Resenha (filosófica): Superman Pelo Amanhã Parte 2

[Introdução] / [Parte 1]

Mais uma vez temos uma história que começa com falas (de forma narrativa) que te fazem pensar sobre quem realmente está narrando tudo isso – e mais uma vez somos obrigados a imaginar que é o Superman, até vermos que não passa de uma senhorinha atendendo um café e contando de quando foi salva pelo herói passando a todos sua visão do que ele significa: quando sua vida parece não valer nada é no momento que ele te salva e te faz sentir importante que é quando a ela passa a ter valor novamente – tal relação também tem muito a ver com pessoas que redescobrem a fé, têm iluminações e coisas do tipo.

A história funciona de forma bastante orgânica e caminha naturalmente mostrando mais fatos e mais mistérios aos fãs e é muito curioso notar que Superman e Padre Leone estão percebendo aos poucos o que vem acontecendo assim como nós, que estamos do outro lado do quarto muro, observando e debatendo estes fatos. O uso de metáforas continua em alta, em especial quando Kal-El comenta sobre a guerra que tenta impedir no lugar em que a vida e a fé nasceram (falaremos rapidamente do diálogo mais abaixo). A fraqueza dele perante uma situação tão caótica é emocionante e nos mostra que não importa a posição que ele tome perante os seres-humanos: assim como os homens de fé que tornaram-se lendários, ele também é recusado por muitos.

Quanto ao desaparecimento das pessoas, temos poucas revelações. Vemos as conversas de Kal e Leone e sabemos que, em seus íntimos, cada um alimenta seus próprios fracassos e dúvidas, mas não sabem de algo que nós sabemos: ambos estão sendo seguidos por um homem ainda desconhecido e que promete ser uma das chaves para a resolução desta situação.

Destaque para algo muito legal nesta história: depois de dois capítulos até agora o Superman não tirou seu uniforme. Clark Kent não está presente, apenas o filho de Jor-El. Ótimo escolha de Brian Azzarello para narrar seu conto, brincando com a proximidade e frieza dele para com a humanidade.

[Nota: A numeração segue a da versão encadernada da Panini]

38-39-Superman enfrenta uma variação do primeiro vilão com o qual a Liga da Justiça teve um embate nos anos 1960, o famigerado Starro.

40-O homem que reclama das torradas merece atenção.

41-O vulto da menina na parede pode ser um efeito colateral do poder deste monstro.

46-47-Superman brinca com o famoso “que jogue a primeira pedra” jogando o pêssego na água enquanto corta o que o Padre Leone lhe fala sobre pecados, apenas para que as ondas geradas tornem-se ondas de radar na página seguinte. Bela transição artística!

49-“Onde também começaram, diriam alguns, a vida, a civilização, a fé… e a morte!“. Referência clara a Jerusalém e ao Oriente Médio de forma geral – o local onde nasceu o símbolo que deu nome ao Cristianismo é o mais belicoso até os dias de hoje.

53-57-Um ensinamento curioso. Quando se atira a primeira pedra é quando inicia-se a guerra e tudo sai do controle até do mais poderoso entre nós: como é dito pelo Padre Leone na penúltima página do capítulo “até mesmo uma pedra perfeita faz ondas”, quando ele atira o diamante feito pelo Superman ali naquele instante a partir de uma pedra. Excelente metáfora!

58-O homem que pediu as torradas, lembra? Ele terá um papel fundamental aqui.

3 Comentários

Clique para comentar

dois × dois =

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com