Resenha (filosófica): Superman Pelo Amanhã – O fim!

Superman #213

Chegamos ao final da análise da história Superman: Pelo Amanhã. Você deve estar se perguntando como chegamos ao fim se ainda faltam três capítulos mas o fato é que este final de saga é tão amarrado que seria desnecessário separar tudo. Portanto nos reunimos mais uma vez ao lado de Brian Azzarello (texto), Jim Lee, Scott Williams e Alex Sinclair (arte e cores) e ao lado do editor Eddie Berganza para comentar tudo que acontece ao final desta jornada.

PARTE 10 – A CASA DE EL FINCADA NO SOLO

Azzarello vai lá atrás no surgimento do Superman e usa o salvamento simbólico de Kal-El pelo seu pai para acender a chama de Metropia. Se um único homem pôde salvar seu único filho, esse filho pode fazer muito mais que salvar apenas uma pessoa caso seu novo mundo venha a ser destruído. Vemos que tudo começa tempos atrás com Lois Lane, deitada na cama com seu amado, lhe pergunta: “e se o que aconteceu com Krypton acontecesse com a Terra?”. A mente deste super-homem começou a trabalhar e com toda a tecnologia de seu mundo à sua disposição ele criou um local onde todos pudessem viver sãos e salvos. Um paraíso. Mas o que ele não entendeu é que nem todos querem ser salvos. Como ele próprio diz no começo da série:

Meu pecado? Foi tentar salvar o mundo.

Foi então que surgiu a ideia de Metropia. Ela seria uma revitalização natural de seu mundo em forma de um paraíso pronto para receber os humanos à beira do fim do mundo. Todavia como falamos em capítulos anteriores todo Paraíso tem seu demônio e cada ação do Senhor Orr fora de Metropia expande-se como um efeito borboleta dentro de lá. Equus já está lá dentro e com ele hordas que não querem estar naquele lugar começam a se formar contra a Casa de El.

Vale lembrar até que a casa de El possui Lara e Jor-El, curiosamente em roupas típicas da Krypton mostrada por Mark Waid e Leinil Francis Yu na minissérie Superman: O Legado das Estrelas, história que ainda será comentada aqui no Multiverso DC em breve. A pergunta que pairou na mente dos fãs depois deste capítulo foi: como Lara e Jor-El estão vivos aí dentro? Descobrimos isso logo nas próximas páginas quando vemos Equus “matar” Jor-El, que nada mais é que uma transposição do pai de Kal para um sintozoide.

Para terminar é imprescindível destacar a nova liderança da horda de homens que não concordam com a Casa de El e com a permanência em Metropia. Ela é ZOD!

PARTE 11 – NUNCA AJOELHAR, NEM PERANTE ZOD

Superman #214

O embate entre os grandes personagens desta série começa. Zod estava lá desde o início se formos pensar bem. Vejam só: no começo era Nox, o general que prometia o bem para o seu povo e tomava atitudes duvidosas. A transferência dele para Metropia após o último uso do dispositivo pode ser entendida como um sacrifício culposo por parte dele, ou seja, ao chegar lá ele acabou morto por alguém e seu visual é incorporado em Zod de forma simbólica. Realmente não foi uma boa execução da ideia aqui, Azzarello falhou, mas a mensagem é esta.

Um conhecimento mitológico muito curioso é o de que Lúcifer, o grande anjo do Senhor, ao tentar sobrepujar o poder de seu Criador e provocar um motim no Paraíso foi derrotado e jogado à Terra para ficar com a aparência de que sempre odiou. Zod também pode ser visto desta forma, pois aqui ele deixa de ter o aspecto humano de um homem normal e veste-se com uma armadura demoníaca simbolizando o Apocalipse. Mais que isso: ele subverte o símbolo máximo deste herói e vira o brasão da família El ao contrário para que forme o “Z” de seu nome.

Percebendo que deve evitar que mais pessoas sejam levadas a este lugar que de Paraíso virou o Inferno Superman procura pela dispositivo para protegê-lo de Zod quando consegue um momento de fuga no meio da luta com seu arqui-inimigo. Aliás, como todo bom vilão, Zod conta o que aconteceu relembrando mais uma vez um elemento crucial da origem do Superman que é a prisão deste homem na Zona Fantasma. A Zona foi a base para a criação de Metropia utilizando tecnologia reversa pelo Superman e com ela o que havia de ruim ali foi levado junto – no caso o próprio Zod.

Ao conseguir pegar pra si a arma o Superman profere em seus pensamentos as palavras que não apenas o definem mas também explicam em definitivo porque os kryptonianos não foram salvos da destruição de seu planeta e ele sim:

Meu pai era um grande homem, capaz de criar realidade a partir da imaginação. Mas não conseguiu fazer seu próprio planeta imaginar que teria um fim. Ele não pôde salvar o mundo porque o mundo se recusava a ser salvo. Decidiu salvar a mim e, quando pousei no terceiro planeta de um distante sol amarelo tornei-me a maior criação de meu pai.

E assim Superman manda o dispositivo de transporte para Metropia a alguém que confia, o Padre Leone. O que ele não sabe, no entanto, é que Leone fez um pacto com o demônio e tornou-se uma nova arma no estilo de Equus. As coisas esquentam para o final!

PARTE 12 – NASCER DE NOVO

Superman #215a

Enquanto o embate continua entre os maiores símbolos do bem e do mal vemos o Padre Leone acostumando-se com suas novas qualidade e assumindo o erro que cometeu ao aceitar livrar-se pra sempre do câncer – ele acabou livrando-se para sempre de sua humanidade e torna-se uma arma viva. É então que ele transfere-se para Metropia também e o Senhor Orr é tirado da jogada pra sempre.

Superman #215b

Por fim tudo o que vemos é a destruição de um sonho acontecer mais uma vez. Krypton se foi há tantos anos e agora chegou a ver de Metropia, que mal teve tempo de se constituir de fato. Zod e Clark (agora chamado assim novamente) lutam pesadamente enquanto Equus e o Padre Leone se enfrentam tão ferozmente quanto os outros dois. O Paraíso começa a ruir e, num ato de sabedoria, o Superman percebe que deve utilizar o recém retornado dispositivo uma última vez para fazer com que todos retornem aos seus lugares originais.

As pessoas voltam, Equus e Leone lutam eternamente e Zod recusa a ajuda de Superman para sobreviver numa magnífica imagem que homenageia a clássica A Criação do Homem de Michelangelo.

A simbologia aqui é muito clara: Superman é um deus andando entre os homens e Zod é uma nova personificação de Lúcifer. Portanto, se na imagem original temos Deus tocando o homem (que é cheio de bondade e de maldade equilibradas) aqui temos o bem absoluto tentando salvar o mal absoluto. Por fim o Superman aceita o fim de Metropia e de sua Fortaleza da Solidão estabelecendo que deve ficar mais próximo da humanidade ao invés de simplesmente tentar salvá-la ao seu modo e escolhe uma fortaleza num lugar cheio de vida natural na América do Sul.

Superman: Pelo Amanhã foi uma grande epopeia. Existem sim erros de execução em alguns momentos mas o saldo é mais que positivo, é informativo e reflexivo. No final voltamos ao status quo original (a não ser pela Fortaleza) mas percebemos o que acontece quando um único herói tenta salvar o mundo todo. É impossível, mesmo para o maior deles.

Foi uma grande história e é uma pena que muitos leitores a tenham esquecido ou não tenham dado a chance que ela merece. Com toda esta série de artigos esperamos que vocês tenham mudado o ponto de vista a respeito dela e passem a vê-la como a forma de expressão artística que é.

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