Resenha (filosófica): Superman Pelo Amanhã – Parte 5

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A quinta parte de Superman: Pelo Amanhã não é, necessariamente, filosófica, mas tem alguns pontos muito legais que acrescentam mais conhecimentos e pensamentos ao conteúdo desta narrativa. Como não podia deixar de ser, a equipe é formada mais uma vez pelo quarteto Brian Azzarello (roteiros), Jim Lee (arte), Scott Williams (arte-final) e Alex Sinclair (cores), com edição do sempre presente Eddie Berganza.

Já sabíamos do câncer do Padre Leone desde o começo. A dúvida de fé é algo que toma todas as pessoas (independente de crenças e pensamentos sobre a vida), seja a fé numa força maior ou em si mesmo e não é diferente com um homem cuja vida é, justamente, dedicada à fé. Aqui descobrimos um pouco mais sobre o estranho e mal encarado Sr. Orr. Ele quer saber mais sobre a relação de Leone com o Superman e em troca oferece algo que este homem da igreja não poderia esperar. Numa rápida analogia aos 40 dias de retiro de Jesus Cristo na montanha ao ser visitado por Satanás, aqui Orr planta a primeira semente da discórdia para o Padre Leone – e depois vemos que ele compra a ideia, infelizmente.

No lado do Superman, todos podem ver os Sete Grandes da Liga da Justiça ali na capa e esta arte não é meramente comercial: os heróis têm um papel curto mas bastante importante aqui neste capítulo. Numa discussão dentro do satélite da Liga que fica próxima à nossa Lua, o Superman é colocado na parede por tomar atitudes tão pessoais perante um problema que não toma apenas a sua vida mas a de milhares de pessoas pelo mundo. Mesmo que seja o Superman, quem ele é para julgar algo de tamanhas proporções como algo pessoal?

Como é clássico na DC desde Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, Super e Batman têm que se enfrentar, mas Azzarello é esperto o suficiente para fugir do clichê e apenas nos apresenta uma divertida discussão falada em que Kal-El trava Bruce alegando que Equus era financiado pelo interesse dos ricos, mas o papo acaba apenas como começou e não se aquece. Melhor assim. Destaque também para a luta que vemos depois entre ele e Aquaman. Ao tentar compreender o que aquele dispositivo responsável pelos desaparecimentos é – e percebendo que era feito de material terrestre mas com uma tecnologia ainda desconhecida da humanidade – ele provoca alterações no reino de Arthur, os mares, e isto não pode ficar barato, é claro.

Mudamos o momento narrativo para o encontro entre Kal e o Padre, horas depois deste encontro com os heróis. Em um dos meus momentos favoritos de toda a história o Superman chega à beira do rio, à noite, para conversar com um desolado Leone e este comenta-lhe que o imaginou chegando caminhando sobre as águas. Kal-El alega que aquilo seria uma paródia de mal gosto das crenças do homem, e Leone lhe retruca: “mas você pode fazê-lo, não?”. Fantástica a simbologia messiânica deste super-homem.

Fica claro que Leone está deixando Superman pouco a vontade devido as primeiras dúvidas reais sobre sua cura e sua fé naquele momento atual da vida. E então um novo desafio aparece: um elemento natural transformado em ser vivo para batalhar com o Homem de Aço por trabalho de uma mulher nova nesta história e aparentemente muito poderosa.

Reflexões e Anotações

[Nota: A numeração das páginas segue o padrão da versão encadernada da Panini]

106-O símbolo do Superman não fica aparecendo de graça a todo momento. A ideia é justamente mostrar uma corrupção dele.

113-116-É muito legal perceber a seriedade da conversa destes heróis. Somos tão acostumados a ver alguns deles sorrindo com o símbolo de seu peito sempre imponente que às vezes nos esquecemos de que eles têm problemas seríssimos.

118-Ter o conhecimento de que a tal “arma” é, na verdade, uma possibilidade de criação e não de destruição muda todo o conceito e formas de enxergar este artefato. Isto se auto-explicará nos próximos capítulos e é um detalhe a ser guardado por todos.

122-Assim como quando o Sr. Orr quando chamou a atenção do Super no capítulo anterior, a feiticeira que convoca as forças da natureza também o faz sobre o símbolo do herói nas areias do deserto. Detalhe visual bem interessante.

124-Esse é um negócio maluco. Como um ser feito d’água pode ter olhos? =D

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