Resenha (filosófica) de Crise Final nº 4

cf4-capaA anti-vida é a prova matemática de que Darkseid é o mestre por direito de toda a existência.” – Oráculo

A quarta edição da Crise Final é marcada por tantos acontecimentos que um resenha, por maior que seja, é impossível de mostrar as várias nuances desta narrativa, a começar pela inusitada narrativa de Ray, um personagem que andou tão escondido quanto outros de menor categoria dentro da editora, mas que tem uma participação tão importante neste ponto da história como qualquer outro dos grandes ícones, passando por tudo que acontece ao Arqueiro Verde e ao mundo à nossa volta, até chegar à reencarnação definitiva do mal puro.

Se nas edições anteriores Morrison foi cauteloso, mostrando aos poucos determinados acontecimentos, aqui ele escancara a situação real do Universo DC: o Multiverso todo caiu e Darkseid, aliado à forma completa da anti-vida, o tomou todo para si, ao lado de seus mais maquiavélicos asseclas. E falando neles, vemos que as formas reencarnadas de cada um não duram muito – Kalibak ganho um corpo definitivo e preparado geneticamente para seu uso, experiência que vimos acontecer na edição #2, na primeira cena dentro da Fábrica do Mal. O Reverendo Good também está se deteriorando, provavelmente buscando um corpo mais tarde (o que não é mostrado, mas também não tem tanta importância assim).

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Já do lado de fora dos cenários principais, vemos toda a Terra rumando para o caos absoluto com a tomada dos Justificadores, em que Morrison aproveita para ilustrar revoluções sociais e protestos que vemos diariamente nos jornais, imaginando um mundo distópico que reúne referências de muitos clássicos literários e do cinema, como Blade Runner, Tempos Modernos, Metrópolis e muitas outras obras que, com certeza, serviram de inspiração para os pequenos momentos em que vemos a sociedade humana se render aos domínios da anti-vida e Darkseid que, mais que sugestivamente, é simbolizado pelo Ômega, o fim de tudo. Um bom sub-título para este capítulo seria “Como Matar a Terra”, pois a vemos ser destruída e sua mais íntima raiz. Aliás, outro dos símbolos mais fortes desta revista é no telão de heróis que Alan Scott está encarando, mostrando o Tio Sam como corrompido! Pegaram?

Uma das coisas que Morrison explora muito em suas narrativas com vários personagens é o aspecto dos coadjuvantes menores, aqueles que, geralmente, ficariam na estribeiras de uma história importante. Nesta edição, pudemos ter contato com algumas das melhores caracterizações que determinados heróis e vilões ganharam em anos de suas existências com apenas alguns poucos balões de fala, mais uma vez comprovando uma teoria interna aqui do Multiverso DC de que Grant Morrison tem o aspecto Quentin Tarantino de ser, nos mostrando tudo que precisamos saber sobre alguém com apenas diálogos bem colocados. Isso acontece, primeiramente, com Ray, que narra o início da história funcionando não apenas como um canal do mundo exterior com os heróis restantes, mas também como um personificação dos leitores, que estão vendo seus queridos heróis incapazes e tão perplexos quanto eles próprios com o que está acontecendo ao mundo. Depois, vemos o Arqueiro Verde em sua melhor forma desde a passagem de Dennis O’Neil pelo título do Lanterna Verde com ele como coadjuvante, com todo aquele aspecto anárquico e, ao mesmo tempo, carismático, como não se via há muito tempo, nem na própria revista dele. Inclusive, quando as edições 3 e 4 do evento saíram ano passado lá fora, muitos fãs se movimentaram para que Morrison “escrevesse o Arqueiro e a Canário para sempre”. Sem dúvida, ele soube caracterizá-los perfeitamente.

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Quem também fica ótimo aqui é Mokkari, que está totalmente maligno e parecendo um açougueiro fazendo experiências com os vivos. Ah sim, ele tá fumando maconha, como o próprio autor, hahaha. Pra fechar, vale todo a retrospectiva dos Novos Deuses que o homem fez em quatro edições, culminando com a aguardada ascensão do grande Darkseid em um novo e definitivo corpo rodeado de seus mais fieis acólitos para, enfim, moldar o mundo à sua forma.

Os Flashes Barry Allen e Wally West ganham uma roupagem excelente na história, pois, mesmo com toda a importância que eles têm para as Crises do Universo DC, ambos ficam nas estribeiras dos acontecimentos, aparecendo apenas quando realmente são necessários, o que é uma jogada de mestre de Morrison, repetindo o que o próprio e fantástico Marv Wolfman fez na Crise original, mostrando Barry apenas quando precisava, por mais importante que ele fosse. Os autores estão conseguindo fazer algo impossível, que é vender bem um retornado Barry Allen. Mais que isso, Morrison nos comprova novamente como o poder da Força de Aceleração, que venceu a própria morte nas edições anteriores, simbolizada pelo Corredor Negro, é grande, fazendo-a vencer a Anti-Vida, quando Barry beija Íris. Poético? Claro =D

Para fechar, vamos falar da resistência: os heróis que não foram dominados pela Equação estão reunindo conforme podem, utilizando restos de tecnologia e locais ainda não dominados pelos Justificadores. O Arqueiro Verde, com uma das melhores atuações de sua vida, salva Dinah e os outros heróis colocando-os no teleporte para a Torre de Vigilância e sacrificando-se para destruir o instrumento, impedindo que os bandidos os alcancem. Lá, infelizmente, ele é dominado pela anti-vida, numa simbologia excelente: a resistência aos métodos errôneos dos poderes da sociedade sempre acaba calada.

No aspecto da arte, essa edição já se mostra muito melhor que a anterior, já que J.G. Jones agora está acompanhado e melhor entrosado com outros grandes nomes da indústria, Carlos Pacheco e Jesus Merino. Os destaques vão para as feições de cada personagem, que conseguem passar exatamente o sentimento de cada um perante toda aquela situação.

Vamos analisar o saldo final da revista?

  • -Darkseid se levantou!
  • -A sociedade humanada alcançou o caos absoluto e toda a Terra foi dominada pela anti-vida, que foi espalhada pelo planeta de forma exponencial por todas as formas de comunicação possíveis
  • -Entretanto, há um pequeno sinal de resistência, que está reunindo heróis dos cantos mais distantes do mundo numa forma de comunicação chamada ünternet, que era utilizada por vilões – aliás, foi alguém de dentro que fez o contato com os heróis para falar dela. Alguma teoria sobre quem foi o traíra? Acho que deve ser fácil de imaginar =D
  • -As experiências do mal são bem-sucedidas, como vimos com Kalibak.
  • -A Trindade está completamente desaparecida – percebam que os Flashes nem reconhecer a Mulher-Maravilha como uma das Fúrias, eles apenas acham que ela está usando o uniforme da heroína.
  • -Todas as formas de comunicação foram desligadas – mas já é tarde! A população toda foi dominada
  • -A partir de agora veremos o início do reinado de Darkseid, com a resistência tentando algo

Referências e Anotações:

2-Ali é o Metrô de Londres, provando que a coisa está acontecendo no mundo todo

6-7-O massacre de Blüdhaven inclui a Mulher Negativa, Diretor Bones e Conde Vertigo, todos do Xeque-Mate.

8-As citações sobre incubação são totalmente Kirby. Darkseid, o senhor de todo mal, nunca esteve tão perverso, escroto e bizarro como vemos aqui. Fantástico.

10-Olha aí a responsável pelo apagão! Ia desligar a internet e acabou com tudo =D (piadinha infernal). Todo mundo sabe que é impossível desligar a internet, mas estamos falando da Oráculo né! =D

11-A Ünternet foi criada por Kurt Busiek, aparecendo em ACTION COMICS #853.

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14-Os Ultra-Marines Internacionais foram criados por Grant Morrison e Howard Porter em DC Um Milhão. Quando é comentado que animais têm se tornado híbridos, rapidamente vemos o Fera B’wanna, que também tem esse poder.

15-Chegou a hora do Adão Negro dar as caras – isso tem potencial!

16-Isso se liga diretamente à Submeta-se, que já foi citada aqui no site também. Os circuitos são parecidos com a simbologia de Metron, mas também tem outra simbologia: nos gibis de Morrison, caras carecas salvam o mundo! =D

20-A Liga da Justiça presa ali pode se conectar à Era de Prata, apesar de isto nunca ter realmente acontecido. Pode significar que os maiores heróis do mundo estão presos no mundo agora moldado por Darkseid.

25-Para o “dia do holocausto” espera-se que a Panini lance logo SUPERMAN BEYOND.

27-A equação dos velocistas, que é 3X2(9YZ)4A, passa por cima da de Darkseid.

28-Morrison tinha dito que queria que a série tivesse a cara de uma capa de um álbum do Slayer – não dá pra negar que está chovendo sangue aqui! Ah sim, a fala do Sr. Incrível está em branco devido ao som do Tubo de Explosão.

29-A Equipe Super-Jovem se une à resistência, mas não tão bem quanto deveria, com Shilo Norman levando um tiro. Independente disso, percebam a simbologia no pessoal ali: são os circuitos de Metron. Como eu disse na resenha da primeira edição, a arma contra os deuses estava na cara =D

30-E Turpin se torna Darkseid!

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