Entrevistamos J.P. Mayer – arte-finalista de Superman do Straza!

Foi realmente muito legal bater um papo com o cearence J.P. Mayer, arte-finalista em ascensão da DC Comics que está trabalhando há meses com o Superman finalizando a bela arte do também brasileiro Eddy Barrows. J.P. nos recebeu para um bate-papo muito simpático sobre carreira, arte e atuais trabalhos. Que coisa melhor que saber como é o dia-a-dia de uma pessoa talentosa da mídia que a gente adora? Com vocês, J.P. Mayer!

1) João, antes de mais nada, faça uma apresentação sua para nossos leitores.
Meu nome é João Paulo Pitombeira Maia, tenho 29 anos e moro em Limoeiro do Norte, no interior do Ceará. Sou casado com a também arte-finalista Mariah Benes, com quem tenho uma filha e, no momento, estamos esperando nosso segundo filho. Profissionalmente e “americanizadamente” sou o JP Mayer, arte-finalista.

2) Como você começou sua carreira e acabou sendo contratado pela DC Comics?
Tudo começou a uns seis anos atrás. Eu era “peão de firma”, trabalhando em empresas produtoras de frutas. Por essa época, minha esposa já havia começado a trabalhar como arte-finalista. Acabou que fiquei desempregado e, tivemos a ideia de ajudá-la com suas páginas, fazendo o preto. Depois fui aprendendo a fazer os cenários e, depois de algum tempo, já fazia algumas páginas completas, dependendo de quão apertado estivesse o prazo dela. Depois passei a auxiliar o Ed Benes, quando ele começou a finalizar suas próprias páginas. Foi nessa época que desenvolvi muito como arte-finalista, pois estava trabalhando com um dos melhores e maiores artistas do mercado.

Também finalizava alguns pin-ups dos outros desenhistas do Estúdio, montei uma galeria do DeviantArt pra ir mostrando pro pessoal. Foi aí que um amigo me enviou umas páginas do Ivan Reis a pedido meu pra que eu treinasse. Expus essas páginas no DeviantArt, que foram vistas pelo Joe Prado, da Art&Comics, empresa que me agencia. Ele gostou e, algum tempo depois, apareceu a primeira oportunidade de trabalho real: eu iria ter a chance de finalizar minha primeira edição pro mercado americano, a edição 28 da Liga da Justiça, cobrindo os traços do também cearense e amigo, José Luís. Depois veio a edição #30 desse mesmo título e daí as coisas foram acontecendo. Apareceu a maravilhosa série do Red Tornado, em seis edições, onde mais uma vez, estávamos eu e o José Luís juntos. E, finalmente, aconteceu de trabalhar com o grande Eddy Barrows, no grande Superman.

3) Você chegou a frequentar alguma escola de desenho, fez algum curso, ou aprendeu com gosto e prática mesmo? E além de arte-finalista você também faz seus próprios desenhos?
Nunca tive a oportunidade de fazer nada disso, infelizmente. Tudo que aprendi foi estudando o trabalho de outros finalistas, conselhos e opiniões de demais e, treinando. TREINANDO MUITO. Mas, quanto a desenhar… nadinha. Não consigo fazer sequer um traço, uma hachura com grafite. Não sei fazer um círculo sequer.

4) Hoje você tem trabalhado direto com desenhistas brasileiros. Ter um artista da mesma nacionalidade facilita o trabalho?
Na verdade sempre trabalhei com desenhistas brasileiros. Isso facilita demais porque desenhista e finalista precisam de muita conversa pra irem se entrosando, principalmente no início da parceria. Serão essas conversas que ajudarão aos dois se adaptarem um ao estilo do outro. Claro que nem sempre é assim. Mas que é melhor,é.

5) Como você diferenciaria seu trabalho com o Tornado Vermelho e o Superman? Você diria que é prático e interessante trabalhar com dois estilos diferentes como o de José Luis e Eddy Barrows?
No Tornado Vermelho, com o José Luís, eu pude soltar mais a mão no traço dele. Quem olha meu trabalho com o José e compara com o meu trabalho com o Eddy Barrows notará automaticamente a diferença. No Tornado fiz um traço mais pro lado (não igual, lógico) com o do Joe Weems, que é um dos meus finalistas preferidos, porque o traço do José permite que se faça isso. O traço do Eddy já é mais redondo, mais “delicado”, então tive que me adaptar a esse estilo. Isso é maravilhoso pro finalista. Sempre é bom trabalhar com estilos diferentes pois o finalista tem a oportunidade de evoluir em todas as áreas.

6) Você tem um blog e um Twitter oficiais. Este contato com a internet tem lhe ajudado a divulgar seu trabalho?
Com certeza! A internet hoje, com tantos blogs gratuitos, é uma ferramenta indispensável pra qualquer artista que queira divulgar seu trabalho. Minha própria experiência comprova isso. Já disse logo acima que meu agente viu meu trabalho na minha galeria no DeviantArt. Todos devem investir nesse tipo de divulgação

7) Vamos falar de Superman agora. Quando você soube que estaria envolvido com um texto de ninguém menos que J. Michael Straczynski?
Foi pouco depois de saber que iria trabalhar com o Eddy. O mais engraçado nisso tudo é que eu jamais havia nem sonhado em trabalhar com o Eddy, apesar de ser fã dele há tempos. Depois da série do Tornado, eu tava em casa sem fazer nada. Aí resolvi finalizar uma página dele só por brincadeira. Mandei pro Joe Prado sem nem imaginar que o Eddy tava procurando um finalista. Como ambos gostaram, o Joe pediu pra fazer mais algumas pra amostra. E deu certo! Já me enchi de alegria ao saber que o Eddy iria assumir o Superman e eu teria a oportunidade de trabalhar num dos maiores ícones dos quadrinhos. E ao saber que o escritor seria o JMS… UAU!

8) Você diria que o Superman está entre os seus favoritos como leitor?
Absolutamente! É um dos personagens mais poderosos (ou mesmo o mais poderoso) do mundo dos quadrinhos. O cara pode fazer praticamente tudo com seus poderes! Mas, o meu preferido, é um certo cara vestido de morcego, confesso!

9) No que este trabalho tem ajudado sua dinâmica como artista já que você está lidando com o Superman, literalmente, com os pés no chão?
Quem ouve falar no Superman, já imagina imediatamente ele derretendo coisas com visão de calor, derrubando prédios com os corpos dos próprios inimigos… e, tanto para os artistas quanto para os leitores, é mais agradável vê-lo assim. Mas, nesse arco do Super, vemos algo que não estávamos acostumados a ver ou mesmo que não queríamos ver. Ao invés de vê-lo voando pelos céus, “para o alto e avante”, o vemos caminhando. Não o vemos em grandes batalhas, mas o encontramos jogando basquete. A dinâmica pro artista, principalmente pro desenhista, é fazer um Superman que condiga com o roteiro. “Humanizado”. Com expressões e sentimentos que não costumávamos ver. Minha impressão, quando estou finalizando o Superman do JMS é de que estou finalizando o mais humano dos super herois. O mais humano dos extra terrestres. Aí o traço muda. E tem que mudar.

10-) Pessoalmente você gosta das Aves e dos trabalhos de Gail Simone?
Gosto muito! A Gail é uma escritora excelente! Sempre lia os roteiros dela quando enviavam pro Benes, anos atrás, na primeira vez que o Benes fez Aves de Rapina. E, quando o roteiro dela é posto nas mãos do “desenhista das belas mulheres”, o resultado é extraordinário, como todos estão vendo!

11-) Fora o Superman e as Aves, com qual outro personagem da DC, ou mesmo de outra editora, você gostaria de trabalhar?
Na DC, amaria trabalhar no Batman e Mulher Maravilha, alguma coisa que envolvesse a Vixen. Tem também a Hawkgirl… Se um dia trabalhasse pra Marvel, com certeza o Wolverine e Homem-Aranha.

12-) Pra fechar, J.P., divulgue seu blog, seu Twitter e seu trabalho. O espaço é seu =)
Bem, tenho meu blog oficial: http://jpmayer.blogspot.com, lá encontra-se meus outros links e também meu twitter: @JP_Mayer onde escrevo OUTRAS besteiras que nem sempre não se relacionam com trabalho (risos). Quero dizer a todos que sinto-me honrado em ser um, entre tantos brasileiros talentosíssimos, que representam meu país lá fora. Continuem torcendo por nós! Abraços a todos e obrigado!

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