Resenha (filosófica): Superman Pelo Amanhã – Parte 9

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Estamos definitivamente na reta final de Superman: Pelo Amanhã. Nesta nona parte de um total de dozer, contamos mais uma vez com a equipe de peso que fez desta história um belo marco comercial, bem como estabeleceu mais um momento inesquecível na jornada deste super-herói: Brian Azzarello (texto), Jim Lee (arte), Scott Williams (arte-final), Alex Sinclair (cores) e Eddie Berganza (editor).

Na edição anterior descobrimos que o Superman foi responsável pela criação desta arma, cujo único propósito era tentar salvar a humanidade dela mesma, bem como seu pai havia feito com Krypton salvando-lhe e como Jesus Cristo que sacrificou-se na cruz pela humanidade na crença religiosa Cristã. Em termos práticos este universo paralelo, que agora vemos às claras nas páginas deste capítulo, é um simulacro, ou uma matriz, em que as pessoas desaparecidas do mundo real estão vivendo numa utopia perfeita bem como o Paraíso Cristão, a Terra Prometida. De novo Azzarello bebe com muita força da influência bíblica e de mitos para construir a história do maior mito popular dos super-heróis: o Superman.

Se sempre tivemos este homem como um Messias, por que não fazê-lo Criador e Salvador de forma prática? Como toda religião, o “amor” é um sentimento sempre presente, e Azzarello o utiliza aqui também mas de forma mais carnal e não tão espiritual, ao provocar o esperado reencontro de Kal-El e Lois Lane em Metropia (nome sugestivo, não?). Aliás, vale destacar que mesmo que Jim Lee seja um cara bastante criticado por seu desenho plastificado, as imagens de Metropia são lindas e realmente nos faz desejar morar num lugar assim, com cores tão vivas de Alex Sinclair.

Antes que me esqueça, claro, vale destacar as primeiras páginas deste capítulo, em que vemos o Padre Leone afundado em seu “pacto com o demônio” – o homem fez a escolha e agora está pagando por ela. Vale destacar que aqui também descobrimos com o Sr. Orr havia chegado à Fortaleza da Solidão: a injeção dada no Padre para curar seu câncer também tinha uma forma de rastreá-lo. Bem esperto, o homem misterioso. Além disso também vemos uma das discussões mais surreais de toda a história, com o Superman discutindo consigo mesmo em forma de Clark kent. Como Clark está separado dele aqui? Isto ainda não é explicado, mas a ideia do autor foi muito certeira.

Veja: desde o início temos percebido que Superman afastou-se de sua humanidade adquirida em todos estes anos ao perder sua referência com ela, a própria Lois Lane. Percebemos isso não apenas com seu comportamento durante todas estas edições, mas também pela insistência dele em ser chamado de Kal-El. Toda esta discussão do herói com este tal Clark Kent é muito interessante pelo que o herói pede: guardar mais um segredo, no caso, a própria máquina.

Como todo Paraíso, este também tem seu demônio, representado pelo próprio Equus. Vale lembrar que o General Nox também foi mandado pra lá, portanto, nem tudo é tão perfeito assim. O próprio Clark, representação humana do Superman, é atacado pelo monstro. E Pra fechar, a referência a “ajoelhar-se” na última página já diz tudo sobre o tal General, não? Até semana que vem para a décima parte!

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