[HQview] Ex Machina – Volume 4: Marcha à Guerra

Dando prosseguimento aos encadernados de Ex Machina, a Panini lançou o volume 4 – Marcha à Guerra. A série é uma criação de Brian K. Vaughan e Tony Harris, e conta a história de um ex-super-herói que se tornou prefeito de Nova York. Neste quarto volume, Mitchell Hundred tem que lidar com uma manifestação de protesto contra a guerra do Iraque no primeiro arco e relembra um encontro com um sujeito com poderes semelhantes aos seus no segundo, nos tempos em que costumava ser a Grande Máquina. Vamos à sinopse:

Mitchell Hundred já encarou diversos desafios como prefeito de Nova York. De escândalos políticos a assassinos sobrenaturais. Mas nada o preparou para a vindoura guerra com o Iraque. Manifestantes pela paz lotam as ruas de Manhattan e o prefeito precisa fazer uma escolha entre manter a liberdade de seus eleitores ou a segurança da cidade… antes que seja tarde demais. E ainda: uma história do passado super-heroico do prefeito que revela o arqui-inimigo da Grande Máquina! Vencedor do prêmio Eisner de Melhor Nova Série!
Este volume traz as edições 17 a 20 da série Ex Machina, criada pelo genial Brian K. Vaughan (Leões de Bagdá, Y – O Último Homem) e com arte do sensacional Tony Harris (Starman), além de Ex Machina Special 1 e 2, com arte do talentoso Chris Sprouse (Tom Strong). Contém dois arcos de história.


Marcha à Guerra
(Ex Machina #17 a #20 – Março/2006 a Julho/2006)

Roteiro: Brian K. Vaughan
Arte: Tony Harris
Arte-Final: Tom Feister

O ano é 2003, menos de dois anos depois do ataque terrorista que derrubou uma das torres do World Trade Center, George W. Bush está executando sua guerra contra o Iraque de Saddam Hussein, sob o suposto pretexto de que ele estaria escondendo armas de destruição em massa. O prefeito de Nova York é Mitchell Hundred, um ex-super-herói capaz de se comunicar com as máquinas. Mitchell é um político independente, e quer que ele e a prefeitura fiquem neutros quanto a essa guerra. Mas ele decide permitir uma marcha de protesto contra a guerra que partiria em direção à sede das Nações Unidas, e é aí que começam os seus problemas. Além de ser tachado de traidor do país e perder um importante membro de seu gabinete, a marcha ainda é atacada por gás de rícino, que causa a morte de quatro pessoas e deixa sessenta e um hospitalizados. O objetivo do prefeito passa a ser, então, descobrir o responsável pelo ataque, nem que para isso ele tenha que se valer dos poderes que prometeu não utilizar enquanto fosse prefeito.

Como todo arco de histórias de Ex Machina, esse também traz algumas questões bem interessantes a se refletir. A principal delas, obviamente, é a necessidade de se travar a guerra de Bush (ou a falta dela). Mais uma vez Vaughan usa a série para levantar uma bandeira política, pois apesar de se dizer neutro, fica claro que Mitchell discorda da guerra, e quase todos os pontos de vista apresentados na história possuem a mesma visão que ele. Essa é a mais interessante, mas não é a principal questão da história. O principal dilema do prefeito Hundred é o pedido da comissária Angotti, que sempre discordou do vigilantismo da Grande Máquina, e o proibiu de usar seus poderes enquanto estivesse na prefeitura, e que agora fala completamente o oposto do que pregava. Ela quer que Mitchell use seus poderes para descobrir o responsável pelo ataque, mas ele se recusa. A situação é interessante porque é uma inversão dos papéis que vimos os dois desempenharem lá no início da série, e isso cria um dilema bem legal de se ler. Por falar no início da série, também temos o retorno de um personagem antigo, o padre Zee, aquele que salvou o prefeito de um atacante durante uma coletiva de imprensa sobre a questão do casamento gay.

Além disso, vale destacar também o aprofundamento do relacionamento de Mitchell com a jornalista Suzanne Padilla (ou a falta de aprofundamento) e o posicionamento político do vice-prefeito Dave Wylie, sempre conflitante com Mitchell (e como isso é importante para a prefeitura). Mas, além disso tudo, uma das sub-tramas mais interessantes é a morte de um inocente pela polícia de Nova York, durante a tensão do cerco para capturar o suposto terrorista. Os estadunidenses podem até não ter notado, mas os brasileiros com certeza verão bastantes semelhanças entre esse fato e o assassinato de Jean Charles de Menezes pela polícia britânica em julho de 2005. Não posso afirmar com certeza que foi proposital, mas seria muita coincidência se não fosse, até porque a data do fato e do roteiro se encaixam perfeitamente. Até a questão do preconceito é caracterizada, mesmo que o fator latino tenha sido trocado pelo negro. Mas o legal dessa homenagem é que a história mostra tanto o lado da família do jovem assassinado quanto o lado do policial que atirou, e com isso podemos ponderar os dois lados da moeda antes de fazer um julgamento injusto.


Vida e Morte
(Ex Machina Special #1 e #2 – Junho/2006 e Agosto/2006)

Roteiro: Brian K. Vaughan
Arte: Chris Sprouse
Arte-Final: Karl Story
Cores: J. D. Mettler

Durante uma entrevista para uma emissora de rádio, o prefeito de Nova York, Mitchell Hundred, é questionado sobre o seu apoio à pena de morte, e isso o leva a se lembrar do tempo em que ainda era a Grande Máquina. Nessa época ele enfrentou um criminoso que possuía poderes semelhantes aos seus, porém, ao invés de se comunicar com máquinas, ele conseguia se comunicar com os animais. Esse foi provavelmente o único vilão de histórias em quadrinhos que ele enfrentou e, por isso mesmo, acabou ficando marcado como seu arqui-inimigo.

História de flashback que foi publicada em edições especiais, fora de sua própria série, Vida e Morte tem o estilo de uma HQ comum de super-heróis, algo que Ex Machina nunca foi. Só essa fuga de estilo já me fez reduzir a nota, mas ela não é ruim. A história é bastante supereroística, mas também tem alguns dos elementos característicos de Ex Machina, como a dualidade entre a trama política e a trama do herói.

Do lado heróico, o mais interessante é finalmente ver Pherson, o maior vilão da Grande Máquina, que tanto foi citado em arcos anteriores. Outra coisa legal é ver Mitchell, Bradbury e Kremlin trabalhando juntos novamente. A dinâmica de equipe deles era muito boa. Já pelo lado político, a questão da pena de morte é muito bem colocada, pois, ao contrário do arco anterior, neste o personagem principal não toma partido, ele deixa no ar para que cada um pense sobre a história de flashback e tente descobrir o posicionamento de Mitchell.

Nota: 8,0 (9,0 + 7,0)

O volume 4 de Ex Machina ficou muito bom, mas não tanto quanto o volume 3. Mesmo assim, ainda é muito acima da média das HQs de linha Marvel e DC. Nesta edição tivemos importantes questões, como a guerra ao terror, a morte acidental de inocentes em nome da segurança e a pena de morte, tudo isso tratado de uma maneira divertida e mesclada com tramas clássicas de super-heróis, a marca registrada da série. Vale muito a leitura, mesmo pra quem não leu as edições anteriores. Só espero que a Panini não demore tanto pra lançar os outros volumes, pois ela está muito atrasada em relação aos EUA.

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