Superman Entre a Foice e o Martelo Parte 4: “Ele poderia tê-lo feito cometer suicídio em quatorze minutos”

Por Luis Alberto

Na edição 3, a história finalmente chega à nossa época. Em meados de 2000, Superman ainda se mantém forte, apesar da idade. Com o tempo, e a ajuda de um Brainiac reprogramado, o Homem de Aço conquistou o que sempre quis: uma utopia, um mundo inserido numa União Soviética global. Não havia fome, nem guerras, nem crime. Tudo era perfeito. Ou pelo menos quase…

Os EUA ainda resistiam ao avanço soviético, e numa jogada de mestre, Luthor se elege presidente, e em menos de três meses, retira o país da pior crise econômica enfrentada até então, dando novo ânimo aos cidadãos americanos. Lex, agora sem nenhum dos fios ruivos de cabelo que tivera na juventude, revela enfim seu grande plano: o projeto Lanterna Verde. Após 18 anos decifrando a sequência de palavras que ativam o anel (que nada mais é do que o juramento da Tropa dos Lanternas), cria incontáveis réplicas do artefato, dando o original ao Coronel Hal Jordan, que além de possuir uma incrível força de vontade, odiava os comunistas, pelo sofrimento que fizeram-no passar durante a Guerra.

Porém, a mente maquiavélica de Lex Luthor não usaria um único estratagema em sua última e poderosa investida contra o Homem de Aço. Em Themyscera, sua esposa, Lois Lane Luthor conversa com Diana, a fim de conseguir o apoio das amazonas na hora do ataque final ao soberano soviético. Sem saber de nada disso, Superman é convencido por Brainiac a atacar os EUA, por ser ele uma ameaça a tudo o que conquistara com muito esforço. Eis que surge então, Luthor, e tão rápido quanto aparece, é capturado por Brainiac. Por já estar lá pelos seus 60 e poucos anos, Lex não tem mais forças para resistir, e cai indefeso diante do robô. Instruído por Brainiac, Superman avança em direção a América. Porém, a Tropa dos Lanternas o aguarda, assim como as Amazonas. Derrubando todos os inimigos, um a um, o Homem de Aço chega a Casa Branca, onde uma inabalável hóspede o aguarda.

Ninguém menos que Lois Lane Luthor está a sua espera, com a arma definitiva de Lex: uma carta com dizeres que destroem o coração do herói soviético, pois o faz perceber que se tornara tão vil quanto Brainiac, ao retirar o livre-arbítrio das pessoas, mesmo que elas quisessem permanecer no erro. E falando no robô, ele surge triunfante, revelando que havia manipulado Superman para que ele fizesse exatamente o que queria, e quando ia dar o golpe derradeiro no homem de aço (pelo que pareceu um canhão alimentado por kryptonita), eis que surge o maior herói da Terra novamente: Lex Luthor, que abre caminho para o Superman agir.

A história agora se encaminha para o seu desfecho de forma emocionante, quando Brainiac ameaça se auto-destruir, matando centenas de pessoas caso consiga. A fim de impedir a detonação eminente, o Homem de Aço realiza seu último ato heróico e leva os restos do robô para os confins do sistema solar, mesmo com Lex o avisando que nem ele seria tão rápido de escapar da detonação. É então que numa cena digna de filme, Superman se despede de seu velho amigo Luthor, desaparecendo na explosão da bomba. Lex, depois de 40 anos de investida, vê agora sua missão concluída: “Checkmate, Superman”. Por fim, vemos o mundo restaurando a ordem por si próprio. Luthor consegue avanço científico inimaginável, e deixa um legado histórico. Seus descendentes se tornam importantíssimos, e tudo sendo narrado pelo Superman, que surpreendentemente não desapareceu na explosão, e agora, vivia recluso como um homem comum.

Não há mais o que dizer sobre essa história. Ela é incrivelmente fantástica. Millar começa a te envolver pelo simples fato de conceber um Superman comunista, uma completa antítese daquilo ao que fomos apresentados durante anos. Além disso, seu Lex Luthor possui um carisma enorme, lembrando um Gene Hackman mais sério e arrogante. Depois de passada a novidade, ele vem na edição dois, não mais com um simples herói, e sim um Estadista tenaz, líder da URSS, nos apresentando também um contraponto interessante ao Homem de Aço: o Batman. Ele, que sempre fora seu maior aliado, mesmo tendo ideais extremamente opostos aos do Super, se torna um inimigo ferrenho do Homem de Aço, e acredita em tudo o que é contra o que ele prega. Millar então, através disso, consegue manter o espírito de oposição dos dois, como a inteligência e a força, a anarquia libertária e a ditadura limitadora, a “sombra” e a “luz” (cabe a você identificar qual é qual).

Por fim, na edição três, ele dá uma virada de mesa na trama, com a queda definitiva do Superman, guiada por ninguém menos que Alexander Luthor. Fazendo uma análise fria, a história apresenta aspectos que podem agradar até mesmo os não-fãs do Homem de Aço, e inclusive, não-fãs de quadrinhos! Não é a melhor história da década, e é de certa forma, inferior a algumas coisas que Millar já escreveu (como Authority ou os Supremos), mas talvez por mexer com personagens que estão presentes em nossas vidas desde a infância, seja tão instigante continuar lendo. Mais do que aprovado! Infelizmente, a Panini ainda não publicou isso como um encadernado, tal qual a DC fez nos EUA, porém, a esperança é a última que morre, e até lá, nós ainda temos os sebos e os sites especializados.

E é claro que também, não poderíamos deixar de falar do tão aguardado final. Segundo dizem, o final que Millar havia premeditado, seria esse, com o Superman vivendo na Terra até o Sol ficar vermelho e ele ir perdendo seus poderes aos poucos. Porém um grande amigo sugeriu o final que lemos, que é ESPETACULAR (onde ele lhe dá a última e maior surpresa de toda a história). Após eras e eras, Superman relata os feitos heróicos dos Luthor. Um desses descendentes seria um jovem cientista que fora considerado o mais brilhante até então. Seu nome era Jor-L! E isso foi colocado de uma forma genial, com a redução gradativa do nome Luthor para Luth-145, Luth-1938, Alex-L, Jordan-L, até chegar a Jor-L. Este último, vendo que seu planeta estava em eminente destruição, envia seu único filho, não para um longínquo mundo, mas para o seu próprio mundo, no passado, para que ele “trouxesse a luz às vidas novamente”. E enfim, vemos sua nave cair em 1938 na Ucrânia. Se você não sabia do final antes de terminar a história, assim como eu, deve ter ficado empolgadíssimo e releu ela no mínimo umas duas vezes. Foi um golpe e tanto nos leitores. Agora, adivinhem só, de que amigo foi a idéia do brilhante final de “Superman: Red Son”? Alguém chuta um palpite?

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