Batman: Elegia para um Herói Parte 1

batman-682-capaA superação do maior desafio da vida do Batman. Foi uma longa jornada até aqui, não? Para quem não lembra, há meses estamos fazendo uma recapitulação detalhada e cheia de referências de tudo que aconteceu na vida do Cavaleiro das Trevas sob as mãos de Grant Morrison e seus comparsas Andy Kubert, Tony Daniel e J.H. Williams III – tudo para culminar aqui, nos ritos finais de nosso herói favorito. A Elegia Para Um Herói, ou simplesmente Batman: Last Rites é o grande epílogo dos acontecimentos anteriores, mas também funciona como ponte para os acontecimentos de Crise Final.

Se você achava que o Batman tinha morrido numa explosão de helicóptero, se enganou mortalmente. O jogo clichê de Morrison foi exatamente o que poderia se esperar dela: um chiste, apenas uma piada para nos enganar e mostrar o herói vivo e salvo, mas não tão são assim, na edição seguinte. Vamos entender, a partir de agora, a força da mente de um homem comum enquanto ele é torturado na máquina de Mokkari e Símio, processo que se iniciou em Crise Final nº 2 – enquanto os autores utilizam essa ferramenta para explicar todas as loucuras das eras de ouro e prata do herói.

Batman #682 – O Culpado é o Mordomo

1-3-Bruce em casa como visto em Ano Um, de Frank Miller. Ele sabe que não pode ser efetivo contra o crime desta forma, precisando renascer como um símbolo, que é o foco de toda a passagem de Morrison por ele.

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4-Bruce ficou noivo de Julie Madson em Detective Comics #31, mas ela sempre acabava ficando de mãos atadas com o ausente noivo.

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5-Alfred contou uma série de contas imaginários que se iniciaram em Batman #131, todos especulando sobre o futuro e um certo “Bruce Wayne Júnior”, conhecido também como Robin II, e Dick Grayson, que se tornaria o segundo Batman. Isso pode implicar que o narrador de Batman #666 não fosse Bruce mas sim o mordomo. De qualquer forma, independete dos teóricos da conspiração de plantão por aí, na revista da Liga da Justiça Morrison escreveu um capítulo imaginário que em que Tim Drake se tornaria o Batman e Bruce Jr. o Robin. Algo mais ou menos assim acabou acontecendo mesmo, não?

Curiosamente, “são todas histórias imaginárias!” é o padrão de defesa pseudo-intelectual por não possuir lógica nenhuma numa história :D

6-Nos idos dos anos 1930 e 1940 o bem e mal eram mais facilmente reconhecidos nas histórias, pois os escritores faziam questão de deixá-los sempre muito bem definidos.

Interessante que em muitas revistas do Batman em todos esses anos várias “doutores” apareceram, sempre de má índole (Dr. Hurt, Dr. Hugo Strange, Dr. Morte etc). Será que os escritores têm medo de ir ao médico? Será que um dia um vilão do Batman será um dentista psicopata? =D

7-O primeiro painel vem diretamente de Detective Comics #27. Com mais referências a químicos, sendo que antes tínhamos visto o laboratório do Dr. Morte.

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8-Essa imagem do Batman é clássica e já teve releituras em diversas revistas ao longo dos anos.

9-Uma das páginas mais legais de Morrison até hoje! E com mais drogas!

10-O quarto painel vem de Detective 33: “Batman luta contra o dirigível da morte”. Nessa história, Bruce se veste com um uniforme meio que indígena (sério) e acaba com a reça da galera dentro do zepelim. E isso pode ser entendido como: não, eles não ficaram vivos. Lembrem-se eram os anos 1930.

11-13-Algumas páginas de Detective Comics #38 e The Untold Legend of the Batman, que fazem alusão aos paineis que vemos aqui. Interessantemente o trabalho de Len Wein é um dos que mais permanece no “Morrisonverso”.

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Percebam os bizarros anacronismos entre vermelho e preto nas páginas 11, 12 e 13. O protótipo do Batmóvel er aum carro vermelho, e sua presença aqui dá mais peso à fala de Alfred sobre a perda da cor e vidas monocromáticas. A cena dele com o Robin dentro do carro, toda em vermelho e preto é uma homanegm ao Batman e Robin de Frank Miller e Jim Lee.

14-O Coringa sim tem estilo! Ele já teve vários veículos no decorrer das décadas, sempre muito elegantes =D Ah sim. Seria muito fácil se Batman considerasse o penúltimo painel um sonho, mas como ele pode? Afinal, em suas mãos está o bat-rádio!

coringa-coptero coringa-plano

15-Ace, o Bat-Cão! Afinal, ele também tinha que dar as caras por aqui, não é mesmo? Ele apareceu em Batman #92. Será que um dia Morrison fará com ele o mesmo que James Robinson fez com Krypto? Seria bacana! Olhem as falas dele aqui:

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HAHAUIAHAIUHAIUAHAIU fantástico! E ali está Robin na máquina de escrever gigante.

maquina-de-escrever-gigante

Percebam que o Batman não consegue tirar os químicos de si. Isso o acompanhou por anos e, no fim das contas, a resposta acaba sendo a própria pista, ou seja, químicos. A primeira luta do Batman foi na Apex Químicos, e Ace Químicos era o nome do mesmo lugar na Piada Mortal, que transformou o Coringa.

16-Isso foi um sonho que Robin teve um Batman #122. E quando fala da Batgirl, ele se refere à Betty Kane.

18-Batman na máquina. Vejam nossas anotações de Crise Final para entenderem o que está acontecendo. Ali, vemos Lump (alguém se lembra do nome em português?). Nas histórias originais de Jack Kirby, mais extamente em Mister Miracle #8, o personagem administra distorções de pensamento dentro do universo das memórias.

19-O Borracha (podem rir) tentou, hã, “apagar” Bruce Wayne em Batman #188.

Aquela Hera Venenosa ali é, na verdade, a Mulher-Gato com a roupa dela. Isso, provavelmente, veio de Batman #197. Pois é, obscuro assim =)

20-Assustador! Aqui vemos algumas distorções de memórias. Dick só se revelou como Asa Noturna ao Batman bem depois de ter aigo pela primeira vez com os Titãs em Contrato de Judas. E a relação deles estava terrível na época.

21-O Lump dá algumas dicas do atual estado real do Batman com as palavras-chave “dor” e “sonho”. O que torna tudo um grande pesadelo acordado.

“Eu criei uma história uma vez… como uma forma de colocar as coisas em perspectiva” – opa, parece que isso tem a ver com a história de Neil Gaiman que veremos mais à frente!

Bruce confia em Dick a ponto de que nem Alfred pode convencê-los de que Robin quebrou sua promessa – mais um ponto forte da relação dos dois que molda o futuro do manto.

“Eu vou pegar você”. Exatamente o que Bruce disse para Jezebel em #680 antes de ela revelar sua verdadeira natureza

22-”Paciente Mental” e “envenenado” são palavras com bastante ênfase aqui, pois isso vem diretamente do Coringa e seu ataque no fim de Ano Um e, mais explicitamente, em O Homem que Ri, de Ed Brubaker e Doug Mahnke.

23-E preparem-se para Mokkari e Símio no próximo artigo!

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