Resenha (filosófica) de Crise Final nº 6

Lembre-se de “Zur-En-Arrh”, ou “Zorro in Arkham” ou simplesmente “Zorro no Arkham”. Agora tenham em mente “geh-jedollah – o absoluto” e vamos separar o que significa esta frase, já que Grant Morrison sempre gosta de fazer jogos com palavras. “Geh-jed” é uma brincadeira com “gadget” e “ollah” vem do sufixo “ullah”, que nas línguas árabes significa “de Deus”, ou seja, a Máquina dos Milagres é o gadget de Deus, ou seja, o aparelho que ele vai usar para salvar o mundo que criou por um homem preparado – qualquer semelhança com o Rei Artur e Excalibur não é mera coincidência, é proposital, já que estamos lidando com o Superman, o mais preparado herói do planeta para inspirar e fazer o necessário sem jamais causar efeitos colaterais a ninguém.

Com esta ideia em mente, podemos nos preparar para o término de Crise Final, que acontece em janeiro deste ano no Brasil. Esta edição nem tem muito sobre o que se filosofar, já que ela é totalmente direta em sua narrativa. A única lição que tiramos dela é que: mesmo quando o mal ganha, as soluções no fim acabam sendo as mais simples possíveis:

  • a Canário Negro quer que Ollie se liberte da antivida pelo seu amor;
  • a saída dos Lanternas Verdes, que estão presos na sangria, no fim vem da própria força de vontade de cada um deles unidos;
  • o Batman acaba com Darkseid com apenas uma bala;
  • Lex Luthor, traindo Libra, mostra apreço pela vida (afinal, que graça tem dominar um mundo que acabou?) e liberta o Calculador e destrói Libra sem nem dar chance de ele voltar;
  • o próprio Libra, no fim das contas, era só um profeta, que foi largado pelo seu mestre;
  • no fim, uma única letra, um único símbolo, tendo a fé necessária, é capaz de impedir a antivida contanto que ele esteja em seu rosto;

A briga de Darkseid e Batman é um capítulo à parte, não só por ser O Batman, mas também porque ela envolve um outro acontecimento nesta edição que é muito importante: a corrida dos Flashes contra o Corredor Negro. O Batman matando Darkseid com a mesma bala que matou Órion é uma ideia genial de Morrison, que fecha a vida de Bruce Wayne da forma que este ciclo foi aberto há tantos anos, com uma arma e uma bala – ele abre uma exceção para eliminar O MAIOR de todos os males que qualquer ser vivo já viu. E aqui vai uma nota problemática da edição brasileira: no quadro em que o Batman fala “gotcha!” que seria um “te peguei!” foi traduzido como “acertei”; não que esteja errado, muito pelo contrário, mas pelo evento que aconteceu ao herói para nós que sabemos o que Sanção Ômega faz, um “te peguei” cai muito melhor, afinal, ela não mata, mas sim joga o espírito desta pessoa a uma série de vidas de sofrimento num loop eterno. O que o vilão não sabe, é que o Batman já sabe como escapar, exatamente como o Sr. Milagre fez em 7 Soldados da Vitória.

O que é realmente bacana é o que citamos acima sobre a família Flash. O tiro que o Batman deu no Darkseid fez com que ele iniciasse o processo de morte por deterioração do rádion, precisando apenas ser capturado pelo Corredor Negro para morrer. Os Flashes planejam levá-lo (sem saber o que o Batman fez) até o próprio Darkseid para tentar fazê-lo com que ele leve o grande vilão consigo – com o que o Batman fez, naturalmente o Corredor já verá Darkseid morrendo e certamente o pegará. Será que isso vai mesmo acontecer? Veremos na última edição.

Outro detalhe muito interessante vem da Agência Global de Paz, liderada pelo Xeque-Mate e outros remanescentes. Numa caracterização bastante heróica, Morrison faz com que Renee Montoya seja a pessoa mais adequada para angariar heróis por todo este multiverso para tenha força necessária para salvar o que sobrou da humanidade: enquanto os heróis enfrentam todos os deuses do mal restantes, os humanos que não foram dominados pela antivida serão transportados para um mundo das 52 Terras que está mais preparado para recebê-los. Esta ideia de Morrison é um problema: em si, ela é ótima, mas a execução dela é considerada um salto muito grande numa cronologia estabelecida há tantos anos como a da DC. É fácil perceber nesta edição que ela foi escrita com uma certa pressa – para quem não acompanhou os eventos no ano passado, foi divulgado em todos os sites especializados que o autor teve que reescrever todo o final da série às pressas porque Dan DiDio não concordou com o que ele fez, levando a J.G. Jones a não conseguir cumprir os prazos e tendo outros desenhistas fazendo tudo às pressas também. Complicado, não? Veremos na última edição como isso vai se resolver.

Análises e Referências:

Tenham suas revistas em mãos, é hora de darmos uma estudada =)

1-Tudo que está sendo mostrado aqui acontece depois de Superman Beyond #2, que sai agora em janeiro pela Panini em todo o país em Crise Final Especial nº 6.

3-Hora de uma explicação. A Máquina dos Milagres apareceu, pela primeira vez, em Adventure Comics #367, no melhor estilo “deus ex-machina” dados pelos Controladores à Legião dos Super-Heróis pouco tempo antes. Percebam que ela tem muito a ver com os circuitos de Metron. E agora, mais algumas informações interessantes: a Máquina apareceu algumas outras vezes. Primeiro em All-New Collector’s Edition #C-55, de 1978, uma espécie de tablóide no qual Relâmpago e Satúrnia se casam e o Senhor do Tempo se revela um Controlador. Tempos mais tarde ela volta a aparecer em Superboy & The Legion of Super-Heroes #250 e #251, em que Brainiac 5 a usa para enfrentar uma ameaça terrível que se chama (se preparem!) Ômega! E ela se torna, vejam só, uma pequena CRISE!!!

5-Para quem não sabe (mesmo porque a revista The Rey praticamente nem saiu por aqui), Dinah Lance e o herói deram um rápido pega na época.

6-7-Leiam, procurem, comprem MIRACLEMAN #15 e falem se isso que está acontecendo com a Família Marvel não se assemelha tanto ao que acontece lá =)

8-E com Mary Marvel estava Dessad mesmo, como havíamos comentado em outras resenhas

13-Sim, realmente os sons de cavalgadas são plausíveis, pois ao fundo pode-se ver as Fúrias Femininas chegando com seus cachorros gigantes.

15-A Panini podia ter corrigido o erro de colorização de Shilo Norman

16-17-O que Sonny Sumô fala aqui já foi comentado no Multiverso também, num artigo sobre ele.

18-Esses slogans da antivida são demais mesmo =D

21-Em inglês, o ser é chamado de “Lord-Eye”, devido ao próprio fato de, antes, tudo ser controlado por Maxwell Lord. Claro, a Agência Global de Paz vem de Kirby e suas histórias do OMAC original.

24-O Flash Negro foi criado por Grant Morrison e Mark Millar na revista mensal do Flash em 1998

26-Todo este visual vem Sete Soldados da Vitória #1

27-Para quem não leu o grande clímax de Os Invisíveis: “uma bala no lugar certo” .

28-29-Uma imagem que se tornou clássico instantâneo!

30-31-Morrison inventa um novo tipo de quadrinhos – se ele fez histórias widescreen, literárias e hiper artísticas, agora ele inventa os quadrinhos “mudança-rápida-de-canal-de-tv”. E vejam que, no fim das contas, a maior força de vontade acaba vindo de Guy, como já comentamos em outros artigos aqui no site.

33-Caraca, o Homem-Hora chegou rápido do hospital pra cá o.O

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