Resenha (filosófica): Superman Pelo Amanhã – Parte 8

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Sete capítulos se foram para chegássemos a uma revelação. E ela é chocante. Superman – Pelo Amanhã conta com Brian Azzarello (roteiros), Jim Lee (arte), Scott Williams (arte-final), Alex Sinclair (cores) e Eddie Berganza (editor) e a revelação que mudará todo o rumo da trama para os leitores: quem criou o dispositivo e por quê.

Um dia um homem poderoso viu que seu planeta não poderia ser salvo e salvou seu único filho enviando-o para um planeta distante no qual tornaria-se um herói sem igual com sua criação simples e correta capaz de inspirar toda a humanidade. Um dia Deus mandou seu único filho para salvar a humanidade de seus pecados e inspirar coisas boas nos corações dos mortais. Que história semelhante, não? Mas, no conhecimento cristão, Jesus Cristo jamais cometeria o erro que Superman cometeu: ter criado um dispositivo que manda pessoas para outra dimensão.

Sim, amigos, Superman criou a arma e colocou-a tão fundo na sua mente que a esqueceu. Desenvolvido com tecnologia do Projetor da Zona Fantasma ele funciona para que Kal-El repita os passos de seu pai, salvando não apenas uma pessoas, mas muitas, o quanto ele puder, de um mundo que caminha cada vez mais para uma espiral de decadência. A visão de Azzarello não deixa de ser uma denúncia da própria natureza destrutiva humana, bem como uma homenagem à criação original deste super-herói.

Tudo começa com o herói levando o Padre Leone para a Fortaleza da Solidão para ver uma cultura jamais presenciada pela humanidade antes. Kal-El continua a alimentar sua culpa por não conseguir salvar todos e o padre brinca lhe absolvendo dos pecados como numa confissão. Ele mal pode maravilhar-se com tudo que vê lá dentro que logo a Mulher-Maravilha invade a instalação para impedir que seu amigo kryptoniano use o dispositivo novamente e acabam numa batalha que culmina no alar de auto destruição da Fortaleza sendo acionado. É o início do fim.

Com uma metáfora bem colocada, Azzarello faz com que a Fortaleza toda desabe conforme a própria confiança do leitor em seu herói favorito vá caindo ao clímax da descoberta de que ele criou esta arma. A fortaleza cai, a verdade é dita, o Sr. Orr aparece e promete a salvação eterna ao padre – e não está falando de ir pro céu.

Com este oitavo capítulo Azzarello e Lee terminam toda uma fase da história, preparando o terreno para algo totalmente novo que caminhará para o surpreendente final na parte 12 da jornada. Se alguns capítulos anteriores tinham sido um pouco mais fraco, este oitavo volta com força total, não só pela simbologia como também pelas metáforas e acontecimentos surpreendentes.

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