[HQview] Ex Machina – Volume 2: Símbolo

Em setembro de 2008, 3 anos depois da publicação do volume 1 pela Panini, a editora Pixel Media publicou no Brasil as edições #6 à #11 de Ex Machina, série criada por Brian K. Vaughan e Tony Harris, publicada pelo selo WildStorm da DC. O encadernado reúne o arco em cinco partes “Símbolo” e a história “Favores da Sorte”. Na verdade a Pixel já havia publicado estas mesmas histórias anteriormente, mas em forma de mini-série. Vamos à sinopse:

Ex Machina é uma série criada por Brian K. Vaughan e Tony Harris em 2004 e que foi um dos maiores sucessos do ano do selo Wildstorm. Nela, somos apresentados a Mitchell Hundred, também conhecido como a Grande Máquina, o primeiro e único super-herói do mundo. A trama se passa quando ele deixou o uniforme para trás e se tornou prefeito de Nova York.. Os focos principais são as situações políticas nas quais ele se envolve e também os mistérios que cercam seus poderes ao mesmo tempo em que a trama principal é entrecortada por flashbacks do passado dele.
Este álbum encaderna a minisérie lançada pela Pixel e mostra o prefeito Mitchell Hundred tomando uma das decisões mais polêmicas de sua carreira e, enquanto a prefeitura tem que lidar com as conseqüências, algo sobrenatural que pode ter ligação com o passado da Grande Máquina começa a atacar o metrô de Manhattan. Originalmente publicada em Ex Machina # 6 a #11.
Formato americano
150 páginas

Roteiro: Brian K. Vaughan
Desenhos: Tony Harris

A história segue a mesma estrutura do arco anterior, entrelaçando uma trama política com outra relacionada aos dias de Mitchell Hundred como super-herói, e intercalando com flashbacks. Desta vez, a trama política é o casamento homossexual, que o prefeito Mitchell decide realizar para unir o irmão de seu assessor Wylie com seu companheiro. A trama entrelaçada é o reaparecimento de uma parte do artefato que deu superpoderes a Mitchell, causando comportamentos psicóticos nas pessoas que entram em contato com ela. Esta mesma parte também é tema dos flashbacks, que mostram o agente Jackson Georges, da Agência de Segurança Nacional (ASN) e a Grande Máquina tentando decifrar o símbolo contido no artefato, logo após a divulgação de sua identidade ao público.

Apesar da história ainda estar acima da média dos quadrinhos em geral, ela é bem mais fraca do que o primeiro arco. A trama política tinha bastante potencial, afinal o casamento gay é sempre um assunto polêmico. No arco anterior, no caso do quadro do museu, o prefeito Hundred usou vários de seus assessores, a diretora do museu e até a própria pintora, ou seja, tivemos vários pontos de vista e de atuação. Neste caso do casamento, o foco é todo no prefeito, o que mostra a situação de um ponto de vista muito unilateral. A única divergência vem de extremistas, portanto faltou o contraponto nessa polêmica.

Por outro lado, a trama que envolve o artefato que deu superpoderes ao prefeito é bem explorada e possui um mistério do tipo “quem é o assassino?” muito bem trabalhado, que se interliga com os flashbacks apresentados. Essa parte é bem sangrenta, mostrando braços cortados, tripas expostas e esse tipo de coisas. Mesmo assim, ao final ainda fica a sensação de que a história está incompleta, pois a origem do artefato continua sendo um mistério.

Finalizando a edição, temos a história “Favores da Sorte”, que mostra a tentativa do prefeito de proibir os ciganos, cartomantes e adivinhos na cidade. A situação se complicada quando ele começa a acreditar em uma cigana que teoricamente previu os ataques de 11 de setembro de 2001. Essa história é interessante por mostrar os conflitos de crença de Mitchell, mas foge um pouco da temática da série.

Os diálogos de Brian Vaughan continuam espetaculares, assim como seu desenvolvimento de personagens. O destaque desta edição vai para o relacionamento entre Mitchell e a repórter Suzanne Padilla, cheio de altos e baixos. E os desenhos de Tony Harris seguem o bom nível da edição anterior.

O nível da edição da Pixel é inferior ao primeiro encadernado da Panini. O glossário que existia na Panini não existe aqui, em compensação as referência são explicadas nos próprios quadros onde aparecem. Não existe mapa, e os esboços de Tony Harris são mostrados entre os capítulos, ao invés de estarem todos reunidos no final. Mas o principal fator contra a Pixel é a capa, que é mole ao invés de cartonada como o da Panini. No fim, uma edição que ainda vale muito a pena, apesar de ter caído um pouco em relação à primeira.

Nota: 8,0

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