[HQview] Ex Machina – Volume 1: Estado de Emergência

Em outubro de 2005, a Panini Comics trouxe ao Brasil as cinco primeiras edições de uma série criada por Brian K. Vaughan no ano anterior para o selo WildStorm da DC, vencedora de dois prêmios Eisner (melhor nova série e melhor roteirista), em um encadernado de 148 páginas. Depois, a Pixel Media publicou o volume 2 e agora, no final de 2009, a Panini novamente retoma a publicação da série, lançando o volume 3. Por isso, tem início aqui uma sequência de reviews desta excelente série. Vamos logo à sinopse então:

Mitchell Hundred era um engenheiro civil como tantos outros até que um evento muito estranho conferiu-lhe poderes especiais e ele se tornou o primeiro super-herói do mundo. Porém, cansado de aventuras que não mudavam nada, Mitchell decide que é hora de fazer alguma coisa mais significativa pelo mundo – algo que ele jamais conseguiu sendo o herói conhecido como A Grande Máquina. Assim, ele decide concorrer à prefeitura de Nova York e consegue uma vitória esmagadora!

Conheça a revolucionária série que arrebatou a crítica dos Estados Unidos, ganhou dois prêmios Eisner (Melhor Nova Série e Melhor Roteirista) e trouxe novo fôlego ao gênero de super-heróis! Misturando drama, ficção e política, o roteirista Brian K. Vaughan (X-Men Millenium) monta uma história cheia de nuances, que Tony Harris (Homem de Ferro, Starman) retrata magistralmente!

Este volume reúne as cinco primeiras edições de Ex Machina e traz também todas as capas originais, o processo de criação do artista Tony Harris, um glossário e um mapa de Nova York em 148 páginas de ação e suspense.

Roteiro: Brian K. Vaughan
Desenhos: Tony Harris

Um dos trunfos do roteirista Brian Vaughan é situar a história no mundo “real”. Ele usa lugares, situações e todo o cenário político que estamos acostumados a ver nos jornais como cenário para sua trama, o que enriquece muito a história. Muitas referências podem ficar perdidas para os leitores brasileiros por tratarem de situações e lugares dos EUA, mas é aí que se destaca a primorosa edição da Panini, que traz um mapa da cidade de Nova York, marcando os lugares citados na história, e um glossário com explicações detalhadas de todas as referência ditas pelos personagens.

A história começa em janeiro de 2002, com Mitchell Hudred assumindo seu lugar na prefeitura de Nova York e segue a partir daí, mostrando algumas das situações que ele tem que enfrentar como prefeito, e como isso contrasta com sua antiga carreira de super-herói. Sua história anterior como justiceiro mascarado é contada em forma de flashbacks durante toda a história. O encadernado reúne as cinco primeiras edições da série, sendo a primeira, entitulada “O Piloto”, servindo de apresentação e introdução dos personagens, e as quatro seguintes que formam o arco “Estado de Emergência”, que dá título ao encadernado.

Mitchell Hundred ganhou o poder de se comunicar com equipamentos eletrônicos ao encontrar um artefato misterioso boiando perto da ponte do Brooklyn. A origem do artefato não é explicada nesta história. Com o apoio de seus amigos Rick Bradbury (o comandante do barco que o levou até o artefato) e Ivan ‘Kremlin’ (um imigrante russo amigo da família Hundred), Mitchell tornou-se A Grande Máquina, o primeiro super-herói do mundo.

Mas, ao contrário da maioria dos super-herói da DC em que se espelhava, os feitos da Grande Máquina são tratados de maneira bastante realista, explorando as consequências de seus “resgates heróicos”. Sua primeira missão, por exemplo, foi remover dois surfistas de trem, mas um deles acabou se desequilibrando e caindo do trem. Mitchell o agarrou no ar, mas, como estava fora de forma, quebrou seu braço no processo e o largou no trilho do metrô. Para salvar a vida do rapaz, ele usou seus poderes para parar o trem. No dia seguinte, a matéria estampada na primeira página de um dos principais jornais da cidade era: “Homem alado maluco desativa o metrô por 11 horas”.

Depois de aproximadamente um ano atuando como Grande Máquina, Mitchell percebeu que suas ações causavam mais transtornos à população do que benefícios, e resolveu se aposentar da carreira de vigilante para concorrer à prefeitura de Nova York. Ele só voltou a vestir seu antigo uniforme uma única vez, na melhor referência da série, em setembro de 2001, para deter terroristas que pretendiam jogar aviões comerciais contra as torres gêmeas do World Trade Center. Infelizmente, ele chegou tarde demais para impedir a colisão do primeiro avião. Agora, na cidade de Nova York, a única torre restante repousa ao lado de uma coluna de luz, em homenagem às vítimas da torre caída.

Duas ameaças à prefeitura se entrelaçam nesse primeiro arco. A primeira é a mais interessante, pois trata-se de uma situação típica do nosso mundo real, que dificilmente alguém poderia imaginar como sendo o plot principal de uma história de super-herói (o que ocorre no segundo capítulo). Um quadro é exposto no Museu de Arte do Brooklyn, que é financiado principalmente pela prefeitura, que se resume a uma foto do ex-presidente Abraham Lincoln sobreposto pela palavra “crioulo”. Isso desencadeia uma série de manifestações populares que vão exigir uma rápida estratégia do prefeito para serem resolvidas. Ao mesmo tempo, uma série de assassinatos a caminhoneiros da prefeitura leva Mitchell a suspeitar de um dos homens que ajudaram a criar a Grande Máquina.

O roteiro de Vaughan é excelente, com a construção de seu mundo ficcional sobre o mundo real, e o entrelaçamento das duas ameaças citadas acima com os flashbacks de origem, o que torna a história incrivelmente dinâmica pra uma trama política. E os desenhos de Tony Harris dão o tom perfeito pra trama, dinâmicos e realistas, mas nem tanto, assim como a história.

Nota: 9,5

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