[HQview] Ex Machina – Volume 3: Fato vs. Ficção

Após a retomada do selo Wildstorm da DC pela Panini Comics, foi lançado em dezembro de 2009 o volume 3 de Ex Machina, série criada por Brian K. Vaughan e Tony Harris, reunindo as edições #11 a #16, que consistem na história “A Sorte Ajuda”, o arco em três partes “Fato vs. Ficção” e o arco em duas partes “Fora de Circuito”. Vamos à sinopse:

Depois de entender que o fato de ter superpoderes não ajuda muito quando o seu maior problema é a ira dos eleitores ou a opinião pública, Mitchell Hundred está disposto a até fazer pequenos sacrifícios para melhorar sua imagem… mesmo que tudo possa dar completamente errado. Este volume da aclamada série traz as edições 11 a 16 de Ex Machina, criada pelo genial Brian K. Vaughan (Leões de Bagdá, Y – O Último Homem) e com arte do sensacional Tony Harris (Starman). Contém três arcos de história. Vencedor do prêmio Eisner de Melhor Nova Série!
Formato americano (17 x 26) – 148 páginas. – Papel LWC.
Capa cartão.
(Ex Machina 11 a 16)

Roteiro: Brian K. Vaughan
Desenhos: Tony Harris

A edição da Panini já começa com uma história repetida, que já havia sido publicada no volume 2 (da Pixel), mas que foi retraduzida. A Panini chamou de “A Sorte Ajuda”, enquanto a Pixel tinha chamado de “Favores da Sorte”. A história (publicada na edição original #11) é apenas razoável e já foi comentada, portanto vamos direto para a próxima.

O arco “Fato vs. Ficção” (publicado nas edições originais #12 à #14) retoma as boas histórias da série, depois de uma pequena queda de qualidade com “Símbolo”. A estrutura clássica do roteiro é novamente retomada: duas tramas entrelaçadas e alguns flashbacks. Desta vez, a trama principal gira em torno de um novo vigilante fantasiado em Nova York, que pretende assumir o lugar da Grande Máquina. Os personagens clássicos ligados ao passado de Mitchell (Kremlin e Bradbury) são novamente utilizados e dois novos são apresentados: Ray, amigo de infância de Mitchell que comprava gibis junto com ele, e Leto, o dono da loja de quadrinhos que eles frequentavam. Os flashbacks mostram situações relacionadas com esses dois novos personagens. A trama entrelaçada leva o prefeito Mitchell Hundred a atuar como júri em um julgamento, o que o afasta da trama principal e o leva a confrontar um maluco que também foi convocado para o júri.

Esse arco está excelente, mostrando vários pontos de vista (Mitchell no tribunal, Kremlin e Bradbury tentando descobrir quem é o novo vigilante e a comissária de polícia Angotti tentando capturar o novo vigilante), explorando muito bem todos os personagens mostrados e apresentando dois novos personagens que só tendem a enriquecer a série. Também há um mistério (“quem é o novo vigilante?”) e uma brincadeira com a própria mídia dos quadrinhos, ao envolver a loja de quadrinhos que Mitchell costumava frequentar e a edição 265 de Adventure Comics, que é citada várias vezes na história. E ela ainda termina de uma maneira sensacional, com uma discussão tipicamente nerd sobre as mudanças feitas pela DC Comics com seus personagens, ao retirar histórias da cronologia e mudar características básicas de seus personagens, que termina com o seguinte diálogo entre Mitchell, Ray e Leto:

– Você não pode apagar a história! (…) É o Homem de Aço! Do que mais eles se livraram, da verdade, da justiça e do estilo de vida americano?
– Não, a verdade acabou quando mataram Martin Luther King. O estilo de vida americano morreu no Vietnã.
– E a justiça?
– Porra, cara, não existe justiça. Apenas nós.

O último arco da edição, “Fora de Circuito” (publicado nas edições originais #15 e #16), deixa um pouco de lado a temática tradicional da série para mostrar o reencontro de Mitchell com sua mãe, que o tinha abandonado depois do acidente que o deu superpoderes. Um telefonema dela leva o prefeito a tirar licença e se dirigir ao interior dos Estados Unidos, onde ele a encontra morando em um trailer. Essa história também é muito boa, e sua principal função é se aprofundar mais na personalidade de Mitchell Hundred, mostrando seu relacionamento com a mãe, os motivos dela o ter abandonado e a morte de seu pai.

Neste encadernado, os roteiros de Brian Vaughan voltam ao excelente nível do primeiro encadernado, e seus diálogos seguem sensacionais. A arte de Tony Harris mantém o bom nível, mas se supera no arco final, quando ele cria novas disposições de quadros, deixando a história muito mais dinâmica e interessante.

A edição da Panini ficou bem feita, com a volta da capa cartonada e do glossário comentado ao final, mas perde pontos por republicar uma história que já havia saído no volume 2 e pela total falta de materiais extras.


Nota: 9,0

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