Wildstorm: Momentos que definiram este selo pra sempre

Como todos sabem a essa altura do campeonato, a Wildstorm efetivamente deixou de existir ante-ontem; alguns profissionais vão para a DC Digital, seus personagens vão para o Universo DC e os títulos licenciados estão sob a guarda da DC. Nosúltimos 18 anos a Wildstorm ofereceu muitos criadores em ascensão e cheios de potencial, que produziram trabalhos desde interessante a fantásticos. Obviamente esta lista é curta e não faz justiça a tudo que saiu no selo, mas é uma forma de relembrar o legado deste selo.

America’s Best Comics: Lançada em 1999, a ABC saiu da mente de Alan Moore. Criada como uma divisão da Wildstorm antes que ela fosse commprada pela DC, tornou-se um palco para projetos muito aclamados de Moore. Eles incluíram Liga Extraordinária, Tom Strong, Promethea e Top 10. A insatisfação geral do escritor com a DC Comics, em especial por um problema relacionado ao filme de V de Vingança, fez com que Moore partisse de vez da editora e levasse a Liga consigo para a Top Shelf/Knockabout.

Stormwatch #37: quando o Stormwatch apareceu na Image em 1993 era um título decente sobre super-heróis patrocinados pelas Nações Unidas. Em 1996 as várias conexões entre os títulos da Wildstorm passaram por uma chacoalhada que levaram à chegada de Warren Ellis como escritor de Stormwatch. Ellis deu novo sangue à revista, dividindo a equipe em esquadrões e apresentando um grande número de novos personagens, tais como Jenny Sparks, Jack Hawksmoor e Rose Tattoo. Ellis empregou uma sensibilidade mais política e trouxe personagens que serviam como analogias a vários arquétipos de super-heróis como um mecanismo para discutir as mudanças sociais que estes seres trazem. Quando o primeiro volume de Stormwatch acabou, Ellis escreveu um segundo volume com a ajuda do desenhista Bryan Hitch, trazendo Meia-Noite e Apolli. Em 1999 Ellis e companhia fizeram o impensável: eles mataram a maior parte do elenco no crossover WildCATS/Aliens (sim, ele foi louco o suficiente de matar a maior parte do pessoal numa história que nem era protagonizada por eles). A edição final do volume 2, a de número 11, foi a transição de alguns dos sobreviventes em um novo projeto: Authority.

Planetary: Assim como Alan Moore, Warren Ellis ocupou-se de criar um teto sólido para a Wildstorm no fim dos anos 1990. Entre os vários títulos que produziu está Planetary, com John Cassaday, que surgiu em 1998. Fortificado pelo mistério do “quem é o Quarto Homem?” e passado como uma turnê através de todo o canto da cultura popular do século XX, Planetary atraiu a atenção da crítica e gerou uma base de fãs muito forte. Mesmo que a série tenha sofrido de vários atrasos durante os anos por razões de negócios, saúde e até falta de planejamento, Ellis e Cassaday mostraram um altíssimo nível de consistência em termos de tom e fecharam a história com tudo que aconteceu antes.

The Authority: Das cinzas do Stormwatch surge o Authority, que trouxe alguns veteranos da equipe anterior se unindo com Meia-Noite, Apollo, Engenheira e Doutor. A revista foi um sucesso instantâneo, exibindo heróis que não tinham medo de cruzar a linha em sua busca por um mundo melhor. Ellis e Hitch usaram a narrativa widescreen, fazendo de cada edição de cada arco algo cada vez mais épico. Quando a dupla partiu na edição #12, Mark Millar e Frank Quitely assumiram e levaram para outro nível esta narrativa política, louca e cheia de ação. Alguns elementos causaram problemas editoriais com a DC (particularmente com os acontecimentos de 11 de setembro), levando a atrasos e substituições de última hora nas narrativas. Infelizmente o Authority foi perdendo todo o seu zeitgeist no segundo volume, parcialmente devido ao aumento da seriedade no gênero de super-heróis. Ed Brubaker conseguiu fazer um terceiro volume sólido com a história Revolution, antes que Grant Morrison e Gene Ha assumissem. Infelizmente, mais uma vez, o volume 4 foi amaldiçoado pelo atraso de 5 meses entre as edições 1 e 2. A dupla debandou e Keith Giffen pegou de onde Morrison deixou para fechar a história recentemente.

Sleeper: Aclamado pela crítica, este título do escritor Ed Brubaker com o desenhista Sean Phillips começou em março de 2003. Tecnicamente era um spin-off da minissérie Point Blank, mas acabou ganhando vida própria. É a história de Holden Carver, um agente dentro de uma organização comandada pela ex-herói Tao; uma série de circunstâncias apagam o conhecimento de todos de que Carver está infiltrado ali, deixando-o sem esperanças de ser retirado pelos seus responsáveis. O time criativo conseguiu criar uma série de elementos realísticos e dilemas filosóficos para o personagem principal lidar. Carver opera tanto como herói quanto como vilão, ainda que tudo pareça bastante orgânico. A complexidade da personalidade de Carver e as escolhas que ele deve fazer permanecem reais ao coração da história.

Gears of War: A revista mais vendida do ano de 2008, informação não divulgada pela DC Comics mas afirmada por Jim Lee em pessoa ano passado na Big Apple Con. Isto certamente demonstra o quanto quadrinhos licenciados podem dar certo se boas pessoas cuidarem do projeto. Gears of War foi vendida não apenas em comic-shops como também em lojas de games.

Ex-Machina: Um quadrinho com um prefeito super-herói numa sociedade pós 11 de setembro. Parece difícil de vender, mas quando se tem Brian K. Vaughan e Tony Harris, a coisa é diferente. Lançada em 2004 e durante até agosto deste ano lá fora, Ex-Machina nos contou a história de Mitchell Hundred, A Grande Máquina, o único super-herói do planeta, lidando com vilões, políticos e maquinações de seus próprios amigos. Ex-Machina ganhou o Eisner de melhor série em 2005, um ano que ainda viu Vaughan levar o prêmio de melhor escritor.

Astro City de Kurt Busiek: Mesmo que tenha começado em 1995 na Image, Astro City tornou-se parte da Homage Comics, divisão totalmente autoral da Wildstorm. Quando a DC comprou o selo em 1997, Astro City fez sua jornada muito bem. A revista é notável pela bela narrativa de Busiek e do artista Brent Anderson, frequentemente acompanha de personagens e capas imaginados por Alex Ross. Com todo este tempo esta série ganhou uma montanha de prêmios, como Eisner e Harvey Awards em 1996, Eisner em 1997 e 1998, muitos Eisner por edição única em vários anos, Harvey de melhor escritor em 1998 e melhor escritor em 1999. Ross faturou Melhor Capa tanto no Eisner como no Harvey sete vezes entre 1996 e 2000. Lidando como uma tradicional metrópole de quadrinhos com arquétipos de heróis e vilões, Busiek e seus companheiros criaram histórias que explorassem a maravilha da vida destas pessoas em seu universo. De acordo com o próprio Busiek, a série vai continuar, mas não se sabe exatamente como se dará essa publicação.

The Possessed: muita gente não conhece esta minissérie de horror publicada anos atrás pela Wildstorm, que trouxe um certo Geoff Johns a seu primeiro projeto autoral. Co-criada com o escritor Kris Grimminger e com o desenhista Butch Guice, a revista mostra exorcistas do Vaticano lutando contra uma infestação demoníaca. Ter alguém como Johns num projeto assim, que foi muito bem executado, é realmente notável.

The Boys: Profano, rude, hilário… a visão de Garth Ennis e Darick Robertson aos super-heróis começou na Wildstorm em 2006 mas teve um baita problemão com o editorial. Acabou sendo cancelada em 2007, sendo comprada pela Dynamite Entertainment no mesmo ano.

Claramente a Wildstorm produziu muitas revistas significativas. Não podemos ainda nos esquecer de Gen 13, Welcome to Tranquility, American Way, Desperadoes, Ocean, Victorian Undead, Crimson, The Winter men, Red e tantas outras. O que foi significante da Wildstorm para você? Deixe sua opinião aí nos comentários!

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