitivo da vida de Clark. Muito pouco disso tem base nos quadrinhos. Uma vez mais o seriado forçou os personagens a caminharem além do natural e tomou decisões deploráveis de história.

Com a chegada da décima temporada Smallville não é mais um programa que abraça novos fãs. Quantas vezes ouvimos que quadrinhos também são tão inacessíveis quanto? Mais e mais vezes há leitores descontentes com tomadas insulares de algumas revistas construindo uma mitologia inapropriada.

Personagens bons e sólidos formam a fundação de um longo drama. Smallville teve suas grandes dinâmicas no inicio. No coração do show estava a amizade de Clark Kent e Lex Luthor. O programa dificilmente era tão bom quando não tinha o laço amigável deles ou a interminável e obsessiva busca de Lex que o levaria ao caminho da vilania. A perda de Lex deixou uma parte do show vazia até hoje.

Mas ele não foi o único personagens importante a partir. Pete Ross também foi embora deixando Clark sem o benefício de ter um melhor amigo. Lana saiu mais recentemente. Agora Chloe também se foi. De muitas formas adições como Lois Lane e Jimmy Olsen não conseguiram preencher os vazios desses.

Os leitores de quadrinhos constantemente comentam que é impossível se simpatizar com o Superman devido ao exagero de seus poderes. O que descobrimos com o passar dos anos é que a sua grande vulnerabilidade são os seus próximos, amigos e amadas. Mesmo o Superman não pode estar em todo lugar ao mesmo tempo. Algumas das melhores histórias do herói tocam neste tema como, por exemplo, Brainiac, de Geoff Johns e Gary Frank (leia aqui sobre ela).

O que Smallville falhou constantemente em prover foi um elenco de apoio que gerasse um drama mais forte, deste nível citado pra cima. Muitos da velha guarda foram substituídos de alguma forma. Enquanto Clark continuar em sua fase de transição, novos personagens como Lois e Jimmy nunca vão poder assumir os papeis centrais de suas vidas como nos gibis.

CADÊ O BATMAN?

Como mencionado anteriormente Smallville fez um bom trabalho inserindo vários personagens do Universo DC dentro da série. Pudemos ver gente como Impulso, Arqueiro Verde, Aquaman e muitos outros. Por outro lado, o Flash de verdade, Batman e Mulher-Maravilha não deram as caras.

A ideia geral da Warner Bros. é que colocando estes personagens as pessoas confundiriam suas versões televisivas com as franquias de filmes. Eles não querem um jovem Bruce Wayne aparecendo no seriado com ele aparecendo assim no primeiro filme de Christopher Nolan, Batman Begins, de 2005. O mesmo funciona para os outros heróis, mesmo que Flash ainda vai levar tempo e a Mulher-Maravilha, ironicamente, também vai virar série de TV. Com o filme do Lanterna Verde saindo ano que vem é óbvio que Hal Jordan também não pode aparecer – nem nenhum outro lanterna.

Estes personagens são os maiores que a DC tem. Que fã de quadrinhos que não ficaria feliz em vê-los nas telas, mesmo que ainda sem suas mascaras? Mas, mais importante que isso, eles são um link com Clark para todo o seu potencial em uma interação muito boa. Clark e Bruce em particular têm métodos diferentes, aquela relação toda das HQs que já conhecemos. A Mulher-Maravilha, por exemplo, seria um par romântico que finalmente teria as mesmas capacidades físicas que ele.

Smallville tentou criar uma espécie de Bruce Wayne quando colocou o tal Adam Knight na série. No fim das contas a presença de Adam apenas iluminou a falta de Bruce ali.

PLOTS MAL DESENVOLVIDOS

Uma das forças primárias de Smallville era a habilidade de apresentar arcos extensos que se desenvolviam naturalmente no decorrer da temporada ou mesmo em mais de uma temporada. Era o grande desenvolvimento da relação Clark-Lana-Lex, seja juntos ou separados. A ascensão de poder de Lex foi a mais bem desenvolvida de todo o programa.

Todavia a série nem sempre conseguiu cuidar disso. Com o passar dos anos o seriado foi ganhando um ar de desorganização com cada um competindo por um lugar ao sol, em especial uma quantidade muito alta de vilões. Quem é o inimigo atual de Clark? Zod e seus asseclas? Ou o Xeque-Mate? É o grande Darkseid, que aparecerá nesta temporada? Difícil dizer e este é o problema.

Pior que isso é a conclusão da maioria dos plots. Supergirl apareceu na temporada 7. Mesmo que seu personagem mostrasse muito potencial para o futuro, ela simplesmente foi tirada do show. Ok, ela apareceu rapidamente recentemente, mas e daí? Não foi nada demais. Outros personagens aparecem e se vão enquanto os plots continuam vazios. Aquele senso de elegância que permeava a série no começo simplesmente sumiu.

E mais uma vez: a série trocou sua simplicidade por uma abundância de conceitos e conteúdo, a maioria à toa.

O HERÓI ATRASADO

Uma das ideias mais ridículas do seriado é forçar todos a acreditarem que um Clark Kent com quase 30 anos (o ator já passou disso) ainda tem um último passo a dar para se tornar o Superman. Um grande número de heróis da DC apareceu durante o seriado, geralmente já com suas identidades e métodos. Por que ele continua nessa? Por que ele está condenado a ser o último herói da DC a colocar uma fantasia? O sobretudo não conta.

Superman sempre foi tido como o primeiro herói de todos, o que inspirou quem veio, tanto no mundo fictício dos quadrinho como comercialmente falando no início da indústria. Superman é um líder de homens, não um seguidor de todos. Mas Smallville faz você acreditar no oposto. Mesmo nos primeiros anos o seriado adquiriu um hábito de apresentar personagens do Superman sem Clark nem imaginar quem seria um dia. Atualmente no décimo ano quase todo mundo possível (e até impossível) já apareceu. Quando será que todos vão somar dois mais dois?

Uma vez mais Smallville acaba vítima de sua própria falta de cuidado. Um adulto Clark Kent persiste em lidar com os mesmos problemas do jovem Clark. A transformação em Superman já deveria ter acontecido. E quanto mais a série enrola mais o atual Clark parece-se com um tolo.

E você leitor, o que acha de tudo isso? Comente aí embaixo!

Superman foi o primeiro super-herói dos quadrinhos e hoje é considerado um símbolo da cultura americana. O herói foi criado em 1938 pelos judeus Joe Shuster e Jerry Siegel, mas tem uma origem messiânica e cristã: Kal-El, o último filho do moribundo planeta Krypton, foi enviado à Terra por seu pai Jor-El para ser o único sobrevivente de seu povo. Na Terra ele foi criado por um maravilhoso casal de fazendeiros, Jonathan e Martha Kent, recebendo o nome de Clark Kent. Hoje um repórter renomado no Planeta Diário, ele também age como Superman graças aos incríveis poderes que possui sob a radiação do sol amarelo. Inspirador, o Superman é o maior símbolo heroico da DC Comics, dentro e fora do universo fictício.

Smallville é uma série de televisão de que estreou em 2001 no canal CW. Criada por Alfred Gough e Miles Millar, a série conta as aventuras do jovem Clark Kent na pequena cidade de Smallville (chamada de Pequenópolis na versão dublada, legendada e nos quadrinhos da editora Abril), no estado do Kansas antes de se tornar o Superman. O programa baseia-se na  minissérie Superman: As Quatro Estações de Jeph Loeb e Tim Sale. A série preserva alguns nomes e acontecimentos da revista, mas caminha de forma independente.

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