[HQview] Batman – Cacofonia

Batman – Cacofonia” é uma edição especial publicada pela Editora Panini em novembro de 2009, escrita pelo cineasta Kevin Smith e desenhada por Walter Flanagan. A edição reúne os 3 números de “Batman – Cacophony”, publicados originalmente entre janeiro e março de 2009.

Sinopse oficial: Como se Gotham já não tivesse loucura o suficiente, a DC fez o favor de convocar Kevin Smith para completar a bizarrice. O autor de O Balconista e Arqueiro Verde: O Espírito da Flecha coloca o Cavaleiro das Trevas entre Coringa e o enigmático assassino sonoplasta conhecido como Onomatopeia! Passando por cima de gente como o Pistoleiro e Maxie Zeus, Batman deve escolher entre capturar Onomatopeia ou salvar a vida de seu maior inimigo… bang!
Formato americano (17 x 26 cm)
100 páginas.
R$ 7,50
(Batman Cacophony 1 a 3)

A história mostra o Coringa, logo após fugir mais uma vez do Asilo Arkham, perpetrando uma vingança contra Maxie Zeus. Zeus havia roubado a fórmula do gás do riso do Coringa e sintetizado-o em uma nova droga alucinógena, chamada de Risinho. Ele oferece metade dos lucros ao Coringa, mas o palhaço não quer saber de dinheiro, ele fica furioso quando descobre que o veneno que deveria matar as pessoas está sendo usado para causar alucinações. No meio dessa disputa aparece em Gotham o vilão Onomatopeia, empreendendo uma caçada ao Batman. Agora, o morcego terá que lidar com 3 inimigos, se eles não se matarem primeiro.

Kevin Smith tem um estilo único de escrever. Depois de excelentes passagens pelo Demolidor (no arco “O diabo da guarda”) e pelo Arqueiro Verde (quando trouxe o personagem de volta dos mortos na saga “O espírito da flecha”), Smith agora lança o seu olhar sobre o Batman. Sua narrativa se preocupa com muito mais do que apenas contar a perseguição e a luta do herói contra os vilões, ele se aprofunda na psiquê de cada personagem, dando importância inclusive para os coadjuvantes mais simplórios. Podemos ver isso logo no começo da história, quando o Asilo Arkham está sendo invadido. Ele mostra a invasão com imagens, mas os recordatórios contam a história dos dois guardas que foram demitidos da instituição, como eles não conseguiram emprego depois e como isso levou um deles a vender as plantas do Arkham, o que possibilitou a invasão que está sendo mostrada. Detalhes quase sem importância, que outros escritores ignorariam, mas que ele usa como trunfo pra prender o leitor logo nas primeiras páginas.

Os vilões são perfeitamente caracterizados: suas motivações, seus modos de falar e de agir são únicos, não existe aquela visão genérica. A caracterização de Zsasz é particularmente perturbadora, apesar de sua breve aparição. Um maníaco que não consegue controlar seu instinto assassino, impelido a matar mesmo contra a sua vontade, e que precisa fazer uma marca em seu corpo para cada assassinato. Aqui, depois de matar um casal, ele não encontra mais espaço em seu corpo completamente marcado, e se vê obrigado a talhar o… hã… é, lá mesmo. A propósito, a perversão sexual é uma constante nos vilões dessa história. Na verdade, é um pensamento bastante realista, o de que a insanidade faz com que eles libertem todos os seus desejos reprimidos pela sociedade. Essa visão leva a momentos bastante polêmicos, principalmente com o Coringa. O primeiro é quando ele sugere ser homossexual (embora isso possa ser interpretado como apenas mais uma piada) e o segundo quando ele diz que gostaria de matar o Batman e abusar sexualmente de seu cadáver. São coisas que geram bastante discussão, mas que eu prefiro atribuir a uma visão particular do roteirista, e não à essência do personagem. Além disso, são pontos muito menores na história, que não merecem tanto destaque assim.


Onomatopeia é um vilão que Kevin Smith criou em sua passagem pelo título do Arqueiro Verde. Ele não fala, apenas repete os sons gerados no ambiente onde se encontra. Como nos quadrinhos os sons são representados por onomatopeias, seus balões de fala apenas repetem as onomatopeias que aparecem nos quadros. Uma ideia bastante criativa e original, que se encaixa perfeitamente na linguagem das HQs, e que dificilmente poderia ser transposta para outra mídia. Outro aspecto interessante é que Smith não usa seu vilão como o antagonista principal, este papel é do Coringa. Onomatopeia é utilizado como um elemento caótico, que muda significativamente a dinâmica clássica entre Batman e o Coringa.

A última parte da história inverte completamente o ritmo. Enquanto as duas primeiras são intensas, esta é introspectiva e até filosófica. Ela explora uma questão bastante interessante: todo mundo sabe que o Batman jamais mataria o Coringa, pois ele jurou não matar; mas e se o Coringa fosse apunhalado por outra pessoa, e tivesse uma chance mínima de ser salvo? Batman jurou proteger toda a vida, mas ele daria tudo de si, faria tudo ao seu alcance para salvar a vida de seu maior inimigo? Ou o deixaria morrer conformando-se com o fato de que não teve nenhum envolvimento na sua morte? Estas são algumas questões que a história pretende responder.

Nota da edição: 8,0

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