Falando da Morte de Ajax: Réquiem

Estávamos devendo um texto sobre a morte de Ajax há um bom tempo aqui no site e meu amigo de longa data Sérgio Vieira escreveu um texto bem pessoal e emotivo sobre o falecimento de seu herói favorito. Vejam abaixo seu texto na íntegra, feito especialmente para o Multiverso DC.

Chocante, brutal, assustador. E uma pergunta: necessário? Enfim, amigos DCnautas, venho através desta lhes comunicar uma nota de falecimento: Ajax, O Caçador de Marte, J’onn J’onzz, o cara que se transformava em “Perna-longa” bateu as botas. Foi desta pra melhor, ou não! Mas a pergunta ainda não quer calar: necessário? Pra que isso?

Talvez não fosse necessário matar Ajax, penso eu como fã. Mas a Crise Final precisava de um impacto, de algum herói forte sendo morto de um modo brutal. Era isso. Mas logo o Ajax? Poderia ter sido algum dos lanternas (afinal eles são mais de um, com o mesmo nome e poder), ou ainda algum outro herói. Porém, não adianta chorar pelo leite derramado, o que está feito está feito, e não tem mais volta. Só nos resta esperar que os “DC-Boss” saibam o que estão fazendo…

Deixando comentários particulares de lado, vamos ao que interessa de verdade. Libra é o cara, e como se não bastasse, ele quer todos os principais vilões do seu lado, para poder colocar em prática o seu plano e, ainda mais, impressionar seu colegas do mal. Então, o que fazer? Como alcançar seus objetivos? Simples: mate um super-herói super-forte e você terá tudo em suas mãos e de brinde uma crise.

Dito e feito. E diga-se de passagem, ele simplesmente matou tragicamente um dos heróis mais forte do Universo DC, segundo alguns até mais forte que Superman. Primeiro atingido por mais de 300 dardos “pirotranquilizadores” criados pelo Dr. Silvana, ele é depois mantido sob chamas, permanecendo imóvel, como um objeto de alguma peça teatral, apenas esperando que mudem o cenário, para que apareça.

Quando Libra manda seus homens trazê-lo, ele está semi-acordado e quando atravessado por uma lâmina empunhada pelas mãos do próprio Libra (que ainda diz: “Detestaria enfrentar esse sujeito numa luta justa”), Ajax reage, gritando o nome de sua esposa marciana: “M’yri’ah”, e de súbito atinge Libra com um golpe fazendo o voar longe, e também ataca os demais vilões. Ele parece estar se recuperando, e usa uma de suas armas mais poderosas, o controle mental, e faz a Liga da Justiça aparecer, quebrando paredes e tudo mais, e enfrentar todos numa luta feroz, onde a LJA parece levar uma vantagem esmagadora. Mas Libra é esperto, e simplesmente avisa a todos sobre o que realmente está acontecendo: não há herói nenhum além de Ajax, agora agonizando, com uma lâmina no peito, novamente pelas mãos de Libra. E tem mais, ele ainda é queimado vivo, e no momento derradeiro, com a faca de Savage, Libra aumenta ainda mais a aflição do marciano e ainda avisa que Ajax é apenas o primeiro herói a morrer.

As imagens são espetaculares, dignas de serem chamadas de reais. Chocantes. Assustadoras. A arte muito bem elaborada completa o roteiro de uma forma impecável. A expressão de dor no rosto de J’onn com seus olhos vermelhos é muito real. E como se não bastasse Libra retira a lâmina com a qual atacou J’onn e sem mais uma palavra desfere o golpe fatal. Imediatamente outros heróis, em diversos lugares diferentes sentem a presença moribunda de J’onn. Asa Noturna é quem o encontra primeiro. Seu corpo todo perfurado e ensangüentado e ainda pendurado numa imagem do planeta Marte.

As memórias de J’onn J’onzz são compartilhadas por todos os heróis da Liga da Justiça. E cada um descobre a vida de Ajax, desde as guerras marcianas contra marcianos brancos, sua família, de seu temor pelo fogo, sua chegada a Terra e sua adaptação aos costumes e modos… E são todas escritas em um livro: “Marte: Uma História por J’onn J’onzz”.

A LJA se reúne. O funeral é feito e o enterro será em Marte. Superman leva a antiga casa onde Ajax vivia, que foi trazida a Terra por Espectro e a LJA viaja a Marte com a ajuda dos Lanternas Verdes. Superman faz as honras ao colega morto, frente ao corpo colocado num caixão. O livro é fechado, as últimas palavras faladas… Batman (sem a máscara) é o ultimo a sair do lar de J’onn, e, debruçado no caixão, ainda lhe presta uma última homenagem deixando uma bolacha de chocolate perto das mãos dele em cima do vidro lhe dizendo: “Adeus, velho amigo.

A história tem pontos fortíssimos, como as cenas do assassinato do marciano a sangue frio cometido por Libra são espetaculares. No roteiro tudo se encaixou perfeitamente para ser uma obra de impacto. A história da vida de J’onn contada no final, como um livro é algo digno de ser guardado e relido várias vezes. E o final, com Batman sem capuz é não menos que emocionante… Com certeza é uma leitura que vale muito a pena, mas eu volto a perguntar: tinha mesmo que ter sido o Ajax?

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