Crise Final: Submeta-se – Resenha filosófica da história

final-crisis-submitSubmeta-se à Darkseid ou seja morto como um herege. O mais simples dos julgamentos humanos nos reconecta à uma realidade perdida de séculos atrás quando a Igreja dominava o poder político e social do mundo julgando aqueles que não a aceitavam. Hoje, crucificamos e queimamos aqueles que não acreditam no mal que um deus de outro mundo trouxe ao nosso.

Um dos pilares fundamentais de Crise Final – Submeta-se é o aspecto da destruição da cultura humana para a instalação de uma distopia centralizada no poder maligno, visando o controle absoluto de uma sociedade moribunda para servir apenas aos seus propósitos. Mas, curiosamente, também existe dois aspectos muito simples mostrados pela revista: a importância de Jefferson Pierce, o Raio Negro, para o Universo DC e também do Tatuado, este novo e poderoso personagem que pode ajudar, e muito, na resistência contra Darkseid e a Equação Anti-Vida.

A narrativa mostra o Raio Negro procurando por um colega seu de profissão, cujo nome não é revelado na edição (mas temos lá nossas suspeitas, vejam mais abaixo) e, no caminho, ele se encontra com a família do Tatuado que, mesmo a contragosto dele, pede ajuda pelo computador, conseguindo a atenção da SOMBRA, agência que vem ajudando os poucos que sobraram na resistência.

No que diz respeito à Jefferson, vemos seus principais valores como herói e pessoa, enriquecendo a mitologia de um personagem que vem sendo deixado de lados há tempos – ele foi um pouco aproveitado na Liga da Justiça de Brad Meltzer, mas é aqui que vemos o verdadeiro potencial desde diferenciado vigilante com poderes elétricos, fazendo de tudo para salvar os indefesos – inclusive, arriscando a si mesmo. O papel do Tatuado começa a ficar mais claro quando vemos o que os poderes dele podem fazer, mas isso será mais discutido na edição seguinte do evento principal.

Para fechar, vale um grande elogio à editora Panini que publicou a história antes da chegada da quarta edição de Crise Final às bancas, pois, cronologicamente, é exatamente onde esta trama se passa. Boa sacada!

Anotações e Referências

final-crisis-submit-varianteHá realmente muito pouco a ser comentado aqui, mas vamos pegar alguns detalhes bacanas que valem sua citação.

23-Jefferson chegou a ser professor de colegial por um tempo, e mais tarde Secretário da Educação sob a presidência de Lex Luthor. Ao que parece, ele estava tentando salvar Oráculo, mas não fica totalmente claro, já que as pessoas mais próximas a ele aparecerão em Crise Final nº 4 na Sala de Justiça.

26-O Beco do Suicídio ganhou esse nome há muitos anos atrás, em Star Splangled Comics #7. Jack Kirby tirou o lugar de Nova York e colocou-o em Metrópolis, o que aconteceu em Jimmy Olsen Superman’s Pal #133.

28-A heroína aqui, filha de Jefferson, foi criada por Judd Winick e Tom Raney em Renegados #1, que saiu aqui no Brasil em Novos Titãs nº 1 da Panini.

29-Queimar a Origem das Espécies de Darwin é um simbolismo bem claro pra todo mundo, não? Basicamente, Morrison quer mostrar que o fundamento científico está acabado com a religião do mal tomando conta do mundo, como a Igreja também fez na Idade Média ao esconder muitos documentos do povo. Entretanto, há muito mais do que isso do que essa simples analogia – principalmente levando-se em conta as falas do Raio Negro, agora também um Justificador. As frases dele aqui, segundo o especialista e pesquisador Andrew Hickey, são citações de Gregory Bar Hebraeus que, por sua vez, contava da ordem do Califa Omar de queimar a lendária Biblioteca de Alexandria – “they will either contradict the Koran, in which case they are heresy, or they will agree with it, so they are superfluous.”.

O incêndio da Biblioteca de Alexandria é uma das maiores destruição de conhecimento que a raça humana já viu, apenas pelo mantimento do controle das massas – e, é claro, Darkseid, ao tomar toda raça humana para si, faria isso.

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