Resenha de Crise Final: O Testamento de Um Herói

dc-last-will-and-testament(…) Na hora, a adrenalina é a mesma. Mas depois você sai sem nada… e quem diabo que viver uma vida assim como essa?” – Capitão Frio

Uma história linda. Há cinco anos atrás Brad Meltzer aporta na DC e já balança as estruturas da DC Comics com a melhor história do Arqueiro Verde em décadas, e ainda joga Crise de Identidade na cara de todo mundo. Desta vez, ele vai mais longe: conta uma história em uma edição fechada e que foca num herói com quem ninguém jamais se importou: Georforça. O resultado? Uma história linda.

O Testamento de Um Herói, que tem desenhos fantásticos de Adam Kubert e seu pai Joe Kubert, mostra a vida de alguns personagens da DC no que pode ser o último momento da vida de todos: o auge absoluto da Crise que vem tomando todo o universo com a chegada de Darkseid no planeta, conforme estamos resenhando há alguns meses aqui no site. Entretanto, o foco absoluto vai para Geoforça e a missão que ele se impõe ao ver que o mundo está prestes a acabar: vingar sua irmã e todos os que sofreram nas mãos de Slade Wildon, o Exterminador. Com isso em mente, Meltzer e os Kubert, apoiados pelo também excelente John Dell e pelo fantástico colorista Alex Sinclair, narram cada minuto da busca de Brion Markov pelo acerto de contas que lhe falta para se libertar de uma vida sofrida e injusta de muitas formas, com a perda de toda sua família, da traição de sua irmã e a psicose que a levou à morte também, do fato de ele ter sempre sido um herói de terceira e muitas outras coisas que lhe pesam como o mundo nos ombros no que pode ser o último momento da Terra antes do fim.

Ocfe2-h1-p1 enriquecimento da história vem não só do grande cuidado de Meltzer com um personagens que jamais teve este tratamento, mas também das pequenas deixas que ele coloca com outros personagens do Universo DC, como Grace se confessando para Rocky Davis (algo que Brion faz também) em busca por um encontro de si mesmo, o momento em que Dick Grayson volta para a família que ele escolheu (Batman e Robin), Clark Kent confessando a seu pai o medo que ele tem de perdê-lo para sempre e muitos outros momentos curtíssimos mas que marcam por sua sutileza e toques de emoção e verdade a respeito da forma como nós mesmos nos sentimos com nossos próximos.

Puxando o assunto do parágrafo anterior, uma única página também merece ser contada aqui: a do Capitão Frio. Desenhada por Joe Kubert (como boa parte das páginas que não se focam em Geoforça), uma única página conseguiu dizer muito a respeito da natureza de Len Snart. Pela primeira vez em toda sua vida ele teve chance de estar do outro lado, e salvou uma pessoa. Mas o curioso é a visão que ele tem do evento, que viu como algo totalmente vazio. Afinal, alguém que passou a vida toda fazendo coisas para se obter outras ao final do processo, como, no fim dela, existiria algo a ser ganho? O vazio no coração dele é tamanho, que chega a nos fazer refletir a respeito do vazio de muitas ações que se comete durante a vida.

Talvez pareça propaganda de fanboy, ou paixonite aguda de nerd com o ego massageado após uma boa leitura, mas, mais uma vez, posso afirmar: nunca li nada de Brad Meltzer que não seja pelo menos muito bom. E esta história não apenas comprova isso, como também se mostra ser muito mais do que isso: é uma narrativa belíssima, tocante e emocionante da primeira até a última página. O sofrimento de Brion é tão palpável que chega a doer no coração do leitor com uma realidade que poucas vezes vi numa história em quadrinhos. A luta dos dois não se trata apenas de vingança, mas também de uma batalha no âmago de cada um deles para uma libertação, um encontro consigo mesmo para que a última coisa a se fazer antes da morte seja poder olhar cfe2-h1-p2para os céus, pedir perdão pelo que fez, e poder dizer com toda a humildade do mundo: “agora, eu posso ir embora”.

Slade chegou a prever o plano de Brion e estava preparado para enfrentá-lo. E mais: tudo de ruim que o pobre Markov vinha sentindo vem de um plano feito pelo próprio vilão. Porém, toda a narrativa culmina num momento que realmente era impossível de se predeterminar e marca pela sua surpresa: Geoforça, quase à beira da morte, consegue inverter a jogada de um jeito inimaginável e que vai ficar na lembrança do leitor para sempre.

Momento Cronológico

A história se passa após a primeira edição da Crise, mas antes da segunda. Isso pode ser afirmado porque Bruce Wayne ainda está como Batman e a Crise só se inicia após a saga Descanse em Paz – o que dá a dica do destino do herói após o término desta história que vem saindo em sua revista mensal. Ou você acreditou mesmo que ele morreria? =D

Referências

Esta é uma história que não tem grandes referências como acontece na série principal, mas alguns momentos são perfeitamente cabíveis de comentários neste tópico por motivos de curiosidade ou por realmente significarem algo.

cfe2-h1-p32-3-Uma subsidiária da Wayne Tech junto com Lex Corp? HAI UHAIU

6-Os túmulos reconhecíveis são do Besouro Azul e Raposa Escarlate. Logo atrás do primeiro, está um tal de Doutor Monstro. Alguém conhece?

7-A cena com o Exterminador, no flashback, aconteceu em Crise de Identidade #3, também escrita por Brad Meltzer e desenhada, originalmente, por Rags Morales

26-A cena de Jericó tendo seu pescoço cortado realmente foi desenhada assim originalmente, o que demonstra que Adam Kubert fez uma boa pesquisa antes de trabalhar nesta revista.

E assim termina um capítulo emocionante na vida de um herói que merece um destaque muito maior do que ele realmente ganhou durante sua existência. Parabéns a todos os envolvidos por este grande momento nesta grande saga. Não é uma história que realmente se conecta ao evento principal, mas mesmo assim vale e muito a leitura. Recomendado! E fiquem ligados nos próximos dias aqui no Multiverso DC para lerem sobre os tie-ins A Vingança dos Vilões, do Flash, e Réquiem, do Caçador de Marte.

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