Resenha (filosófica): Superman Pelo Amanhã – Parte 3

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Uma história que é inserida dentro de um contexto filosófico precisa, às vezes, passar uma mensagem. Em Superman: Pelo Amanhã percebemos que o escritor Brian Azzarello, com o sempre bem instruído desenhista Jim Lee, percebemos claramente que algo está sendo transmitido ao leitor em cada capítulo, especialmente neste terceiro, publicado originalmente em Superman #206 lá fora. Azzarello usa uma fórmula criada por ele mesmo apenas para esta série que é sempre começar com um diálogo profundo que parece ser do Superman e nunca acaba sendo – até agora. Desta vez é sim nosso herói falando ao seu novo e mais compreensivo amigo, o Padre Leone.

Conforme vemos as ilustrações de Lee nas primeiras páginas percebemos que as pessoas cujos “vultos” estão nos muros da cidade são, na verdade, de pessoas desaparecidas, e não de vítimas do monstro citado na edição anterior. Durante estas tristes imagens, intercaladas com momentos de alegria com jogos de baseball, Kal-El (lembrando: Clark Kent não está presente aqui) discorre sobre um assunto muito relevante para a existência de tal herói no mundo real: toda ação dele terá uma reação oposta idêntica. No caso ele fez com que um país encerrasse a guerra, mas isso acarretou numa disputa ainda maior em toda a região. Percebam: se alguém como ele existisse em nosso mundo para por fim a guerra, fome e outros problemas de nossa sociedade, será que ele não pioraria a situação? Não criaria ele uma dependência eterna? São muitos pensamentos em pouquíssimos e muito bem acertados diálogos.

Apesar de tentarmos evitá-los, clichês são o que são pois contêm uma sabedoria inescapável. Assi como toda ação tem uma reação igual e oposta…

É claro que Azzarello brincou com suas próprias escolhas para fazer esta série. Existem clichês em todos os lugares, mas justamente poque eles carregam consigo esta sabedoria – não dá pra fugir deles, mas dá pra usá-los a seu favor.

Ainda nos temas da história, o escritor prefere deixar um pouco de lado o aspecto religioso para tratar de âmbitos políticos ao mostrar um país vizinho do visto na edição anterior que está executando um golpe militar com o intuito de tirar o rei do poder e instaurar um novo governo que ouça o povo. O General Nox percebe a chegada do Superman mas fica sereno mesmo no meio da batalha que se inicia entre o herói e o monstro Equus, responsável por um tapete vermelho de sangue estendido na sala principal do castelo do rei.

A existência de Equus é um ponto polêmico. Por que uma história que tenta passar mensagens de pensamento sobre religião e política apelaria para a mostra de um monstro como tantos outros que o herói já enfrentou em todos esses anos? O ponto é exatamente este: Equus é sim uma mensagem, na verdade mais uma homenagem, justamente aos tantos vilões que Superman enfrentou durante sua carreira como grande super-herói da DC Comics, porém pela primeira vez inserido num contexto tão adulto e contestador como este. Mais uma vez, pensemos no mundo real: se uma cria assim fosse de verdade, ela não seria exatamente utilizada como arma militar? É o que acontece aqui.

Nox aparece, impede que a luta se torne ainda mais violenta e mostra a aceitação do povo pelo que fez ao Superman, deixando o herói numa situação ainda mais complicada porém verdadeira: mesmo com muita violência, foi feito o necessário para aquele povo, e bondade suprema nenhuma poderia questionar os fins obtidos. Como alguém que carrega o peso do mundo em suas costas, Superman ajuda a reconstruir o país, inundado pela desgraça da guerra com órfãos, viúvos, sem-teto e sem família. A realidade é ainda mais dura quando vista desta forma.

Como não podia deixar de ser a equipe nos dá mais fatos sobre o misterioso acontecimento que é o pano de fundo desta trama toda, o desaparecimento de 1 milhão de pessoas aleatórias pelo mundo todo (incluindo aí Lois Lane). Nox e seus soldados descobrem o aparelho que fez isso, utilizado exatamente pelo rei como forma de se libertar dos que queriam derrubar seu poder, mas o tal aparelho saiu de seu controle e agiu por conta. Superman o descobre também e o capítulo acaba com Equus armado e pronto para matar o ex-rei e os seus.

Parece muita coincidência que tudo aconteça em volta de onde o Superman passa, mas como veremos nos próximos capítulos, tudo tem um propósito e ele será revelado!

Reflexões e Anotações

[Nota: A numeração das páginas segue o padrão da versão encadernada da Panini]

60-Percebam que nestes painéis de abertura Kal-El está sempre em pose, e com feições, de preocupação. Ter tido seu “mundo” atacado de tal forma é mais do que até alguém como ele pode suportar.

62-63-Nox não é “general” à toa, tampouco tem estes questionamentos políticos como vemos nas conversas dele com o Superman na página 70. Isto é proposital e iremos compreender melhor estas razões da metade pro final da história.

74-75-Um homem que caminha como deus entre outros homens. Se ele é bom, só um motivo para o que ele faz: o amor. É este o principal aspecto de paz entre a sociedade, o pilar principal de tantas religiões (em especial as Cristãs) e, claro, das boas atitudes deste herói perante os humanos.

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