Resenha dos Últimos dias do Homem-Animal

[o artigo abaixo contém spoilers]

O personagem Homem-Animal esteve na quinta categoria de heróis da DC durante muitos anos, sendo inclusive parte dos Heróis Esquecidos, de Marv Wolfman, e acabou deixado no limbo mais uma vez durante um tempo. Passado esse tempo, ninguém menos que Grant Morrison, o careca mais louco das Hqs reformulou não só o personagem, mas também a estrutura narrativa dos quadrinhos, fazendo histórias memoráveis e quebrando o quarto muro – coisa que poucos autores conseguiram nesta mídia.

Após o término da fase Morrison, Homem-Animal começou a focar mais e mais em histórias adultas até que, anos depois, passou para o selo Vertigo, onde permaneceu até o fim de sua linha mensal. Passaram-se anos até que ele tivesse uma série sua, o que finalmente está acontecendo com The Last Days of Animal Man, minissérie em 6 edições com roteiros do grande Gerry Conway (Homem-Aranha, Batman, Superman, Nuclear etc) e arte de Chris Batista. A idéia desta mini é mostrar a vida de Buddy alguns anos no futuro, mostrando não só seu lado super-heróis como também o familiar – como sempre foi feito com ele durante os anos. Entretanto, algo está errado com ele: seus poderes estão sumindo nos momentos de maior necessidade.

Este primeiro capítulo, chamado Negação, tem alguns problemas, talvez pelo tempo que o roteirista ficou afastado desta mídia. Entretanto, a ausência de uma revista com o nome “Homem-Animal” estampado no título foi tão grande, que é impossível não se deliciar com alguns momentos da narrativa. Aqui, Buddy enfrenta um novo vilão chamado Bloodrage, que drena sangue humano para alimentar sua energia. Ao enfrentá-lo, numa batalha que está sendo televisionada, o herói perde seus poderes repentinamente de forma inexplicável, mas consegue recuperá-los (também inexplicavelmente) e nocauteia o vilão de forma muito violenta, assustando os policias de apoio.

Aqui a história fica um pouco morna, quando a esposa de Buddy, Ellen, começa a questioná-lo sobre o que aconteceu. Ele nega tudo, diz que está bem, mas não é o que acontece. Bloodrager consegue escapar e põe Buddy novamente em xeque: na hora de enfrentar o vilão reenergizado, seus poderes mais uma vez desaparecem, e ele é lançado do prédio asfalto abaixo. Será que, além do fim de seus poderes, é o fim de sua vida? Veremos.

Do mais, existem pequenos elementos de referência à fase antiga do personagem, lembranças do passado, mostrando que nada do que foi feito será esquecido nesta série, apenas não terá tanto destaque. O trabalho de Conway é bem bacana, e tem chance de melhorar nas próximas edições, mas o destaque mesmo fica para o desenhista Chris Batista, que emulou de várias formas o clássico Brian Bolland (que fez a capa desta edição) e não deixou a peteca cair em nenhum página.

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