Batman – Descanse em Paz Parte 4: Milagre no Beco do Crime

[Parte 1: Meia-Noite na Casa da Dor] / [Parte 2: O Morcego no Submundo] / [Parte 3: Zur-En-Arrh!]

bm_cv679_solicitNuma edição com muita ação, o autor Grant Morrison narra uma história contrária aos métodos tradicionais e explica toda a natureza de sua trama aos leitores, dando cabo de resolver boa parte dos mistérios inseridos até então para que possa trabalhar em outros nas próximas duas edições que fecham a saga. Com isso, diferente de todas as revistas anteriores, o quarto capítulo de Descanse em Paz apresenta uma narrativa clara e que fecha algumas pontas soltas desde então.

A diferença mais clara ainda se compararmos com a edição anterior, que tem uma quantidade imensa de referências, diferente dessa que é mais simples e direta. Basicamente, Morrison e Tony Daniel nos contam o que realmente transformou o Batman neste ser arco-íris, utilizando sua mente acima do comum para se preparar para um plano diabólico de um misterioso e poderoso vilão, e essa é sua defesa contra Dr. Hurt. Portanto, estamos vendo o herói passar pelo maior desafio de sua carreira, e mesmo com toda essa loucura, ele está se defendendo, utilizando o elemento do Bat-Mirim como o elo de sua mente com o mundo real e sua verdadeira personalidade.

O melhor do Batman de Zur-En-Arrh é como ele homenageia muito o Batman dos anos 1940, louco, vingativo e assassino, ou seja, esta defesa contra o gatilho não é perfeita, já que ela o deixa sem freios morais, o que coloca o único elemento dos 70 anos de vida do herói ainda não apresentado em toda a passagem de Morrison por sua revista.

Já no âmbito psicológico, não vemos o herói traumatizado aqui, mas sim uma faceta sua sem moral nenhuma e que quer cumprir seus objetivos independente dos obstáculos. Isso é uma forma exercício criativo dos autores, que fazem este tipo de coisa justamente para que os leitores tenham chance de conhecer outros possíveis aspectos de um mesmo personagem, enriquecendo a própria trama. Curiosamente, é o desejo de muitos leitores ver um Batman desta forma, e, ao que aprecem logo veremos no tal projeto First Wave.

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Outro detalhe importantíssimo para a trama é perceber que o plano do Dr. Hurt agora está claro: sabendo que o Batman está de volta, o que no fundo já era esperado, o grande vilão vai colocá-lo contra o Coringa – com quem, fica óbvio aqui, Hurt tem um acordo, que é entregar o Robin e o próprio Batman para o grande vilão enquanto ele e todos os seus convidados finalmente participam da tal Dança Macabra, que é citada desde o primeiro capítulo deste arco. Será que o Coringa, após toda essa mudança psicopática pela qual passou, será fiel ao acordo? Saberemos em breve!

Análises e Referências

4-“O corcunda”. Comicamente, tá todo mundo corcunda nesta página.

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5-Percebam as divisórias nesta página. Além de formarem um tabuleiro de xadrez, nos aludindo mais uma vez ao fato de estarem todos num joguete, os quadros também são formados, em sua maioria, por vermelho e preto.

Uma máquina criada para fazer Batmans”. A princípio, esta frase pode fazer com que pensemos em dispositivos ou a mistura de tecnologia/misticismo dos Novos Deuses, mas não. Ali é o Beco do Crime, local onde tudo começou a deu nascimento ao Homem-Morcego – ele revive a morte dos pais sempre, como o trabalho repetitivo de uma máquina.

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7-O pingente que está preso no dente do Batman muito provavelmente se relaciona com o que estava na estátua do gárgula edições atrás.

8-Aqui Morrison informa, através de sua ferramenta narrativa do Bat-Mirim, que Zur-En-Arrh foi uma alucinação, uma frase gatilho implantada pelo Dr. Hurt para torná-lo um zumbi sem memória – mas o Batman pensa em tudo e se preparou, inclusive, para um momento como este – afinal, ele é o maior detetive de todos! Com isso, o autor fecha as especulações a respeito do que seria este “novo” Batman, partindo para o caminho mais difícil, afinal, “seria muito mais fácil considerar isto um sonho, mas como posso?”.

O misterioso Dr. Milo é citado aqui novamente. Para quem não se lembra, ele foi usado em Asilo Arkham, sendo o único são numa casa de loucos, e em 52 – Ralph Dibny tira Milo de sua cadeira de rodas para que chegar ao artefato de magia negra que estava escondido ali. Morrison tinha mais planos para o Batman pós-Descanse em Paz, mas a DC o tirou e colocou Battle for the Cowl por Tony Daniel no lugar. É sabido que o autor gostaria de trabalhar melhor algumas ideias apresentadas aqui, mas não conseguiu.

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9-Como dissemos acima, o Bat-Mirim confirma um assunto típico que acompanha o Batman durante toda a passagem de Morrison pela revista: a de que ele pensa em tudo.

12-“Senador Fishy”. De acordo com a lenda, o Imperador Calígula tentou inaugurar seu cavalo favorito dentro do Senado Romano. A fala aqui substitui o cavalo pelo peixe, para que ele fique ainda mais próximo do Coringa, seu maior desejo – não vá me dizer que você não se lembra da relação do Coringa com os peixes!

16-17-A discussão de Alfred e Dr. Hurt é curiosa. Já havia surgido a possibilidade de Dr. Hurt ser Thomas Wayne, já que Morrison levanta uma teoria da conspiração de que ele sempre este vivo e perseguindo Bruce nas estribeiras de sua vida até chegar o momento de agir: ou seja, agora! Apesar de não acreditarmos nesta teoria, por motivos óbvios (Dr. Hurt é o capeta!), ela tem muito embasamento: alguém se lembra de uma história em que realmente se vê os corpos dos Wayne? Num caixão? O buraco cronológico existe, mas Morrison só o utiliza para brincar com o leitor. Alfred aqui funciona como o pensamento do próprio leitor: “eu conheci Thomas Wayne, e você não é ele!”.

18-“Nós sabemos quem você é, Bruce Wayne! Sabemos tudo sobre você!”. Charlie Calígula levanta um ponto interessante. O Dr. Hurt parece jogar para não matar, já que toda armadilha da Luva Negra tem alguma saída, por mais absurda que seja. Estranho, não? Isso deve ser uma brincadeira com o arquétipo do arqui-inimigo que nunca mata o herói.

19-Ok, aqui é um momento complicado. Calígula pergunta o que é aquilo atrás do Batman, obviamente perturbado com a presença do Bat-Mirim. Mas como ele o vê, se o duende é uma alucinação? Minha teoria é de que Calígula é doido de pedra tanto quanto o próprio Batman, talvez por isso ambos consigam ver, naquele momento, alucinações semelhantes. Mesmo que a ciência alegue que isso não acontece, já houve casos relatados em que pessoas usando as mesmas drogas juntos conseguissem ver as mesmas alucinações, portanto, acredito que isso seja algo do tipo.

22-No cinto do Batman é possível ver os louros de Charlie Calígula, que Batman… hã, matou?! Bom, levando-se em consideração que Zur-En-Arrh é uma personalidade diferente e louca do Batman, não é de se duvidar… porque não veremos mais este personagem no futuro!

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