Resenha (filosófica): Superman Pelo Amanhã – Parte 4

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Neste quarto capítulo de Pelo Amanhã temos duas coisas muito importantes: primeiro uma crítica ferrenha às guerras do mundo, em especial a batalha sem sentido travada no Iraque desde 2003 pelos EUA, e segundo uma narrativa que tenta jogar mais ação e violência em meio a um contexto totalmente filosófico e crítico – se a primeira é feita com maestria, a segunda não funciona muito bem e a qualidade dá uma caída.

Toda a discussão do Superman com o General Nox (novamente: prestem atenção neste nome) sobre a falta de um julgamento justo com os tais criminosos de guerra é muito do que o próprio mundo e a sociedade dos EUA brandou contra as forças de seu próprio país pelas guerras sem sentido em que se meteu durante a hegemonia de 8 anos de George W. Bush, período no qual esta história foi escrita. Aliás, como se sabe, a guerra contra o Iraque começou de fato em 2003, e esta história foi publicada lá fora um ano depois, mostrando que a relação é bem forte. Azzarello não é tão subversivo quanto outros escritores mais autorais de quadrinhos, mas ainda assim passa bem sua mensagem.

Equus ignora sua função de braço direito do General e age por conta própria lutando com o Homem de Aço para encerrar a peleja dos dois, e como citamos acima esta parte é bastante desnecessária. Não totalmente, pois dali tiramos algo muito importante: a luta entre os dois faz com que entendamos como Equus foi construído (uma experiência científica realmente impressionante começando com um humano) e qual seu sentido ali. No fim sacamos que ele sim é a verdadeira arma e, ao provocar o sumiço seu e de Nox, mais 300 mil pessoas somem no planeta todo, o que descobrimos quando Superman está novamente se confessando com seu mais novo amigo. Outra coisa muito interessante é quando eles batalham fora da torre de Nox e Superman vê os horrores da guerra como jamais havia visto antes: um poço de corpos em decomposição, de soldados do outro lado da disputa que se foram de forma trágica.

Pra fechar, novamente vemos o misterioso homem de bigode, agora chamado de Senhor Orr (ou Mr. Orr). Percebemos que ele tem ligação total com a “arma”, alegando que seus patrões a fabricaram e hora dela retornar a quem a fez. Será que o Superman vai concordar? E que ligação tão forte este homem tem com a trama toda? Saberemos muito em breve!

Reflexões e Anotações

[Nota: A numeração das páginas segue o padrão da versão encadernada da Panini]

81-82-Ok, sabemos que muitos criminosos de guerra são executados desta forma pelo mundo afora e sem julgamento digno ou envolvimento da ONU, mas a ilustração mostrada nesta página é proposital para mostrar o que foi feito pelos americanos com o exército iraquiano fracassado no Oriente Médio.

88-De certo Jim Lee usou muitas imagens reais dos horrores das guerras para ilustrar estes momentos mais trágicos da história. A imagem vista aqui mesmo assemelha-se muito ao holocausto da Segunda Guerra Mundial.

91-A ilustração aqui dá todas as dicas do que esta arma faz: percebam que há uma Terra desenhada ali de forma holográfica, nos levando a crer que não se trata realmente de uma arma, mas talvez uma passagem para um novo mundo. Se sim, como ele seria? Como é a vida lá? Por que as pessoas são enviadas pra lá? São perguntas que serão respondidas nas próximas edições.

94-“Não fui feito para começar guerra, mas para encerrá-las“. Frase feita, ok, mas cabe bem para os EUA. Eles sempre cagam tudo :D

96-Muito legal quando o Superman percebe que Equus é humano no núcleo (não seriam todos?) e a corrente de DNA é refletida em seus olhos. Bela saca artística de Lee ao ilustrar a percepção do Homem de Aço desta forma.

101-102-De fato, o “S” em chamas no chão é pra efeito dramático :D

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