Superman Entre a Foice e o Martelo Parte 3: “Eu lhes ofereci a Utopia, mas eles lutavam pelo direito de viver no inferno”

Por Luis Alberto

A segunda edição se passa cerca de 15 a 20 anos após o término da primeira. Superman é atualmente o chefe de Estado da URSS, e suas vestes agora lembram mais uma farda militar que propriamente um uniforme de herói. Já no início desta edição, somos apresentados a Brainiac, o já conhecido computador Coluano que inferniza a vida do Superman, aprontando mais uma das suas. Aliando-se a Luthor (ou seria o contrário?), aprisiona a cidade de Stalingrado numa garrafa, gerando um clima de intensa animosidade entre Superman e Lex, acentuado principalmente pelo deboche e desdém com que o cientista americano trata a preocupação do soviético, com relação aos cidadãos de Stalingrado.

Saindo da América do Norte para a fria URSS, encontramos um ouvinte atento no museu do Superman. É interessante o que se passa nessa cena, pois o sujeito é suspeito só de olharmos para ele, e vendo a insatisfação latente no rosto do homem, temos a impressão de que ele vai fazer algo. Mas quem seria ele? Evitando um suspense desnecessário, Millar nos revela num breve período sua identidade: Batman. Como comentamos antes, o Homem Morcego russo se assemelha muito ao personagem Codinome V, e agora podemos ver a comparação mais viva do que nunca, através desta fala: Mil perdões por interromper uma noite perfeita de opressão totalitária, mas eu tenho um aviso a dar a todos que apreciam respirar. Em exatamente quatro minutos, o museu do Superman vai se consumir numa bela e exuberante bola de fogo. Por favor, permaneçam onde estão se desejarem fazer um protesto contra as táticas de minha organização terrorista. Caso contrário, recomendo que fujam como o diabo da cruz. Batman Desligando”. Em seguida, vemos todo o complexo de prédios explodindo, e o morcego fugindo triunfante dos seus perseguidores, frustrados por terem sido (mais uma vez) ludibriados pelo terrorista. Não só as atitudes do personagem lembram V, como o próprio fato de explodir o prédio serve de ponte entre eles.

No embate decisivo da edição, com Diana seqüestrada e presa pelo Batman, e o Superman refém da mais nova arma desenvolvida por Luthor (roubada pelo terrorista), o Morcego se torna soberano na luta, prendendo o Homem deAço num galpão, banhado de radiação de sol vermelho. O líder da URSS, preocupado pelo que possa vir a acontecer com “seu” mundo nas mãos de um terrorista, faz um apelo desesperado a Diana, que aprisionada pelo próprio laço mágico, num esforço hercúleo, o rompe e leva o gerador de radiação para longe. Batman, agora acuado, prefere morrer a se submeter a “causa” do Superman. Porém, o morcego não foi a única baixa do dia. Diana, retornando do mar da Noruega, onde havia deixado o gerador, volta em um estado lamentável, fraca, e aparentemente, quase sem nenhum poder. Porém, o maior choque do Superman foi a traição de Pyotr, a quem sempre considerou um irmão (invejoso, mas um irmão).

A edição termina com Luthor descobrindo uma nova e poderosa arma, os rebeldes soviéticos, passam a se trajar de morcego e agem por todo o território russo, motivados pela causa de Batman, agora um mártir, e Diana, sem poderes e sem seu único amor, inválida numa cama, cuidada por Pyotr, agora mais um dos “robôs” do Superman.

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