Superman Entre a Foice e o Martelo Parte 1

Introdução por Felipe Morcelli

Superman: Entre a Foice e o Martelo tem uma ligação especial com o Multiverso DC desde o início do site. Quando tudo começou, em janeiro de 2008 (com o site tendo uma navegação terrível e um layout horroroso) uma resenha sobre a linha de bonecos desta série foi a primeira matéria escrita especialmente para o lançamento do site. Hoje, dois anos depois, sem nem saber disso, o nosso amigo e colaborador Luis Alberto me manda um resenha de 11 páginas (o.O) sobre esta grande história de Mark Miller. Portanto, sem mais delongas, fiquem com a primeira parte deste texto espetacular de uma história memorável que certamente vocês vão adorar tanto quanto eu.

Texto Por Luis Alberto

Um mundo longínquo chega a seu fim. O último sobrevivente do planeta, um bebê, viaja pelo universo em direção a uma civilização atrasada, cientifica e biologicamente, em milhões de anos, se comparada à sua. Ao chegar ao novo mundo, a criança é criada por um casal de fazendeiros e adquire poderes fantásticos com o passar do tempo, por sua fisiologia única. Todos nós já conhecemos essa história, não é mesmo? Aí é que vem a surpresa! Esse não é o Superman. Pelo menos, não o que conhecemos…


O que aconteceria se a nave do Superman caísse doze horas antes na Terra? Essa é a premissa de “Superman: Red Son” (Superman: Entre a Foice e o Martelo, Panini do Brasil, 2004). Essa sensacional história de Mark Millar e Dave Johnson, “brinca” com os pilares fundamentais da DC, de forma séria, adulta e instigante. Na história, a nave cai numa fazenda coletiva da Ucrânia em 1939 (ano de criação do Super), e ao invés de lutar pela “verdade, justiça e o modo de vida americano”, Superman passa a servir de propaganda soviética. Além de apresentar um mundo influenciado politicamente pelo Homem de Aço, e moldado à sua imagem, a história apresenta personagens cheios de personalidade e uma trama que evolui com o tempo, terminando de forma surpreendente.

Podemos ao longo da história acompanhar a transformação do Superman, de uma mera ferramenta nas mãos de Stalin, a um Estadista, capaz de governar a mãe Rússia com punho de ferro, e expandir o conceito de Socialismo pelo mundo. Surpreendentemente, seu sistema governamental dá tão certo, que em meados dos anos 60, 10 anos após assumir o poder, só os EUA e o Chile se mantinham no sistema capitalista. Além disso, o Homem de Aço é provedor de um intelecto impressionante, demonstrando aptidões não só científicas, como artísticas e estratégicas.

Vemos também Diana, a Mulher-Maravilha. Como geralmente ocorre com a personagem, acaba permanecendo na mesmice de sempre… É apresentada como a princesa e embaixadora de Themyscera no mundo do patriarcado, e ao se aproximar de Superman por motivos políticos, se apaixona por ele. Contudo, esse amor não é correspondido, e mesmo após ter feito o sacrifício extremo (que você descobrirá após ler a história), não tem sua paixão correspondida. Por isso, se torna uma mulher amarga com o passar dos anos.

E falando em amargura, temos a “Anarquia de Preto”, o único homem que Superman jamais conseguiu pegar: O Batman! O elemento de origem mantém-se o mesmo: um garoto vê seus pais serem mortos, e jura vingança a partir desse dia. O “herói” é descrito por Millar como um anarco-terrorista dotado de uma inteligência acima da média, sem chegar a ser um gênio. Seu objetivo é simples: arruinar o Superman, e toda sua corja de “abutres opressores” junto. Já vimos algo parecido em V de Vingança, do mestre Alan Moore, no sentido que, ambos travam uma luta nobre, pelo fim da opressão e restauração da liberdade. Porém essa sede de liberdade é alimentada pela vingança, e toda a honra que se poderia se ter no ato, acaba manchada, e torna-se meramente retaliação. Apesar de a identidade do morcego não ser revelada, isso se torna irrelevante. Aliás, oferece a ele até mais mítica.

Contudo, analisando a história como um todo, acabamos vendo que o personagem central não é o Superman em si, mas sim seu arqui-inimigo, Lex Luthor. Aliás, este talvez seja o maior mérito de Millar nessa história: retratar Luthor como ele é! O escritor escocês mostra que Lex é um homem fascinado pela ciência, um pesquisador brilhante, mas que acaba tendo a genialidade sobreposta pela obsessão de encontrar um fim definitivo para o Superman. Em “Superman: Entre a Foice e o Martelo”, a genialidade de Alexander Luthor foi ressaltada de tal forma, que todos os vilões que estamos acostumados a ver nos quadrinhos do Super, como Parasita, Metallo, Bizarro, e até mesmo o Apocalipse, saíram da mente pseudo-insana de Lex. Até mesmo o aparelho usado por Batman para deter o Super na edição 2, que emitia radiação de Sol vermelho, foi ideia de Luthor!

Curiosamente, ele é casado com Lois Lane, que apesar de ser importante na história e ter um papel decisivo no desfecho da obra, é meio que ofuscada pelas personalidades e desenvolvimento de outros personagens, como o próprio Luthor. Vamos então para uma passada pelas três edições de “Superman: Red Son”, lembrando que, falaremos de fatos ocorridos na trama, então caso você não tenha lido, o melhor a fazer é preservar sua mente pelo que está por vir, porque a história vai ficando cada vez melhor, principalmente quando vai chegando ao seu fim. Então, até lá!

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