O que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas? Parte 1

Há mais de um ano atrás publiquei uma resenha no Multiverso DC da primeira parte da história do Batman escrita por Neil Gaiman e desenhada por Andy Kubert, história esta que se passa depois de Batman – Descanse em Paz e Crise Final, servindo como um fechamento com chave de ouro para tudo isso. A pergunta que fica para os que não leram, ou que leram mais não tiraram totalmente suas conclusões ainda é: fechou mesmo? Ou nem tanto assim? Seja como for, o objetivo deste artigo é mostrar as coisas legais que foram inseridas na histórias e deixar que nossos leitores decidam se elas, somada à narrativa de Gaiman, fazem da história suficiente para igualar-se, ou mesmo superar, à expectativa gerada.

A História

Como grande parte de tudo que Gaiman escreve, O Que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas? também é envolta de um pouco de misticismo, no caso o pós-morte. Temos vários balões narrativos do Batman que se perguntam o que está acontecendo, já que ele é testemunha do próprio funeral e vê pessoas importantes na sua vida dando depoimentos de sua vida e morte de formas que nunca aconteceram.

Em verdade, a história que Gaiman propôs ao Homem-Morcego deve ser entendida de suas formas que andam lado a lado: 1-) uma homenagem de um grande escritor ao seu super-herói favorito e 2-) uma narrativa surreal que tem tudo a ver com os temas com os quais ele fez sua carreira em todos esses anos. A ideia aqui é fazer da morte do Batman mais uma experiência mística e de quebra da realidade, como normalmente acontecia em suas antigas histórias da Era de Prata. Ou seja, você não vai ver aquele Batman sinistro, renegado e vivo numa cidade suja e escrota, mas sim um herói que usou o medo para espantar seus inimigos, mas também teve momentos de alegria em sua vida e marcou cada uma das pessoas presentes na cerimônia, seja de que forma for.

As maiores provas de que a história trata-se apenas de uma homenagem com o aspecto auto-criativo do autor ligado ao máximo estão na presença de personagens das Eras mais diversas da cronologia do Homem-Morcego bem como no visual de Gotham, que lembra muito uma cidade de uma época passada, e não a Gotham metropolitana que conhecemos hoje.

Utilizando-se mais uma vez de sua força criativa e da liberdade que lhe foi dada Gaiman faz analogias muito engraçadas e divertidas na história, tais como o fato de Alfred Pennyworth, um ator da escola clássica inglesa, ter assumido a identidade do Coringa para dar razão à vida da caça aos crimes de seu patrão. Essa é uma das coisas que mais faz sentido se os fãs pararem pra pensar um pouco pois comprova aquela história de que a maior ameaça pode estar debaixo do seu nariz, além de ter relação total com as próprias naturezas desses personagens: as atuações, as identidades adotadas para propósitos específicos etc.

Referências e Análises

Seria esta história a primeira visualização da Sanção Ômega de Darkseid? Esta é uma teoria bem recorrente em fóruns de discussões, e até nosso amigo Luis Alberto havia comentado isso comigo. Não há evidências reais que sustentem essa teoria como oficial, mas não deixa de ter muita relação com a morte que é vida do vilão máximo do Universo DC. Os fãs ao redor do mundo acreditam bastante nela, mas para não estragar a surpresa aos fãs que estão lendo a história pela primeira vez agora no Brasil, esta teoria será discorrida com mais abrangência na segunda parte do artigo, que sai semana que vem.

Dito isto, vamos comentar algumas referências legais espalhadas pelas páginas da revista. Tenham-na em mãos, meus amigos, pois tem algumas referências muito legais.

1-A ponte Aparo homenageia um dos grandes nomes da indústria que se tornou famoso com o Batman, Jim Aparo. Abaixo “Finger”, de Bill Finger, o grande escritor do personagem por anos.

2-Sim a Mulher-Gato tinha um carro assim na Era de Prata.

4-Uma brincadeira de Gaiman com os famosos “alfa e ômega”. Se Joe Chill iniciou tudo é justo que ele estivesse presente para o fim de tudo também, não?

8-O “Duas-Caras-Móvel” é criação de Gaiman e Kubert, uma forma de dar ao Duas-Caras um carro no estilo Era de Prata. Sensacional visual!

9-Este carro do Coringa também já foi mostrado em histórias antigas.

11-Aquela imagem maior da Mulher-Gato e do Batman no céu é uma releitura visual de Kubert homenageando uma das clássicas imagens desta dupla. É interessante notar que nas próximas páginas ela deixa de ter esse visual teatral e passa a usar a roupa da Era de Prata, a época mais homenageada em toda esta fase do Batman iniciada com Grant Morrison e o mesmo Kubert e terminada agora com Gaiman.

22-Encenação clássica do teatro inglês sempre foi um dos grandes temas tocados por Gaiman em suas obras, como no próprio Sandman em Sonhos de uma Noite de Verão, que faz uma releitura da obra de Shakespeare.

26-Transformação do ator na incorporação do maior papel de sua vida.

27-Aquela imagem no canto superior esquerdo do primeiro quadro é outra releitura visual de Kubert, de uma capa clássica do Batman e do Coringa feita por Jerry Robinson, criador do Palhaço do Crime.

Na semana que vem comentaremos a segunda e última parte da história.

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